Publicidade
SÃO PAULO – Uma bateria de notícias envolvendo o setor imobiliário norte-americano fez da semana de 13 a 17 de agosto talvez a mais agitada de 2007. Começa a ganhar corpo a interpretação de que as dificuldades do segmento subprime se espalharão por outros setores, levando forte turbulência aos mercados em nível mundial.
Sob os temores de restrição da liquidez internacional e impactos da crise sobre o lado real da economia norte-americana, o Ibovespa acumulou forte queda de 7,75%, enquanto o dólar comercial subiu 3,84%. O risco-país aumentou e os juros futuros avançaram.
Maior do que o esperado
A aposta de que o crédito imobiliário de segunda linha nos EUA era pouco representativo e seria incapaz de impactar sobre a liquidez global do sistema parece não mais ocupar espaço.
Diversas companhias ligadas ao financiamento de hipotecas – entre elas as gigantes Countrywide e First Magnus – anunciaram dificuldades em honrar seus compromissos financeiros.
Para dar ainda mais força à hipótese de possível estouro da bolha imobiliária norte-americana, dois indicadores ligados à construção civil norte-americana – Housing Starts (número de casas em início de construção) e Building Permits (quantidade de licenças para construção de casas novas) – ficaram aquém do esperado em julho.
E não são poucos os hedge funds suspendendo resgates de suas cotas, por conta dos efeitos negativos com operações atreladas ao subprime.
Continua depois da publicidade
Cenário interno: mais do mesmo
Na cena doméstica, em meio a uma agenda econômica de poucos indicadores de relevo, a semana foi marcada por uma série de declarações da equipe do governo Lula destacando a capacidade do Brasil de se deslocar da crise de crédito nos EUA.
Ainda que o País não esteja incólume à turbulência externa, os fundamentos econômicos mais sólidos internamente na comparação com a média emergente garantiriam uma maior resiliência.
Em adição, a esfera política segue em evidência, com os desdobramentos da crise aérea e as novas denúncias envolvendo o senador Renan Calheiros.
Continua depois da publicidade
Confira as cotações
Pressionado pela tensão nas bolsas internacionais, o Ibovespa acumulou baixa de 7,75%, para 48.559 pontos. Na quinta-feira, o índice teve um dia extremamente tenso e chegou a cair quase 9%.
Já no mercado de câmbio, o dólar comercial apurou alta de 3,84%, a R$ 2,026. Finalmente, no mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 12,01% na sexta-feira, frente aos 11,37% do final da semana anterior. Já a taxa anual do CDB prefixado de 30 dias fechou a 11,33%, levemente abaixo dos 11,36% registrados na sexta-feira anterior.
Calendário da semana
Dentro da agenda da quarta semana de agosto, os investidores aguardarão o indicador sobre o setor imobiliário norte-americano, New Home Sales, que relata o número de casas novas com compromisso de venda.
Continua depois da publicidade
Já dentro do front nacional, o destaque fica para a publicação das notas do Banco Central sobre o mercado doméstico e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), do IBGE, que acompanha a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços nas principais capitais do País.