Claritas, uma gestora de fundos para quem só tolera riscos controlados

Fundos da Claritas podem ser boa opção para investidores descontentes com o retorno das aplicações conservadoras, mas que também não gostam da volatilidade da Bolsa

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SÃO PAULO – Após três anos de resultados fracos, muitos brasileiros desistiram da Bolsa. Os pequenos investidores respondem hoje por cerca de 16% dos negócios com ações na BM&FBovespa – ou menos da metade que no auge do período de euforia que se encerrou em 2008. Se correr o risco elevado do mercado acionário não parece uma boa pedida em um mundo tão cheio de incertezas econômicas, continuar nas aplicações mais conservadoras tampouco levará alguém a enriquecer. Descontados os impostos, as taxas e a inflação, aplicações como a caderneta de poupança e os fundos DI oferecem – e continuarão a oferecer durante 2013 – uma rentabilidade real muito próxima a zero.

É em meio a esse aparente beco sem saída que investimentos de risco moderado surgem como uma opção atrativa. Apesar de menos conhecidas do grande público, muitas alternativas de investimento podem ajudá-lo a ganhar mais do que a Selic ou o CDI – principais parâmetros de investimentos em renda fixa no Brasil – sem ter de assumir o risco do imprevisível inerente à Bolsa.

Uma das gestoras de recursos que têm crescido nesse segmento de aplicações moderadas é a Claritas. Criada em 1999 como uma das primeiras assets independentes do país, a empresa hoje administra R$ 3,9 bilhões. Na última década, a Claritas conseguiu se destacar oferecendo opções de investimentos que não estavam disponíveis nas prateleiras dos grandes bancos de varejo e que ganham apelo com o atual ambiente de juros baixos e Bolsa volátil.

Oportunidade com segurança!

Os principais fundos da empresa abertos a pequenos investidores possuem estratégias mais conservadoras e uma gestão de risco considerada “muito boa” pela agência de classificação Austin Rating. Não é à toa que a Claritas vendeu, no ano passado, 60% de seu próprio capital para a Principal, uma gestora de recursos americana especializada em produtos de previdência e com US$ 390 bilhões em ativos administrados. No Brasil, a Principal também é acionista da BrasilPrev, a empresa de previdência privada do Banco do Brasil. Como se sabe no mercado, empresas que administram o dinheiro reservado para a aposentadoria dos clientes são tradicionalmente mais cautelosas que a média.

A Claritas é responsável pela gestão de dezenas de fundos abertos ou exclusivos. O maior deles é o Claritas Long Short FIC FIM. Fundos classificados como “long and short” têm posições compradas e vendidas em diferentes ativos negociados em Bolsa. Para o gestor, não interessa se a Bolsa vai subir ou cair nos próximos meses, porque não há uma exposição direcional ao mercado. Os quotistas do fundo vão ganhar dinheiro se as posições compradas tiverem um resultado melhor do que as vendidas, e vice-versa.

Para montar a carteira, o gestor analisa as perspectivas de cerca de cem empresas à procura de ações com preços distorcidos. Quando julga que algum papel está barato demais, o gestor compra. Já se acredita que o preço está exageradamente elevado, o fundo aluga uma ação, vende no mercado e aplica o caixa em CDI, com a expectativa de que possa usar o dinheiro para recomprá-la no futuro por um preço menor. No total, o Claritas Long Short costuma ter entre 40 e 60 posições compradas ou vendidas.

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Entre as principais, está uma aposta na valorização das ações da Sabesp. Os analistas acreditam que, ao contrário de outras concessionárias de serviços públicos, a Sabesp continuará a obter reajustes de tarifa que lhe garantirão uma rentabilidade interessante nos próximos anos. Duas empresas do setor imobiliário também são vistas com otimismo: Direcional Engenharia e Eztec. “São empresas de dono, bem geridas, que não levam adiante um projeto se a rentabilidade não for interessante”, afirma Eduardo Morais, sócio da Claritas. Já a principal posição vendida é a Eletropaulo. Apesar da forte queda de 2012, a Claritas acredita que a ação continua cara em relação à expectativa de lucros futuros.

Apesar de investir em ações, o fundo tem como meta bater o CDI, e não o Ibovespa. Segundo Carlos Ambrósio, CEO da Claritas, o fundo não costuma ser uma boa opção de investimento em anos em que a Bolsa sobe muito – nesses casos, é melhor estar comprado em Ibovespa – ou cai vertiginosamente – momento em que nada costuma ser melhor que a renda fixa. “Para quem acha que o mundo não vai acabar e quer uma exposição de baixo risco ao mercado de ações, esse é um fundo bem interessante. Em um ano em que o Ibovespa apresenta altas ou quedas de até 10% ou 15%, é grande a chance de um ‘long and short’ conseguir superá-lo”, diz o CEO da gestora.

Outra opção de risco moderado oferecida pela gestora é um fundo multimercados, o Claritas Institucional FIM. Em tese, fundos multimercados têm a vantagem de poder lucrar em qualquer cenário econômico, porque o gestor é livre para investir em praticamente qualquer ativo – a não ser que ele deixe explícito no regulamento do fundo que abre mão de utilizar determinadas estratégias. O Claritas Institucional FIM pode ser considerado um multimercado de risco mais baixo porque não faz operações alavancadas, não monta posições vendidas, não faz day trade, não opera no exterior e investe no máximo 10% do patrimônio em ações. “É um fundo com baixa volatilidade, que tem como objetivo alcançar um retorno dois ou três pontos percentuais acima do CDI anual”, diz Damon Carvalho, responsável pelo fundo.

Sobre a gestora

Administra R$ 3,9 bilhões

Tem uma equipe de 62 profissionais

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Principais fundos

        Aplicação inicial mínima: R$ 10 mil

        Taxa de administração: 2% a.a.

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        Taxa de desempenho: 20% do que exceder o CDI

         Rentabilidade em 2013 (até o final de fevereiro): 2,26%

        Rentabilidade desde o início do fundo, em setembro de 2002: 457,9% (ou 160% do CDI).

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        Classificação Anbima: Long and Short Direcional

         Aplicação inicial mínima: R$ 10 mil

         Taxa de administração: 1% a.a.

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         Taxa de performance: 20% do que exceder o CDI

          Rentabilidade em 2012 (até o final de fevereiro): 0,32%

          Rentabilidade desde o início do fundo, em julho de 2009: 53,52% (ou 133% do CDI).

          Classificação Anbima: Multimercados Multiestratégia