Bridgewater, de Ray Dalio, “despeja” big techs e reduz 65% de Nvidia

Em paralelo, apesar de pequenas, as posições em Vale e, principalmente, em Mercado Livre subiram consideravelmente

Paulo Barros

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, fala  em Nova York - 22/05/2025 (Foto: REUTERS/Andrew Kelly)
Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, fala em Nova York - 22/05/2025 (Foto: REUTERS/Andrew Kelly)

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A Bridgewater Associates, uma das maiores gestoras do mundo e fundada em 1975 por Ray Dalio, promoveu uma virada relevante em sua carteira no terceiro trimestre. Informações prestadas aos reguladores na última sexta-feira (14) mostram que a casa diminuiu de forma agressiva posições em grandes nomes da tecnologia, após forte alta nos nove primeiros meses do ano.

O corte mais drástico apareceu em Nvidia. A posição caiu 65%, de 7,2 milhões para 2,5 milhões de ações, derrubando o valor investido de US$ 1,14 bilhão para US$ 468 milhões. Em Alphabet, o ajuste também foi profundo, com redução de 53% no número de ações e queda de US$ 342 milhões em valor de posição – na contramão da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett. Amazon teve redução mais moderada, de 9,6%, enquanto Meta sofreu corte de quase metade.

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A gestora também reduziu participação em Broadcom, movimento que se soma à diminuição da exposição em Microsoft, cuja posição encolheu 36% em ações e 33% em valor de mercado.

Os ajustes reforçam o que os co-CIOs Karen Karniol-Tambour, Greg Jensen e Bob Prince alertaram recentemente aos clientes: riscos crescentes à estabilidade do mercado após um período de forte recuperação dos ativos globais. Em linha com essa leitura, o portfólio passa a refletir menos dependência dos nomes mais sensíveis ao ciclo de expectativas de crescimento e custo de capital.

Além das mudanças em ações específicas, a Bridgewater ampliou significativamente sua posição no ETF Core S&P 500 (IVV), que acompanha o S&P 500, com a fatia saltando 75% em número de cotas e 89% em valor. No SPY, também de S&P 500, houve que de 2% nas cotas.

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Na América Latina, destaques para Vale e MELI

Entre as posições menores, a Vale (VALE3) chamou atenção pela alta de 94% no número de papéis e 117% em valor. Apesar desse salto, a fatia segue modesta dentro do portfólio global da gestora, de US$ 80 milhões, ainda distante de qualquer protagonismo.

Já a fatia em Mercado Livre (MELI) é ainda menor de cerca de US$ 62 milhões, mas cresceu de maneira significativa: de menos de 2 mil ações no segundo trimestre para 26,5 mil no terceiro, crescimento de 1.238%.

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Principais posições da Bridgewater Associates no 3º trimestre de 2025:

Principais posições na América Latina:

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)