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Investir em dívidas de empresas é uma das maneiras de aumentar a rentabilidade do portfólio de renda fixa, já que o risco também é maior. As empresas brasileiras fora do setor financeiro podem emitir dívida via debêntures, CRIs, CRAs e – por que não – bonds, os títulos de renda fixa dos Estados Unidos.
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Há alguns motivos que levam uma empresa brasileira a emitir títulos de dívida nos EUA. Elas conseguem um prazo de vencimento maior do que no mercado doméstico (há bonds que nem data de vencimento têm), e o tempo para emissão é significativamente menor.
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Devidos aos juros básicos mais baixos dos EUA, a remuneração nominal dos bonds de empresas brasileiras é bem menor do que debêntures emitidas pelas mesmas companhias. Lá fora, as taxas são, na grande maioria, prefixadas, com as brasileiras pagando em torno de 7% ao ano, abaixo, inclusive, do que os títulos públicos brasileiros oferecem. Mas, considerando o pagamento em dólar, a diferença não é tão grande e, em alguns casos, a remuneração lá fora é maior.
O BTG Pactual calculou quanto um bond prefixado pagaria se a remuneração fosse convertida para CDI+, a mais comum entre as debêntures. A partir daí, o banco comparou papéis emitidos pela mesma empresa aqui e no exterior. O resultado mostra que, mesmo com o dólar forte, a remuneração nos Estados Unidos é menor.
| Emissor | Bonds: taxa anual | Bonds: duration (anos) | Debêntures: taxa CDI+ (conversão) | Debêntures: duration (anos) | Remuneração CDI+ |
| Ambipar | 10,50% | 4,8 | 5,54% | 3 | 2,61% |
| Aegea | 7,50% | 4,2 | 1,95% | 3,1 | 2,72% |
| Braskem | 7,50% | 3,2 | 1,68% | 3,6 | 3,50% |
| Braskem | 7,90% | 4,8 | 2,64% | 3,9 | 3,56% |
| Braskem | 8,10% | 5 | 2,74% | 4,5 | 2,67% |
| BRF | 6,40% | 2,1 | 0,08% | 1,2 | 0,87% |
| Eletrobras | 6,80% | 0,6 | -0,38% | 1,6 | 0,51% |
| Eletrobras | 6,80% | 4,8 | 1,33% | 3 | 0,79% |
| 3R | 8,70% | 4,9 | 3,38% | 2,8 | 2,61% |
| CSN | 8,30% | 3,1 | 2,49% | 3,1 | 3,59% |
| Cosan | 7,00% | 2,3 | 0,75% | 2,9 | 1,05% |
| Cosan | 6,80% | 4,5 | 1,26% | 4,1 | 1,32% |
| Marfrig | 6,90% | 1,8 | 0,47% | 2,4 | 0,99% |
| Minerva | 7,80% | 5,7 | 2,72% | 2 | 1,88% |
| Movida | 9,40% | 4 | 4,00% | 3,1 | 3,32% |
| PetroRio | 7,30% | 1,8 | 0,92% | 2,5 | 1,22% |
| Rede D’Or | 6,60% | 3,2 | 0,67% | 3,2 | 1,11% |
| Rede D’Or | 6,60% | 4,8 | 1,08% | 5,1 | 1,64% |
| Rumo | 6,40% | 3,2 | 0,58% | 2,7 | 1,41% |
| Simpar | 8,80% | 5,4 | 3,82% | 3,9 | 4,00% |
| Suzano | 6,00% | 3,9 | 0,27% | 3,3 | 0,72% |
| Usiminas | 7,30% | 1,9 | 0,91% | 2,5 | 1,74% |
Em relatório, os analistas do BTG Pactual dizem que os spreads “indicam maior atratividade para investidores comprarem debêntures locais”, enquanto, para as empresas é mais interessante emitir lá fora, desconsiderando os custos do hedge (proteção) cambial.
Quem busca rentabilidade maior, porém, pode encontrar papéis que, na conversão, pagam mais lá fora. O banco destaca Ambipar, Minerva, 3R e Movida. Eletrobras, Braskem e Marfrig também têm papéis com remuneração maior nos Estados Unidos.
Mas a decisão por investir em bonds de empresas brasileiras não passa apenas pela diferença de remuneração. Esses papéis ainda podem fazer sentido para aumentar a diversificação na carteira dos investidores. É importante considerar, ainda, que os cálculos do BTG consideram o dólar no início do mês.
A XP tem visão positiva para a renda fixa no exterior: “ainda que apostas no início da flexibilização monetária nas principais economias tenham começado a ganhar força, há incertezas sobre a sua velocidade e a magnitude de queda de juros adiante”, destaca a casa em relatório.
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A lista de bonds recomendados pela XP para investir em julho tem papéis de cinco empresas: Prio, Marfrig, Klabin, Aegea e Rede D’Or. Confira os títulos:
| Emissor | Vencimento | Duration (anos) | Ticker | Rentabilidade anual |
| Prio | jun./26 | 1,8 | PRIOBZ 6 1/8 06/09/26 | 6,20% |
| Marfrig | ago./29 | 2,7 | MRFGBZ 6 5/8 08/06/29 | 6,20% |
| Klabin | abr./29 | 3,9 | KLAB 5 3/4 04/03/29 | 5,30% |
| Aegea | mai./29 | 4,1 | AEGEBZ 6 3/4 05/20/29 | 6,90% |
| Rede D’Or | jan./30 | 4,7 | RDEDOR 4 1/2 01/22/30 | 6,10% |
O investimento em bonds de empresas brasileiras traz ao investidor proteção contra a desvalorização do real. “É prudente ter investimento fora do país local, o passado nos mostra isso, principalmente em países emergentes”, diz Kaique Fonseca, economista e sócio da A7 Capital.
A liquidez também é um diferencial: o mercado norte-americano de renda fixa tem mais investidores e, por isso, vender um título pode ser mais fácil. Isso diminui o risco de precisar transformar os títulos em dinheiro rapidamente e não conseguir. Outro fator importante é a duração dos papéis, que pode ser uma vantagem para o momento atual, enquanto os juros não caem.