Janela de oportunidade

Brasil anuncia emissão externa de títulos em dólar

Emergentes correram para vender dívida em moeda estrangeira em meio ao otimismo com avanço de vacinas contra coronavírus e expectativa de estímulos nos EUA

(Bloomberg) — O Brasil está vendendo títulos em dólares pela segunda vez neste ano, na esteira de outros governos de mercados emergentes — do Peru à Turquia — que aproveitaram a recente queda nos custos de captação.

O país está reabrindo a emissão de títulos existentes com vencimento em 2025, 2030 e 2050 que pagam cupom de 2,875%, 3,875% e 4,750%, respectivamente, de acordo com comunicado divulgado na quarta-feira.

Países em desenvolvimento correram para vender dívida em moeda estrangeira nas últimas semanas, em meio ao otimismo sobre o avanço de vacinas contra o coronavírus e expectativas de estímulo econômico nos EUA, que aumentaram o apetite de investidores por risco e reduziram os rendimentos dos títulos de dívida.

O spread médio dos títulos de mercados emergentes em relação aos do Tesouro dos EUA caiu 50-pontos base, para 370 em novembro, de acordo com o índice JPMorgan EMBIG Diversified. Contratos de swap de crédito de cinco anos do Brasil, uma medida do prêmio de risco, caíram mais de 60 pontos-base no mês passado, para 157 pontos-base, o menor nível desde março.

Não se trata apenas de que os juros estão mais baixos: os países também precisam de recursos para financiar medidas de combate à pandemia. O governo está gastando uma quantia recorde em 2020 – cerca de US$ 107 bilhões – em estímulos, que incluem o pagamento de ajuda emergencial a trabalhadores informais. Esses gastos devem elevar a dívida pública para 95% do PIB neste ano, de acordo com a Fitch Ratings. A agência recentemente confirmou a nota BB- para o Brasil com perspectiva negativa.

No final de novembro, o Tesouro disse que poderia vender títulos em dólares antes do final do ano, caso houvesse oportunidade. A última vez que o Brasil acessou o mercado internacional de dívida foi em junho, quando a economia emergia do pior período desde o início da pandemia.

O país vendeu US$ 3,5 bilhões em títulos com vencimento em 2025 e 2030 e spreads de 263 e 324 pontos-base, respectivamente. Os títulos mostram valorização desde então.

Os títulos com vencimento em 2025 e 2030 foram originalmente vendidos em junho, e os títulos de 2050 foram emitidos em novembro de 2019.

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