Comentário da Semana: recordes na Bolsa e juros e dólar em queda

Recorde de pontos e volume para a Bolsa e dólar ainda mais barato marcaram a segunda semana de fevereiro

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SÃO PAULO – Ainda não era carnaval, mas os mercados brasileiros tiveram uma semana de festa. Enquanto a Bovespa bateu recordes de pontuação e volume, o dólar voltou a perder espeço frente ao real no período.

Acompanhando o bom desempenho dos mercados internacionais, o Ibovespa acumulou forte alta de 3,53%, enquanto o dólar comercial caiu 0,71%. O risco-país apurou leve diminuição e os juros futuros recuaram, completando o quadro amplamente favorável.

Cenário externo: Bernanke ocupa centro das atenções

No cenário internacional, a agenda de indicadores econômicos ficou em segundo plano diante de dois discursos do presidente do Federal Reserve Bank ao Congresso norte-americano.

O chairman do Fed identificou um arrefecimento das pressões inflacionárias nos EUA e se mostrou confortável com o atual nível da taxa básica de juro em seu país, trazendo um prognóstico mais positivo para a política monetária, o que animou os mercados.

Ben Bernanke, no entanto, ressaltou que alguns riscos ao controle do nível geral de preços persistem e, caso haja aceleração da inflação, o Fed está pronto para uma nova elevação do juro básico, atualmente em 5,25% ao ano.

Cenário interno: empresas em foco

Internamente, a esfera corporativa esteve em evidência, com poucos indicadores econômicos capazes de movimentar de forma significativa os mercados. Notícias relacionadas a companhias siderúrgicas e mineradoras, e a temporada de divulgação de resultados do acumulado de 2006 – sobretudo os números da Petrobras, cujo lucro foi de R$ 25,9 bilhões – guiaram as negociações.

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Na terça-feira, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) determinou que a Arcelor Mittal realize oferta pública de aquisição das ações da Arcelor Brasil, a um preço estimado de R$ 47,90. Os papéis da empresa brasileira subiram expressivos 12,40%, para R$ 47,60 naquele dia.

Além do movimento de consolidação setorial, a perspectiva de recuperação dos preços do aço no mercado externo contribuiu para a escalada das ações das companhias siderúrgicas internamente.

No mesmo sentido, os papéis de mineradoras também apresentaram bom desempenho, após a imprensa internacional ventilar o interesse de duas das maiores companhias do ramo – BHP Billiton e Rio Tinto – em comprar a Alcoa. Uma valorização dos metais no exterior ajudou.

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Ibovespa em forte alta

Acompanhando as valorizações em Wall Street e puxado pelos papéis de siderúrgicas e mineradoras, o Ibovespa acumulou alta de 3,53%, fechando a semana cotado a 45.849 pontos. Na quarta-feira, quando houve vencimento de índice futuro, o Ibovespa bateu recorde de pontuação e a Bolsa registrou o maior volume de negócios de sua história, com R$ 14,3 bilhões.

Já no mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em queda de 0,71%, cotado a R$ 2,0930, mesmo diante de uma intensificação das intervenções do Banco Central.

Finalmente, no mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2009, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 11,91% na sexta-feira, frente aos 12,09% da semana anterior. Já a taxa anual do CDB prefixado de 30 dias fechou a 12,77%, abaixo dos 12,81% registrados no final da semana passada.

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Próxima semana: de olho na ata do Fomc

Na agenda da segunda semana de fevereiro, o mercado estará atento à divulgação de pesquisas do IBGE sobre comércio, emprego e salário.

O principal destaque nos Estados Unidos será a divulgação, na sexta-feira, do PPI, índice de preços ao produtor, junto a seu núcleo, o Core PPI, que desconsidera cotações de energia e alimentos.