Comentário Semanal: ápice da crise subprime traz semana histórica às bolsas

Instituições financeiras agitam noticiário corporativo e bancos centrais rebatem com série de medidas para socorrer mercados

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SÃO PAULO – Nada menos que o ápice da crise do subprime. A quarta semana de setembro começou com a maior queda diária do Ibovespa desde o fatídico dia 11 de setembro de 2001 e terminou com a maior alta do índice desde 15 de janeiro de 1999.

O “derretimento” do índice, espelhado em Wall Street, deu-se por conta da quebra de tradicionais instituições financeiras. A retomada veio com injeção bilionária de liquidez nos mercados e proposta de Paulson e Bernanke para “varrer” os ativos podres das financeiras.

Tamanha volatilidade também pôde ser vista no mercado cambial. Quatro dias de disparada do dólar frente ao real levaram o Banco Central a anunciar leilão de venda de dólares com compromisso de compra futura. A derrocada do dólar comercial na sexta-feira não foi suficiente para apagar a alta acumulada nos quatro dias anteriores, e o saldo semanal foi amplamente positivo.

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Semana histórica

Os mercados globais amanheceram na segunda-feira com uma enxurrada de novidades no conturbado setor financeiro. O Lehman Brothers não resistiu à crise de crédito e entrou em concordata e a Merrill Lynch foi comprada por US$ 50 bilhões pelo Bank of America. Suficiente para instaurar pânico generalizado, mas que contou ainda com o socorro de US$ 20 bilhões à AIG (American International Group) promovido pelo Fed de Nova York.

A ajuda bilionária à maior seguradora do mundo não foi suficiente: a AIG precisou ser estatizada. E foi o intervencionismo do governo dos Estados Unidos que garantiu um breve arrefecimento das tensões na terça-feira, uma vez que a decisão unânime do Fomc, comitê de mercado aberto do Federal Reserve, de manter o juro básico norte-americano em 2% ao ano foi mal recebida.

Os sucessivos aportes de liquidez no mercado levaram o próprio Federal Reserve a pedir socorro, cedido pelo Tesouro norte-americano.

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A reviravolta viria na quinta-feira, quando uma ação conjunta do Federal Reserve, Bank of England, Bank of Japan, Banco Central Europeu e bancos centrais canadense e suíço garantiu a injeção de US$ 247 bilhões nos mercados, e se consolidaria no dia seguinte, quando a proposta de Ben Bernanke e Henry Paulson, de criação de um órgão destinado a administrar os “títulos podres” das instituições financeiras abatidas pelo subprime, resultaria no maior rali positivo dos últimos anos nas bolsas globais.

O noticiário da semana teve ainda a compra de parte do Lehman Brothers pelo Barclays, a aquisição da financiadora de hipotecas britânica HBOS pela Lloyds e intensos rumores de fusão entre Wachovia e Morgan Stanley. Para completar, o órgão regulador do mercado de capitais norte-americano, a SEC (Securities Exchange Commission), anunciou a proibição da venda de ações a descoberto em Wall Street.

Em segundo plano, a agenda econômica trouxe um Consumer Price Index dentro das projeções e fracos dados do setor industrial e do mercado imobiliário dos Estados Unidos.

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Banco Central dá impulso adicional à retomada

Com tamanha quantidade de referências no front externo, foram poucos os eventos domésticos que conseguiram algum destaque no noticiário dos mercados financeiros.

A manhã de quarta-feira trouxe a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Como a alta de 75 pontos-base da taxa Selic veio de encontro com as projeções do mercado, a ansiedade pela publicação do documento residia nos comentários ao placar divergente da decisão.

Para os três membros do colegiado que votaram por um ajuste menor, de 0,5 ponto percentual, a deterioração no nível de atividade das economias centrais sustentou a trajetória negativa recente nos preços das commodities, mitigando pressões inflacionários globais, o que justificaria uma redução na magnitude da elevação da Selic.

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Não bastasse a série de medidas anti-crise tomadas pelas autoridades externas, o mercado brasileiro teve impulso adicional para sua retomada com o anúncio de leilões de compra de dólares com compromisso de compra futura, sendo os primeiros dois realizados na sexta-feira.

As variações

As derrocadas de segunda e quarta-feira contrapostas pelas disparadas dos dois últimos pregões da semana resultaram em saldo positivo de 1,27% ao Ibovespa na terceira semana de setembro, com o índice encerrando o período nos 53.055 pontos.

Grande volatilidade também esteve presente no mercado cambial. A derrocada da sexta-feira apagou parte da forte valorização acumulada pelo dólar comercial nos quatro dias anteriores. Na semana, a moeda registrou expressiva alta de 2,75%, encerrando cotada a R$ 1,83.

No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 14,83% na sexta-feira, alta de 0,19 ponto percentual diante do valor do final da semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 13,62%, com alta na passagem semanal.

Agenda para a quarta semana de setembro

Dentro da agenda da quarta semana de setembro, os investidores estarão atentos, sobretudo, à estimativa definitiva do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano referente ao segundo trimestre.

No cenário nacional, a ênfase fica para o IPCA-15 (Índice de Preço ao Consumidor Amplo – 15) e para a Pesquisa Mensal do Emprego, ambos elaborados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).