Comentário da semana: arrefecimento das tensões guiou melhora dos mercados

Mais um corte na Fed Funds Rate, desta vez de 50 pontos-base, trouxe ganhos à renda variável e queda do dólar

Por  Camila Schoti

SÃO PAULO – Depois da convicção de que a economia norte-americana passará por um período de recessão, o mercado avaliou na última semana de janeiro as medidas que seriam tomadas para minimizar os danos e o saldo final foi positivo. A reunião do comitê de mercado aberto do Federal Reserve concentrou as atenções.

No começo da semana, as expectativas de que a autoridade monetária norte-americana cortaria, mais uma vez, a taxa básica de juro do país sustentaram altas aos mercados acionários e contribuíram para a queda do dólar. Mas a agenda carregada de importantes indicadores econômicos minimizou o otimismo.

Neste contexto, o dólar comercial acumulou queda de 2,35% na semana, revertendo a trajetória observada na semana anterior. Reflexo da relativa melhoria do humor externo. Os juros futuros, por sua vez, fecharam em baixa na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).

Temores de recessão ganham força

Enquanto as expectativas de corte na Fed Funds Rate alimentaram uma força compradora no início da semana, a redução em 50 pontos-base na taxa contribuiu para a manutenção do cenário externo mais ameno. O Fed reduziu seu juro básico para 3,0% ao ano, já que na semana anterior havia implementado corte de 75 pontos-base, em caráter emergencial.

Todavia, importantes números econômicos minimizaram os efeitos da flexibilização monetária. Em meio a agenda carregada, merecem destaque os dados do PIB dos EUA no quarto trimestre, que mostraram forte desaceleração da economia, e os do Relatório de Emprego, que também decepcionaram o mercado.

Na última sessão da semana, o notíciário corporativo roubou a cena e deu novo impulso aos mercados acionários, com proposta de aquisição feita pela Microsoft pelo grupo Yahoo!, e compra de parte da Rio Tinto pela norte-americana Alcoa e pela chinesa Chinalco.

Inflação em destaque

Internamente, o destaque ficou com a ata da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. O documento evidenciou tom cauteloso em relação ao cenário prospectivo para a inflação e incutiu no mercado expectativas de que a taxa Selic pode ser elevada em suas próximas reuniões.

De acordo com o documento, “ainda que permaneçam em linhas gerais consistentes com a trajetória de metas, as perspectivas para a inflação estão cercadas por maior incerteza, e aumentou o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno”. O conteúdo da ata contribuiu, na ocasião, para o recuo do Ibovespa e alta dos juros futuros.

Além disso, a agenda de indicadores trouxe maiores expectativas de inflação pelo relatório Focus, desaceleração da inflação no IGP-M de janeiro, e as notas de mercado aberto aberto, política fiscal e setor externo.

As variações

Diante da melhoria do cenário externo, o Ibovespa acumulou alta de 6,29%, para 61.080 pontos. Já no mercado de câmbio, o dólar comercial se desvalorizou 2,35% na semana, a R$ 1,746.

No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 12,69% na sexta-feira, frente aos 12,74% do final da semana anterior. Já a taxa anual do CDB prefixado de 30 dias fechou a 11,08%, estável frente à taxa de 11,08% registrada na sexta-feira anterior.

Agenda para a primeira de fevereiro

Na agenda da primeira semana de fevereiro, os investidores estarão atentos a uma série de indicadores industriais norte-americanos, como dados do setor de serviços, pedidos à industria e crédito ao consumidor.

No cenário nacional, a ênfase fica para as pesquisas elaboradas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), também sobre o setor industrial.

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