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Brasileiro não tem dinheiro para imprevistos e segue sem planejar futuro financeiro

Levantamento feito pela CNDL/SPC Brasil com apoio da CVM mostra ainda que 61% dos entrevistados não conseguem guardar dinheiro no fim do mês

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SÃO PAULO – Em um cenário de recuperação da economia a passos lentos, com boa surpresa no crescimento do país no segundo trimestre, mas com dados da indústria que seguem decepcionando, o brasileiro pisa em falso no que diz respeito às suas finanças pessoais. Isso porque, além de não poupar hoje, segue sem pensar no futuro.

Levantamento feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), com apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mostra que 60,5% dos entrevistados não chegam nunca ou apenas raramente ao fim do mês com sobra de dinheiro.

E se no dia a dia o brasileiro já não consegue contar com um planejamento financeiro, em situações de emergência, o problema é ainda maior, com apenas 9% das pessoas com capacidade para arcar com despesas que extrapolem o orçamento de forma inesperada.

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A má administração do dinheiro repercute naturalmente no lado emocional, já que 61% dos entrevistados disseram não aproveitar a vida como gostariam e 31% avaliam que não conseguem viver plenamente devido à sua situação financeira.

Mesmo com o aperto constante e com a preocupação de que o salário não dure por muito tempo, olhar para o longo prazo e planejar ainda é o maior desafio do brasileiro. De acordo com o levantamento, apesar de 44% dos entrevistados afirmarem que, por conta da situação financeira, não terão o que querem na vida, 57% não têm projetos que assegurem o futuro financeiro.

Índice do Bem-Estar

No último mês, o Indicador de Bem-Estar Financeiro registrou uma média de 48,9 pontos, uma pequena alta ante os 48 pontos apresentados em julho. O indicador varia de zero a 100, e, quanto mais próximo do valor máximo, maior o nível médio de bem-estar financeiro da população.

Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, o avanço do indicador  foi “discreto”, em linha com a recuperação lenta da economia e com o nível de desemprego, que continua elevado. “Mas não é só a conjuntura que influi. Há outros fatores ligados a aspectos comportamentais que pesam no bem-estar financeiro e levam algum tempo para mudar”, afirma.

Quando quebramos o levantamento por faixa etária, os números mostram que a população com idade acima de 50 anos é a que possui o melhor indicador de bem-estar financeiro: 50,1 pontos. Entre os mais novos, o número cai para 48,8, na faixa etária dos 35 aos 49 anos, e para 48,2 pontos, para pessoas de 18 a 34 anos.

De acordo com a CNDL/SPC Brasil, as diferenças observadas entre as faixas etárias ocorrem pelo fato de que, na terceira idade, reduz-se o peso da preocupação com o futuro e os compromissos financeiros típicos da meia-idade, como a compra da casa própria ou de um carro e a criação de filhos.

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Metodologia

A pesquisa abrangeu 12 capitais das cinco regiões brasileiras e aplicou entrevistas periódicas a uma amostra de 800 pessoas. O questionário é composto por dez questões, todas elas refletindo algum aspecto do bem-estar. De acordo com as respostas, os entrevistados recebem uma nota, que pode variar entre zero e 100.

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