16 FIIs entregam dividendos acima do CDI após queda da Selic a 14,25%; veja lista

Levantamento filtra fundos com retorno total positivo nos últimos 12 meses; papel domina a lista, mas três fundos de shoppings também aparecem

Equipe InfoMoney

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Fundos Imobiliários. Foto: Unsplash.
Fundos Imobiliários. Foto: Unsplash.

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Em uma Super Quarta que reuniu as duas maiores decisões de política monetária do mundo, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano, enquanto o Federal Reserve manteve os juros americanos inalterados. Com o CDI recuando para cerca de 14,10% ao ano, os fundos imobiliários precisam distribuir cada vez mais para superar a renda fixa.

Levantamento do InfoMoney com dados da Economatica identificou 16 FIIs com dividend yield acima desse patamar que também registraram retorno total positivo nos últimos 12 meses. O estudo considerou fundos do Ifix e calculou o dividend yield com base nos proventos distribuídos nos últimos 12 meses sobre o preço da cota de um ano atrás.

A lista é formada majoritariamente por fundos de papel, que se beneficiam diretamente do patamar ainda elevado da Selic. Ainda assim, três fundos de tijolo são destaque, todos do segmento de shoppings, que tem mostrado resiliência operacional, com vacância baixa e crescimento de vendas. Com o início do ciclo de cortes, esse segmento tende a ganhar fôlego adicional, já que fundos de tijolo costumam se beneficiar mais da queda dos juros.

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É importante lembrar que o dividend yield é apenas o ponto de partida. Para os fundos de papel indexados ao CDI, o corte da Selic tende a comprimir os rendimentos ao longo do tempo. Consistência das distribuições, qualidade da carteira de ativos, nível de alavancagem e sensibilidade ao ciclo de juros definem o quanto o investidor consegue transformar o DY nominal em renda efetiva e previsível ao longo do tempo.

Leia também: 10 ações de dividendos ainda batem o CDI com Selic a 14,25% ao ano

FundoDY 12 mesesRetorno 12 mesesTipo
Ourinvest JPP (OUJP11)16,72%+10,81%Papel
Riza Akin (RZAK11)16,59%+17,57%Papel
Gazit Malls (GZIT11)16,50%+2,59%Tijolo
BTG Pactual Shoppings (BPML11)16,43%+28,47%Tijolo
Valora CRI CDI (VGIR11)16,31%+20,64%Papel
Kilima Volkano (KIVO11)16,25%+3,13%Papel
Mauá Capital Real Estate (MCRE11)15,62%+22,57%Papel
Manatí Capital Hedge (MANA11)15,41%+24,19%Papel
Cyrela Crédito (CYCR11)15,39%+15,39%Papel
Fator Veritá (VRTM11)15,10%+13,95%Papel
Riza Arctium (RZAT11)14,97%+22,69%Papel
RBR Crédito Imobiliário (RBRY11)14,95%+11,89%Papel
Capitânia Shoppings (CPSH11)14,79%+17,93%Tijolo
Capitânia Securities (CPTS11)14,70%+15,02%Papel
Kinea Unique HY CDI (KNUQ11)14,62%+16,26%Papel
Banestes CRI (BCRI11)14,60%+1,60%Papel
Fonte: Economatica. Levantamento considera fundos do Ifix com retorno total positivo nos últimos 12 meses. DY calculado com base nos proventos distribuídos nos últimos 12 meses sobre a cotação de 12 meses atrás (preço inicial). Para uma projeção mais conservadora, o investidor deve considerar o DY sobre o preço atual da cota. Data de referência: 17/06/2026

Os destaques

O BTG Pactual Shoppings (BPML11) entrega o maior retorno total entre os 16 fundos, com alta de 28,47% em 12 meses. Parte relevante desse desempenho veio de distribuições não recorrentes atreladas à venda do Shopping Capim Dourado, em 2025. A distribuição ordinária do fundo gira em torno de R$ 0,92 por cota por mês, com DY recorrente anualizado de aproximadamente 11,5% sobre o preço atual.

O Capitânia Shoppings (CPSH11), terceiro fundo de tijolo da lista, confirmou guidance de R$ 0,11 por cota ao mês pelo menos até novembro de 2027, com portfólio de shoppings operando perto de 98% de ocupação. Vale a ressalva, porém, de que esse valor sobre o preço atual da cota representa yield anualizado de cerca de 13,3%, já abaixo do CDI: o fundo aparece na lista porque o cálculo considera o preço da cota de um ano atrás, mais baixo.

A novidade mais expressiva da lista é o Manatí Capital Hedge Fund (MANA11), fundo que encerrou 2025 como o maior pagador de proventos entre os chamados hedge funds imobiliários, acumulando cerca de R$ 1,30 por cota no ano, e atraiu quase 138% mais cotistas em 12 meses. O diferencial do fundo está no crédito estruturado, que representa entre 60% e 70% da carteira.

O Mauá Capital Real Estate (MCRE11), também multiestratégia, adota abordagem mais conservadora, com distribuição mensal estabilizada em torno de R$0,11 por cota e retorno total de 22,57% no período.

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O Valora CRI CDI (VGIR11), que mantém quase a totalidade da carteira indexada ao CDI, segue na lista, mas seu DY tende a cair progressivamente à medida que a Selic recua. Com o novo corte, a tendência de compressão dos proventos se reforça.

O Riza Akin (RZAK11), com alavancagem acima do patrimônio líquido via operações compromissadas, mantém distribuições elevadas, mas o modelo implica risco adicional que o investidor deve considerar.