Com menos contas a pagar, brasileiro volta para poupança em junho

Segundo dados do Banco Central, a captação da poupança no mês passado ficou em R$ 220,427 milhões

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SÃO PAULO – A captação líquida da caderneta de poupança, diferença entre os depósitos e os saques, terminou o mês de junho com sinal positivo.

Segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (6), a captação da poupança no mês passado ficou em R$ 220,427 milhões, resultado de R$ 105,161 bilhões de depósitos e R$ 104,940 bilhões de retiradas ocorridas no período de 1º até 30 de junho.

A captação positiva do mês passado interrompe dois meses seguidos em que o volume de retiradas superou o de depósitos. Em maio, a captação ficou negativa em R$ 1,301 bilhão.

De acordo com o professor de finanças do Ibmec, Gilberto Braga, o movimento pode ser explicado pelo fato de o mês de junho não ter uma despesa pontual no calendário dos brasileiros, ao contrário de maio, quando é comemorado o Dia das Mães.

“Costumamos verificar um saque maior da poupança em meses com datas comemorativas. O que especulamos é que no mês passado as pessoas retiraram para pagar as compras do Dia das Mães, a segunda data mais importante do comércio varejista”, aponta.

Mais caixa
O professor de finanças da Brazilian Business School, Ricardo Torres, tem opinião parecida. “Houve uma redução nos saques no mês passado. Podemos concluir que o momento de pagamento de contas comuns do início do ano passou e as pessoas conseguiram acumular mais caixa”, acredita.

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Entretanto, apesar do nível de resgate ter diminuído, ainda existe uma parcela pessoas que estão migrando de aplicação, afirma Torres. “Existem aquelas pessoas que estão saindo da poupança em busca de aplicações com maior rentabilidade, como os títulos do Tesouro Direto e os Fundos DI”, acredita.

Facilidades
Apesar da poupança registrar um rendimento menor do que outras aplicações, o professor do Ibmec ressalta que a facilidade de aplicação e de resgate ainda atrai muitos investidores.

“Muitos bancos oferecem a poupança de forma vinculada à conta-corrente. Então, é muito mais simples transferir o valor para a poupança do que para outros investimentos que necessitam de uma análise maior e de aconselhamento do gerente, por exemplo”, afirma Braga.

Além disso, ele aponta que a isenção de Imposto de Renda e a garantia do Governo (o FGC – Fundo Garantidor de Crédito – devolve até R$ 70 mil, em caso de quebra do banco) também são atrativos para o investidor. “Mesmo aquelas pessoas que têm outras aplicações também costumam manter uma parte na caderneta de poupança”, afirma Braga.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip