Entrevistas InfoMoney

Brasil é mercado “queridinho” da Western Asset no bloco dos emergentes

Posição no país supera alocação da gestora americana, que tem US$ 450 bilhões em ativos, na China

Jim Hisrchmann, CEO da Western Asset (Divulgação)
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SÃO PAULO – Com retornos cada vez mais magros nas aplicações de renda fixa ao redor do mundo, investidores têm topado correr mais riscos para garantir maiores rendimentos. E, segundo a Western Asset, gestora americana com US$ 450 bilhões em ativos sob gestão, nos emergentes, as oportunidades de ganhos podem estar em países como Brasil e México.

Em entrevista ao InfoMoney, Jim Hirschmann, CEO global da Western Asset, disse que os dois mercados ocupam posição relevante dentre os emergentes em seus portfólios, e que o Brasil chega, inclusive, a superar a alocação da casa na China. A Western, contudo, não divulgou o tamanho das exposições.

A AllianceBernstein, por exemplo, destacou ao InfoMoney em novembro seu otimismo com Brasil, mas disse optar por destinar apenas cerca de 5% do portfólio ao país, por conta de incertezas e por considerar o mercado já caro. A preferência é pela potência asiática, que representa 26% da alocação.

No MSCI Emerging Markets Index, índice que acompanha o desempenho de portfólios de mercados emergentes, a China tinha em março peso de 33% e o Brasil aparecia apenas na quinta posição, com cerca de 7%. O México era responsável por fatia de 2,6% na carteira.

“Vemos um crescimento modesto ao redor do globo, sem inflação no horizonte, então gostamos de produtos como papéis de crédito corporativo de emergentes, porque acreditamos que oferecem uma relação entre risco e retorno melhor do que em outras partes do mundo”, afirma Hirschmann.

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Com um tom otimista, o executivo americano afirma que a ausência do fluxo de estrangeiros no Brasil é uma incógnita. “Eu não sei o que afasta o investidor estrangeiro do Brasil, porque acho que o país oferece oportunidades muito atrativas.” No ano até novembro, os investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 39 bilhões da Bolsa, segundo a B3.

Na avaliação de Paulo Clini, diretor de investimentos da Western Asset no Brasil, apesar dos juros na mínima histórica, os ativos brasileiros ainda são interessantes quando analisado o contexto global. A gestora aposta em posições em títulos prefixados e NTN-Bs (Tesouro IPCA+) com vencimentos mais longos.

“Olhando para os bonds [títulos de renda fixa], estamos menos focados em crescimento e mais ligados na inflação. Se ela se mantiver baixa, ou ficar ainda menor, será positivo para os investidores”, diz. Uma inflação controlada evita grandes voltas nas políticas monetárias, completa.

Para 2020, a expectativa da Western é de um crescimento global moderado, mas uma recessão está descartada. O ano ainda deve ser marcado ainda por inflação e juros baixos, que devem beneficiar ativos de crédito privado do tipo “investment grade” e “high yield” de emergentes, destacam os executivos.

Além da renda fixa, ativos de renda variável estão no radar da gestora no Brasil, que diz ver uma valorização ainda não precificada das companhias.

“Acreditamos que a Bolsa está bastante atrativa e vemos a economia se recuperando no próximo ano, [com um PIB] um pouco acima de 2%, e isso nos deixa confortáveis. Se o crescimento voltar, haverá uma retomada dos lucros [das empresas] – e não vemos isso no consenso ainda”, destaca Clini, que cita a preferência por ativos ligados à economia doméstica.

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