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O cenário global de investimentos passa por mudanças estruturais, e os investidores brasileiros precisam se preparar para navegar em um ambiente cada vez mais complexo. Para Artur Wichmann, Chief Investment Officer (CIO) da XP Investimentos, a China tem se mostrado uma potência madura e estratégica no tabuleiro internacional.
“Passei alguns dias na China e encontrei uma potência muito mais madura e lúcida, que joga o xadrez global com soft power e dominância econômica, enquanto observa as disputas entre Estados Unidos e União Europeia”, afirmou, durante participação no programa Outliers InfoMoney, conduzido por Clara Sodré e Fabiano Cintra.
Segundo o executivo, a postura chinesa impacta diretamente os mercados financeiros e não pode ser ignorada. “Eles reconhecem a Europa como potência cultural, mas não mais econômica. É um mundo no qual cada país defende seu interesse nacional, e isso cria oportunidades e riscos específicos para quem investe”, disse.
Ele ressaltou ainda a importância de identificar tendências seculares, como o avanço da inteligência artificial na China, que promete ganhos expressivos de produtividade. Wichmann comentou também a postura da Rússia e a intensificação da rivalidade entre EUA e China.
“O século XXI será marcado por essa rivalidade, e cabe ao investidor observar as peças se movendo no tabuleiro internacional”, completou. Para ele, a necessidade de os países buscarem novas âncoras de estabilidade redefine alianças globais e estratégias econômicas, como exemplificado pelo primeiro-ministro canadense e outros líderes europeus.
Wichmann destacou que movimentos recentes, como acordos bilaterais fora do dólar e encontros estratégicos entre líderes asiáticos, sinalizam um rearranjo global de comércio e poder econômico.
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Reorganização Global e Impacto no Investidor
Segundo o CIO da XP, a eventual retirada dos Estados Unidos do papel de liderança mundial cria um novo mapa de alianças e oportunidades. “Se os Estados Unidos se retiram desse papel de liderança e dizem, olha, agora cada um por si, o mundo vai buscar uma nova configuração”, afirmou Wichmann.
Ele reforçou que essas mudanças terão efeitos econômicos significativos, incluindo o papel do dólar como moeda de reserva global.
Um exemplo recente é o acordo entre Canadá e China, negociado em yuans, que ilustra a busca por alternativas frente à postura norte-americana.
“Definitivamente, é uma sinalização de um novo rearranjo”, afirmou Wichmann, lembrando também a rápida ação chinesa após a captura de Nicolás Maduro, mostrando pragmatismo geopolítico e capacidade de influência econômica.
Para o CIO, 2025 será um ano decisivo para observar como as mudanças geopolíticas impactam fluxos de capital e investimentos globais.
“Do ponto de vista de alocação, como é que vocês enxergam toda essa realocação e mudança estrutural do mundo, e principalmente, qual a orientação para o investidor brasileiro que fica muito ancorado ao CDI?”, questionou.
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Wichmann frisou que a realocação de portfólios é um movimento estrutural, especialmente para investidores brasileiros, que historicamente concentram seus recursos localmente.
“O portfólio de um brasileiro tem que ter mais ativos internacionais. O mercado de capitais global é muito rico em oportunidades. Não ter nada lá fora significa ignorar 99% do mercado global”