Com valorização de 11% em 2008, ouro aparece como bom investimento

Porém, atenção: no Brasil, preço da commodity também depende do câmbio; estratégia é indicada apenas para mais familiarizados

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SÃO PAULO – Não é novidade os investidores se refugiarem em ativos reais em épocas de crise ou grandes incertezas. Dessa forma, diante da forte volatilidade vista nos últimos meses no mercado de ações, e da performance consideravelmente melhor dos metais preciosos em relação a outras classes de ativo, muitos têm se perguntado se há motivos para comprar ouro agora.

Para o Credit Suisse, a resposta é sim. Conforme explicado pelos analistas, há três cenários potenciais para o desenrolar da crise: a quebra do sistema financeiro, a impressão de dinheiro pelos bancos centrais de países desenvolvidos para conter essa quebra e a queda das taxas reais de juro abaixo de zero. E o ouro se beneficia dos três elementos.

Em relatório divulgado pelo banco no final de outubro, a compra de ouro aparecia entre as dez dicas de investimentos globais. “Historicamente, quando as taxas reais estão perto de zero, o preço do ouro sobe quase 20% por ano”, afirmam os analistas.

Por que comprar?

As vantagens são boas: o metal é considerado reserva de valor e uma aplicação segura em tempos turbulentos. Embora não registre desempenho positivo no mercado internacional, no Brasil, a cotação do ouro acumulou uma valorização de mais de 11% neste ano.

Porém, há também as desvantagens, como o fato de, no Brasil, o preço do ouro depender do valor do dólar, além da cotação internacional. Dessa forma, o valor é transformado em reais, de acordo com o câmbio do dia, que, se sofrer uma oscilação muito forte, pode prejudicar o investimento. Assim, grande parte dos consultores recomenda esse tipo de aplicação apenas para investidores experientes.

Como investir

Há duas formas de se investir em ouro: através da BM&F Bovespa ou no mercado de balcão. No primeiro caso, o interessado deverá procurar uma corretora habilitada pela Bolsa para iniciar o investimento, de forma que é possível comprar o contrato padrão, de 250 g, ou contratos fracionários, de 10 g ou 0,225 g.

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Após adquirido o ouro, o investidor pode escolher deixá-lo sob custódia, pagando uma taxa, além do seguro, ou pode pedir o resgate, levando o metal para casa. O problema dessa última escolha é que, na hora em que o investidor decidir vender a commodity, ele terá que submetê-la a uma certificação de autenticidade antes de dar a ordem de venda, para evitar fraudes, o que tem um custo razoável. A liquidação é feita no primeiro dia útil depois da ordem.

No segundo caso, no mercado de balcão, o investidor pode adquirir qualquer quantidade de ouro, até mesmo um grama, através de corretoras especializadas. Embora não tenha uma taxa de corretagem, como nas negociações de contratos na BM&F Bovespa, há o spread entre o preço que a corretora paga pelo metal e o preço pelo qual revende ao investidor.
Diferentemente das negociações de contrato, no mercado de balcão geralmente não há escolha, sendo que o investidor tem o recebimento físico do ouro comprado. Na venda, a mercadoria deve ser entregue à corretora, que efetua o pagamento no mesmo dia.

Impostos

Cabe lembrar que o único imposto cobrado sobre o investimento em ouro é o IR (Imposto de Renda), de 15% sobre o lucro da operação. Porém, nesse tipo de aplicação quem declara o imposto é o investidor e não a corretora, como acontece no caso das aplicações em ações.