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A forte valorização do ouro nos últimos meses, apesar da correção recente, ajudou a impulsionar o interesse dos brasileiros por versões digitais do metal negociadas no mercado de criptoativos. Levantamento do Mercado Bitcoin mostra que o volume transacionado em “ouro digital”, como o token Pax Gold (PAXG), cresceu aproximadamente 300% em 2025.
O tamanho desse mercado ainda é pequeno, atingindo volume de cerca de R$ 50 milhões no ano passado, uma pequena fração dos quase R$ 9,7 bilhões movimentados pelos dois principais ETFs de ouro da Bolsa, o GOLD11 e o BIAU39. O crescimento, no entanto, indica uma tendência, aponta a plataforma.
Segundo o MB, o valor médio investido também quase dobrou, com alta de 94%, e a quantidade de investidores que compram esse tipo de ativo cresceu em 20%.
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O movimento acompanhou o desempenho do ouro no mercado internacional, que ganhou espaço nas carteiras globais como ativo de proteção em meio a incertezas geopolíticas, fiscais e monetárias. No mundo, a Pax Gold movimentou US$ 3,1 bilhões em 2025, aproximadamente R$ 16 bilhões.
Após forte correção no fim de janeiro, o ouro voltou a ganhar tração. Na terça-feira (3), o metal fechou em alta de cerca de 6%, refletindo a busca por ativos defensivos em um cenário global incerto. Nesta quarta-feira (4), voltou a subir, com alta de 2,84%, sendo negociado ao redor de US$ 5.075 por onça.
Segundo analistas de JPMorgan e UBS, a queda da última semana não afeta a tese de diversificação de ativos americanos que vem beneficiando o metal, que deve seguir em alta sustentada por compras de bancos centrais e persistência de riscos geopolíticos.
No caso do ouro digital, uma dinâmica da própria indústria de criptoativos ajuda a impulsionar o crescimento. Empresas também têm contribuído para esse movimento, como a Tether, que adquire grandes volumes de ouro para lastrear o token XAUT.
O que é o ‘ouro digital’?
O Bitcoin (BTC) é normalmente tratado como uma espécie de ouro digital, mas nesse caso é diferente: são criptomoedas que acompanham de fato o preço do ouro.
“Quando se diz que o Bitcoin é o ‘ouro digital’, trata-se de uma comparação conceitual, baseada em características como escassez. Já no caso do PAX Gold, XAUT e outros tokens de ouro, estamos falando de ativos diretamente lastreados em ouro físico. Esses tokens são apenas uma representação digital do metal”, explica Rony Szuster, head de research do MB.
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O Pax Gold é um token lastreado em ouro físico, no qual cada unidade representa uma quantidade específica do metal mantida em custódia em cofres da LBMA, associação britânica supervisionada pelo Banco da Inglaterra.
Segundo Szuster, a principal diferença é a possibilidade de transferi-lo para carteiras digitais, permitindo ao investidor manter a própria custódia do token. “No PAX Gold, o investidor pode transferir o token para uma hard wallet e manter a própria custódia, algo que não existe nos ETFs, nos quais se compra uma cota de fundo sem controle direto sobre o ativo ou sua guarda”, afirma.
Ele ressalta que, apesar de o token representar ouro físico, trata-se de um modelo com emissor centralizado, no qual a confiança recai sobre a instituição responsável pela custódia do metal e pela emissão dos tokens.
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“Por meio da stablecoin, é possível investir em ouro de forma simples, comprando frações do metal a partir de valores acessíveis, sem precisar se preocupar com outras despesas, já que o ouro físico está guardado e atrelado ao ativo”, destaca Giresse Contini, diretor de marketing, growth e canais digitais do MB.
Segundo o executivo, o volume sob custódia de ouro digital na operação do MB cresceu 122% de 2024 para 2025.