Com Bitcoin em queda, novos ETFs dos EUA movimentam US$ 14 bi em cinco dias

BlackRock foi o primeiro a ultrapassar US$ 1 bilhão em captações com ETF de Bitcoin

Lucas Gabriel Marins

Publicidade

Os primeiros ETFs (fundos de índice) à vista de Bitcoin (BTC) dos Estados Unidos, liberados na semana passada pela Comissão de Valores Mobiliários do país (SEC, na sigla em inglês), movimentaram US$ 14 bilhões nos primeiros cinco dias de negociação, de acordo com dados da Bloomberg Intelligence.

Segundo o analista de ETFs Eric Balchunas, o volume impressiona na comparação com o valor movimentado por todos os outros cerca de 500 ETFs lançados em 2023: enquanto os produtos de BTC alcançaram US$ 10 bilhões em três dias, o restante somado havia registrado apenas US$ 450 milhões em negociações no mesmo período.

Entre os ETFs de Bitcoin, o “campeão” foi o Grayscale Bitcoin Trust (GBTC), fundo da gestora de ativos digitais Grayscale convertido em ETF após decisão judicial, com 50% das negociações nos primeiros cinco dias. Grande parte do volume do produto, no entanto, foi de saídas.

Oferta Exclusiva

CDB 150% do CDI

Invista no CDB 150% do CDI da XP e ganhe um presente exclusivo do InfoMoney

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Criado em 2013, o GBTC tinha mais de US$ 28 bilhões em ativos sob gestão quando virou um fundo de índice, mas viu cerca de US$ 1,6 bilhão em retiradas desde o início das negociações.

Parte dos resgates ocorre porque alguns investidores têm migrado para produtos mais baratos, segundo a Bloomberg. O ETF da Grayscale cobra 1,5% de taxa de administração, a mais alta do setor, enquanto a tarifa da BlackRock é de 0,12% e da Fidelity é zero até julho deste ano.

Em meio à saída de capital do produto rival, o iShares Bitcoin Trust (IBIT), gerido pela BlackRock, ultrapassou US$ 1 bilhão em entradas de investidores, tornando-se o primeiro no grupo de novos ETFs (sem o GBTC) a bater esse valor.

Continua depois da publicidade

Os investidores depositaram US$ 371 milhões no fundo só na quarta-feira (17), segundo dados da Bloomberg. O FBTC, da Fidelity Investments, veio logo atrás, com US$ 358 milhões.

“Considerando que é a BlackRock, não acho que isso seja surpreendente – eles têm os recursos”, disse Todd Sohn, estrategista de ETF da Strategas, para a Bloomberg. “Mas isso mostra o quanto eles levam isso a sério como classe de ativos. Há muitas oportunidades para não ter algum poder por trás do lançamento.”

O JPMorgan disse em nota nesta semana, no entanto, que parte dos investidores do GBTC saíram “inteiramente do segmento de Bitcoin, em vez de mudar para ETFs de Bitcoin à vista mais baratos”. Em meio a essa movimentação, o BTC caiu 15% desde o lançamento dos ETFs.

Confira o volume dos ETFs de Bitcoin à vista dos EUA nos primeiros cinco dias de negociações:

ETFsVolume
GBTCUS$ 7,49 bilhões
IBITUS$ 2,76 bilhões
FBTCUS$ 2,10 bilhões
ARKBUS$ 741 milhões
BTCOUS$ 236 milhões
BITBUS$ 369,3 milhões
EZBC US$ 100 milhões
HODLUS$ 68,4 milhões
BRRRUS$ 16,7 milhões
BTCWR$ 15 milhões
TotalUS$ 14 bilhões
Fonte: Bloomberg

Hashdex de fora

Na quarta-feira (10), a SEC deu sinal verde para 11 fundos de índice com exposição direta ao Bitcoin, entre eles o da gestora brasileira Hashdex, cujo ticker é DEFI. Até agora, no entanto, o produto não foi liberado para negociação.

De acordo com a gestora, a demora ocorre porque a SEC ainda precisa revisar um documento pendente. O veículo da Hashdex passou por um processo diferente na comparação com os outros, visto que foi transformado de um ETF de futuros já existente nos EUA para um com exposição direta ao ativo digital (spot).

“Atualmente, o ETF da Hashdex já é negociado nos EUA no mercado de futuros de Bitcoin. A conversão do DEFI para o modelo spot (compra à vista) deve ocorrer em breve e representa um grande passo no propósito da Hashdex em oferecer produtos de investimento em cripto de forma segura e regulada para investidores de todo o mundo”, disse Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex.

(Com Bloomberg)

Lucas Gabriel Marins

Jornalista colaborador do InfoMoney