Fundos Imobiliários

Com crise da Evergrande, fundos imobiliários têm maior queda desde anúncio da reforma do IR

Ifix, índice que reúne os FIIs mais negociados da B3, fechou o dia com queda de 1,07%, acumulando perda de 5,86%, no ano

SÃO PAULO – A crise da incorporadora chinesa Evergrande, que periga não conseguir honrar uma dívida de US$ 305 bilhões que vence na quinta-feira (23), pesou sobre o desempenho dos fundos imobiliários nesta segunda (20). O Ifix, índice que reúne os fundos imobiliários mais negociadas na B3, acompanhou os outros indicadores do mercado brasileiro e fechou o dia no vermelho, caindo 1,07%, aos 2.700 pontos.

Foi a maior queda do índice desde o dia 25 de junho, quando foi anunciada a proposta de reforma do Imposto de Renda encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional. Na oportunidade, o projeto de lei (PL) sugeria a tributação dos rendimentos dos FIIs, hoje isentos de IR. O Ifix caiu mais de 2% naquele pregão. O texto aprovado na Câmara e encaminhado ao Senado acabou excluindo essa possibilidade, para alívio dos investidores.

O episódio da Evergrande (confira os detalhes no vídeo abaixo) se junta a uma série de fatores que já vinham prejudicando o desempenho dos fundos imobiliários nos últimos meses. “Nós temos algumas crises acontecendo ao mesmo tempo. Ainda temos os efeitos da pandemia, temos a reforma tributária que gerou desconforto para os investidores, temos uma crise política gerando instabilidade e temos também ainda um ciclo de alta dos juros em andamento”, explica Danilo Bastos, consultor de investimentos especializado em fundos imobiliários.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta semana e os economistas do mercado financeiro esperam que a taxa básica de juros da economia nacional – a Selic – seja elevada em mais um ponto percentual, para 6,25% ao ano. Movimentos de alta da Selic costumam prejudicar o desempenho dos fundos imobiliários, pois aumentam a atratividade das aplicações de renda fixa, que envolvem menos riscos do que os FIIs.

Com o resultado desta segunda, o Ifix acumula queda de 1,68% no mês e de 5,86% no ano.

“O mercado de FIIs possui uma volatilidade baixa quando comparado ao de ações. Logo, uma variação desta magnitude deve ser observada de perto pelos investidores”, explica Philipe Aguiar, analista sênior de produtos da Órama. “O movimento ocorreu de forma generalizada, com grande parte dos segmentos sendo impactados”. Dos 103 papéis que compõe o Ifix, apenas oito fecharam no positivo: BTG Pactual Crédito Imobiliário (BTCR11), HSI Logística (HSLG11), SP Downtown (SPTW11), Fundo de Investimento Imobiliário Kinea (KFOF11), Ouroinvest JPP (OUJP11), VBI Cri (CVBI11), Polo Capital (PORD11) e CSHG Prime Offices (HGPO11).

Já as maiores baixas foram dos fundos de papel, como o da Vinci (VIFI11), que caiu 4,62%, seguido por REC Renda Imobiliária (RECT11), com -3,39%; Continental Square Faria Lima (FLMA11), com -3,26%; Rio Bravo Fundo de Fundos (RBFF11), com -3,26%; e o VBI Reits (RVBI11), com -2,8%.

Bastos, por sua vez, lembra que a volatilidade é comum em mercados de risco – mesmo quando o assunto são os FIIs. “Investidores diferentes têm objetivos diferentes. Para quem quer construir uma carteira geradora de renda, com foco no longo prazo, o momento é ótimo para compra”, diz.

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Para ele, a queda do valor das cotas torna muitos FIIs mais atraentes. “Há muitos fundos de tijolo com desconto, principalmente no mercado de lajes corporativas, além de oportunidades para montar posição em FIIs de papel indexados ao IPCA, já que a perspectiva é de aumento do IPCA nos próximos meses”.

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