Bridgewater, de Ray Dalio, zera ações da China nos EUA e compra big techs e até Vale

Fundada há cerca de 50 anos por Dalio, que se retirou do capital remanescente da gestora no mês passado, a Bridgewater mantém presença relevante na China por meio de um fundo onshore lançado em 2018

Paulo Barros

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, fala  em Nova York - 22/05/2025 (Foto: REUTERS/Andrew Kelly)
Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, fala em Nova York - 22/05/2025 (Foto: REUTERS/Andrew Kelly)

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A Bridgewater Associates, maior gestora de hedge funds do mundo, promoveu mudanças drásticas em sua carteira no segundo trimestre de 2025. Segundo dados do formulário 13F, a casa fundada por Ray Dalio vendeu todas as suas ações de empresas chinesas listadas nos Estados Unidos, e reforçou posições em big techs e em mineração, com destaque para uma posição pequena em Vale (VALE3), mas que cresceu mais de 300% no período.

O recuo nas ações chinesas envolveu cerca de 16 companhias e dois ETFs com foco na China, somando quase US$ 1,5 bilhão. Entre as maiores vendas estiveram 5,7 milhões de ações da Alibaba, 2,8 milhões da JD.com e 2 milhões da Baidu.

A decisão ocorre em meio à escalada da guerra comercial entre EUA e China, com tarifas de importação superando 100% em abril e aumentando a preocupação com um possível forçado delisting de companhias chinesas nas bolsas americanas. A Bridgewater mantém presença relevante na China por meio de um fundo onshore lançado em 2018, com cerca de 50 bilhões de yuans (US$ 6,96 bilhões) sob gestão.

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Já a participação na Vale saltou de 924,3 mil para 3,78 milhões de ADRs, avanço de 309%. O valor de mercado da posição subiu de US$ 9,22 milhões para US$ 36,72 milhões, o equivalente a cerca de R$ 198,3 milhões.

Boa parte da reestruturação incluiu aumentos expressivos em big techs americanas. A participação na Nvidia (NVDA) mais que dobrou, de 2,84 milhões para 7,23 milhões, alta de 154%, com valor de US$ 1,14 bilhão (R$ 6,16 bilhões). A Alphabet (GOOGL) também teve aumento relevante, de 84%, para 5,6 milhões de ações, avaliadas em US$ 986,96 milhões (R$ 5,33 bilhões).

Outros movimentos de destaque da casa fundada há cerca de 50 anos por Dalio, que se retirou do capital remanescente da gestora no mês passado, foram o montante investido na Uber (UBER), que cresceu 531%, para 3,73 milhões de ações, avaliadas em US$ 348,36 milhões (R$ 1,88 bilhão), a ampliação de 71% na Comcast (CMCSA), para US$ 310,79 milhões (R$ 1,68 bilhão), e de 59% na Grab Holdings (GRAB), para US$ 53,22 milhões (R$ 287,4 milhões).

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)