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SÃO PAULO – Após encerrar a última semana em patamar recorde, o Ibovespa rendeu-se a um movimento de realização de lucros, refletindo o aumento das apostas de manutenção do juro norte-americano neste ano, e finalizou a semana com queda acumulada superior a 2%, em 52.391 pontos.
Apesar do leve tropeço no início de junho, o principal índice da bolsa brasileira registrou desvalorização em apenas cinco das vinte e três semanas do ano, o que ajuda a visualizar com mais clareza a tendência positiva para o mercado de ações.
Seguindo ao cenário de maior aversão ao risco, configurado após o discurso do presidente do Banco Central norte-americano (Federal Reserve) na última terça-feira (5), o dólar comercial encerrou a sexta-feira com uma alta acumulada de 3,16% na semana. O risco-país subiu e os juros futuros recuaram.
Juro nos EUA: queda, manutenção ou alta?
As apostas majoritárias dos analistas e investidores do mercado entraram a semana com um relativo consenso em relação ao futuro do juro norte-americano: manutenção do patamar atual até o final do ano, com parte considerando até a possibilidade de um corte nos três últimos meses de 2007.
Contudo, novos eventos mudaram a configuração das perspectivas. Ben Bernanke, presidente do Fed, deu mais uma demonstração do seu poder em mexer com os mercados. O chairman disse na terça-feira que ainda visualiza riscos à inflação e que a economia deve crescer a um ritmo menos acelerado nos próximos meses e que o setor imobiliário preocupa.
Com isso, os que ainda apostavam em um corte do juro migraram para o grupo que acredita na manutenção, alguns chegam, até, a visualizar um possível aperto monetário ainda neste ano. Evidenciando aumento da aversão ao risco por parte dos investidores, o yield dos Treasuries, com prazo de 10 anos, ultrapassou os 5% pela primeira vez desde agosto de 2006 nesta semana.
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China ameaça, mas não assusta
Assim como na semana anterior, quando o governo chinês triplicou a taxação sobre operações com ações na tentativa de inibir uma eventual bolha, a segunda-feira foi marcada por mais volatilidade no mercado asiático.
O Shangai Composite, principal índice da Bolsa de Xangai, registrou queda superior a 8%, preocupando os mercados internacionais, que abriram em queda. O temor de que o governo chinês poderia adotar medidas adicionais para conter a euforia no mercado financeiro do país havia voltado à cena.
Apesar disso, as negociações durante o dia absorveram os temores devido ao tamanho reduzido do mercado de ações chinês. O Ibovespa encerrou a sessão com leve queda de 0,34%.
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Cenário interno: Copom acelera corte
No plano interno a agenda econômica contou no início da semana com uma notícia negativa para o setor produtivo. Medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a atividade industrial recuou 0,01% em abril após seis meses consecutivos de alta.
Na quarta-feira, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) marcou inflação de 0,28% em maio, frente à expectativa de um avanço de 0,21% dos preços e ao incremento de 0,25% da apuração anterior.
O maior destaque da semana, entretanto, ficou com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acelerou o ritmo de corte da taxa Selic. Sem unanimidade, o Copom cortou a Selic em 50 pontos base, a levando para o patamar de 12% ao ano.
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Ibovespa em recorde
Acompanhando a performance de Wall Street, o Ibovespa acumulou queda de 2,05%, fechando a semana em 52.047 pontos. Já no mercado de câmbio, o dólar comercial reverteu a tendência de queda verificada nas semanas anteriores, registrando baixa de 3,16%, a R$ 1,9510.
Finalmente, no mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2008, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 11,22% na sexta-feira, frente aos 11,28% do final da semana anterior. Já a taxa anual do CDB prefixado de 30 dias fechou a 11,80%, abaixo dos 11,97% registrados na sexta-feira anterior.
Calendário da semana
Na segunda semana de junho, período de agenda recheada de dados importantes, na esfera doméstica o foco dos investidores estará na divulgação das Contas Nacionais Trimestrais referente ao 1º trimestre.
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Nos EUA, depois de ter inspirado alguns dias de cautela entre os investidores, a inflação estará no centro das atenções com a publicação do PPI (Producer Price Index) e do CPI (Consumer Price Index). Além disso, sai o Fed´s Beige Book, relatório sobre a economia dos EUA no período atual.