Brasil atinge 2 milhões de investidores em cripto; 87% do volume é em “moeda da 25 de Março”

Criptomoeda USDT, que funciona como um "dólar digital", é usado para evasão de divisas por lojistas da região da 25 de Março, em São Paulo

Paulo Barros

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Segundo novos dados divulgados pela Receita Federal, o Brasil passou a ter quase 2 milhões de investidores de criptoativos, o maior número desde que o órgão passou a receber declarações de ativos digitais de indivíduos e de corretoras com sede no País.

No relatório referente ao mês de abril, a Receita registrou 1.996.165 CPFs envolvidos em movimentações de criptos, 19,2% a mais do que em março. A quantidade de CNPJs também aumentou: pela primeira vez, passou dos 65 mil.

O crescimento ocorreu em meio a uma ampla recuperação do Bitcoin nos primeiros meses do ano. Em abril, a moeda digital subiu com força e chegou a atingir brevemente os US$ 30 mil, alta de quase 100% frente ao pior momento de 2022, em novembro.

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Nas semanas seguintes, porém, a alta esfriou. O Bitcoin fechou maio a cerca de US$ 27 mil e, nesta segunda-feira (12), é negociado a menos de US$ 26 mil. Os ganhos no ano, porém, se mantêm acima dos 50%.

Mas o Bitcoin, há tempos, não é a criptomoeda preferida do investidor brasileiro. A stablecoin Tether (USDT), que é indexada ao dólar, desde o ano passado responde pelo maior volume de movimentações de ativos digitais no País.

Seu market share cresce ano a ano: de 0% em 2019, passou para mais de 25% em 2020 e ultrapassou os 32% em 2021; em 2022, alcançou quase 69%. E segue aumentando em 2023: de 82% em março, passou a dominar 86,72% do mercado em abril, segundo dados da Receita.

Em reportagem publicada na semana passada, o InfoMoney explicou que parte desse tamanho é explicado pelo uso da criptomoeda para movimentações fraudulentas, mais especificamente para envio não declarado de dólares para o exterior (cripto-cabo).

O ativo digital vem sendo cada vez mais usado como moeda para pagar por contrabando em lojas da região da 25 de Março, em São Paulo. A prática é realizada principalmente por meio de OTCs (mercado de balcão), o que pode ajudar a inflar número de CNPJs que negociam cripto aos olhos da Receita.

O problema, reconhecido pela Receita Federal, não é culpa da tecnologia, e sim de quem comete o ato ilícito, afirmou o diretor de tecnologia da Tether, empresa por trás do criptoativo.

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Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos