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A ideia de investimento sem risco no Brasil deve ser revisitada? Para Arthur Wichmann, CIO da XP, e Ruy Ribeiro, sócio fundador da Atlantiqis Consulting, sim, em especial no que é um ativo realmente livre de risco.
Os especialistas partilharam conclusões de um artigo que elaboraram revisando o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) como “a resposta para todos os problemas de risco”, no painel “Repensando o CDI como ativo livre de risco”, apresentado no 2º dia da Expert 2026. O artigo tem coautoria de Eduardo Marinho, professor do Insper e também parte da Atlantiqis Consulting.
Como explica Wichmann, o CDI oferece uma proteção de rentabilidade específica por 45 dias (considerando o tempo máximo que o Comitê de Política Monetária poderá manter a taxa de juros básica em um determinado patamar). Assim, ao buscar títulos que são atrelados à inflação, a ideia é que o poder de compra possa ser mantido através do reajustes pelo mesmo índice que está desvalorizando o dinheiro.
“A tendência das pessoas é pensar em uma visão de curto prazo, que é o ativo que te protege até amanhã. Mas nenhum investidor tem esse horizonte de investimento”, afirma Ribeiro. Em sua visão, o investidor na realidade deve proteger os seus objetivos de longo prazo, como aposentadoria, pagamento de casa própria e de faculdades dos filhos. “O ativo livre de risco é o que te protege contra não atingir esses objetivos”, diz. Esse não seria o caso do CDI.
A tendência de muitos economistas, em sua visão, é não focar na importância da proteção do poder de compra, considerando a desvalorização monetária. “A pessoa não está pensando em ter dinheiro no futuro, está pensando em proteger o poder de compra no futuro”, afirma Ribeiro. O economista entende que, hoje, o Brasil oferece instrumentos para garantir que esses objetivos sejam mais que protegidos, mas também atingidos através de investimentos.
“Temos uma indústria inteira baseada no CDI”, diz Wichmann. No entanto, o CDI deixou de ser seguro como era esperado quando, na pandemia, os juros foram cortados de forma rápida. Ribeiro cita que esse foi um dos “calotes” que o CDI deu, quando a expectativa de rentabilidade foi drasticamente reduzida com a queda dos juros. “Isso pode acontecer com uma frequência alta, como acontece em vários países, mas no Brasil isso pode acontecer ainda mais: você ter inflação alta e juros baixos”, afirma Ribeiro.
Maior risco
Os economistas afirmam que há maior risco em ter uma suposta estabilidade oferecida pelo CDI em detrimento de oscilação durante alguns anos, mas com certeza de rentabilidade depois de um determinado período de tempo, como oferecido nos títulos de renda fixa.
“Se você carrega uma NTN-B mesmo longa, durante 2 anos, a volatilidade do poder de compra desse título é muito menor que a volatilidade do poder de compra do CDI”, afirma Ribeiro, sobre o risco presente durante o período anterior ao vencimento de NTNB.
A inflação, para os economistas, é o maior risco que o retorno do portfólio pode enfrentar. “Essa é nossa tarefa, é proteger o poder de compra dos nossos clientes”, diz Wichmann.
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Mesmo com ressalvas para o uso no longo prazo, os economistas ressaltam que o CDI não deve ser demonizado, a depender do planejamento financeiro de cada um. O índice será adequado para investidores que têm objetivos que envolvem curto prazo ou que não tem necessidade de fluxo de caixa nenhum, quando o CDI poderá até ser apropriado.
No entanto, se o investidor tem foco no longo prazo e tem pagamentos a realizar no futuro, é importante que o ativo escolhido seja de fato protegido da inflação, o que o CDI não oferece. “O CDI deveria ser a medida que o Banco Central usa para puxar a inflação para a meta, não que vai medir a inflação”, diz Wichmann.
Só NTN-B protege?
Mesmo citado como exemplo pelo economistas, a NTN-B não é o único ativo que protege o investidor da inflação. Alguns ativos citados são, por exemplo, fundos imobiliários ou até mesmo ações de companhias que acompanham a economia real. “Esses ativos podem trazer outros riscos, mas alguns bons”, diz Ribeiro.
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Os ativos reais são citados como “a solução”, desde que os investidores entendam que podem trazer riscos diferentes para o portfólio.

