Comentário da semana: Ibovespa cede à pressão externa e acumula baixa

Fracos indicadores econômicos dos Estados Unidos e noticiário corporativo dividiram a atenção e saldo final foi negativo

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SÃO PAULO – O mercado financeiro fechou a quarta semana de fevereiro com saldo negativo, em meio a uma agenda econômica cheia.

Nos Estados Unidos, se por um lado os indicadores reforçaram as expectativas de recessão, por outro o presidente do Federal Reserve reiterou a prontidão do banco em cortar o juro caso a situação econômica se deteriore ainda mais.

Internamente, o Ibovespa demonstrou descolamento de Wall Street e cravou quatro valorizações seguidas, mas o forte negativismo externo nesta sexta-feira (29), aliado a pressão por realizações de lucros, anulou os ganhos acumulados.

Os fundamentos econômicos mais sólidos no Brasil aumentam a expectativa de obtenção de grau de investimento e, ao lado do nível alto das reservas internacionais, ajudou o dólar a chegar às menores cotações em cerca de nove anos. A moeda fechou cotada a R$ 1,6910, acumulando baixa de 0,94%. Os juros futuros, por sua vez, fecharam em leve alta na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).

EUA: autoridades preocupadas

O PCE, medida de inflação preferida pelo Fed, veio em linha com as projeções, porém o PPI (Índice de Preços ao Produtor) veio muito acima do esperado.

O mais importante termômetro da atividade econômica do país, o PIB (Produto Interno Bruto), cresceu timidamente no quarto trimestre. Também chamou a atenção a venda de casas novas, que teve o pior desempenho semanal desde 1999.

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A semana foi recheada de discursos de autoridades. Ben Bernanke, presidente do Fed, voltou a citar os riscos ao crescimento econômico. Já o secretário do Tesouro do país, Henry Paulson, comentou a posição do governo frente aos especuladores do setor imobiliário, e assim como George W. Bush, mostrou-se contrário aos incentivos em pauta no Senado.

Além dos indicadores, a esfera corporativa também colaborou para a cautela de investidores. De diversos setores da economia, companhias reportaram fracos resultados, entre elas a varejista Sears a companhia de financiamentos imobiliários Freddie Mac e a AIG, maior seguradora do mundo.

Cenário interno positivo

Internamente, os fundamentos seguiram sólidos, com desaceleração do IGP-M (Índice Geral de Preços mercado) e redução da dívida pública em janeiro. Além disso, a maioria das empresas apresentaram fortes resultados de 2007. O destaque foi a Vale, que obteve lucro líquido 49% maior que em 2006.

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O resultado da empresa, porém, não agradou ao mercado em função da deterioração em sua estrutura de custos, que impediu ganhos ainda maiores no período.

As variações

Prejudicado pela piora externa, o Ibovespa acumulou baixa de 1,73%, para 63.489,30 pontos. No mercado de câmbio, o dólar comercial se desvalorizou 0,94% na semana, a R$ 1,6910.

No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 12,44% na sexta-feira, frente aos 12,34% do final da semana anterior. Já a taxa anual do CDB prefixado de 30 dias fechou a 11,08%, em alta frente à taxa de 11,04% registrada na sexta-feira anterior.

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Agenda para a primeira semana de março

No cenário nacional, a ênfase fica para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que atualizará a taxa básica de juro do País, atualmente em 11,25% ao ano.

Nos Estados Unidos, os investidores estarão atentos ao Relatório de Emprego do mês de fevereiro. Também em destaque a divulgação do ISM Index, referente ao mês de fevereiro, e do Construction Spending de janeiro.