Bonds de empresas brasileiras ou debêntures: qual paga mais? 

Entenda a diferença de remuneração entre os ativos e saiba por que investir lá fora ainda é recomendado

Leonardo Guimarães

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Investir em dívidas de empresas é uma das maneiras de aumentar a rentabilidade do portfólio de renda fixa, já que o risco também é maior. As empresas brasileiras fora do setor financeiro podem emitir dívida via debêntures, CRIs, CRAs e – por que não – bonds, os títulos de renda fixa dos Estados Unidos.

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Há alguns motivos que levam uma empresa brasileira a emitir títulos de dívida nos EUA. Elas conseguem um prazo de vencimento maior do que no mercado doméstico (há bonds que nem data de vencimento têm), e o tempo para emissão é significativamente menor.

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Devidos aos juros básicos mais baixos dos EUA, a remuneração nominal dos bonds de empresas brasileiras é bem menor do que debêntures emitidas pelas mesmas companhias. Lá fora, as taxas são, na grande maioria, prefixadas, com as brasileiras pagando em torno de 7% ao ano, abaixo, inclusive, do que os títulos públicos brasileiros oferecem. Mas, considerando o pagamento em dólar, a diferença não é tão grande e, em alguns casos, a remuneração lá fora é maior. 

O BTG Pactual calculou quanto um bond prefixado pagaria se a remuneração fosse convertida para CDI+, a mais comum entre as debêntures. A partir daí, o banco comparou papéis emitidos pela mesma empresa aqui e no exterior. O resultado mostra que, mesmo com o dólar forte, a remuneração nos Estados Unidos é menor. 

EmissorBonds: taxa anualBonds: duration (anos)Debêntures: taxa CDI+ (conversão)Debêntures: duration (anos)Remuneração CDI+
Ambipar10,50%4,85,54%32,61%
Aegea7,50%4,21,95%3,12,72%
Braskem7,50%3,21,68%3,63,50%
Braskem7,90%4,82,64%3,93,56%
Braskem8,10%52,74%4,52,67%
BRF6,40%2,10,08%1,20,87%
Eletrobras6,80%0,6-0,38%1,60,51%
Eletrobras6,80%4,81,33%30,79%
3R8,70%4,93,38%2,82,61%
CSN8,30%3,12,49%3,13,59%
Cosan7,00%2,30,75%2,91,05%
Cosan6,80%4,51,26%4,11,32%
Marfrig6,90%1,80,47%2,40,99%
Minerva7,80%5,72,72%21,88%
Movida9,40%44,00%3,13,32%
PetroRio7,30%1,80,92%2,51,22%
Rede D’Or6,60%3,20,67%3,21,11%
Rede D’Or6,60%4,81,08%5,11,64%
Rumo6,40%3,20,58%2,71,41%
Simpar8,80%5,43,82%3,94,00%
Suzano6,00%3,90,27%3,30,72%
Usiminas7,30%1,90,91%2,51,74%
Fonte: BTG Pactual

Em relatório, os analistas do BTG Pactual dizem que os spreads “indicam maior atratividade para investidores comprarem debêntures locais”, enquanto, para as empresas é mais interessante emitir lá fora, desconsiderando os custos do hedge (proteção) cambial. 

Quem busca rentabilidade maior, porém, pode encontrar papéis que, na conversão, pagam mais lá fora. O banco destaca Ambipar, Minerva, 3R e Movida. Eletrobras, Braskem e Marfrig também têm papéis com remuneração maior nos Estados Unidos. 

Mas a decisão por investir em bonds de empresas brasileiras não passa apenas pela diferença de remuneração. Esses papéis ainda podem fazer sentido para aumentar a diversificação na carteira dos investidores. É importante considerar, ainda, que os cálculos do BTG consideram o dólar no início do mês. 

A XP tem visão positiva para a renda fixa no exterior: “ainda que apostas no início da flexibilização monetária nas principais economias tenham começado a ganhar força, há incertezas sobre a sua velocidade e a magnitude de queda de juros adiante”, destaca a casa em relatório.

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A lista de bonds recomendados pela XP para investir em julho tem papéis de cinco empresas: Prio, Marfrig, Klabin, Aegea e Rede D’Or. Confira os títulos: 

EmissorVencimentoDuration (anos)TickerRentabilidade anual
Priojun./261,8PRIOBZ 6 1/8 06/09/266,20%
Marfrigago./292,7MRFGBZ 6 5/8 08/06/296,20%
Klabinabr./293,9KLAB 5 3/4 04/03/295,30%
Aegeamai./294,1AEGEBZ 6 3/4 05/20/296,90%
Rede D’Orjan./304,7RDEDOR 4 1/2 01/22/306,10%
Fonte: XP

O investimento em bonds de empresas brasileiras traz ao investidor proteção contra a desvalorização do real. “É prudente ter investimento fora do país local, o passado nos mostra isso, principalmente em países emergentes”, diz Kaique Fonseca, economista e sócio da A7 Capital.

A liquidez também é um diferencial: o mercado norte-americano de renda fixa tem mais investidores e, por isso, vender um título pode ser mais fácil. Isso diminui o risco de precisar transformar os títulos em dinheiro rapidamente e não conseguir. Outro fator importante é a duração dos papéis, que pode ser uma vantagem para o momento atual, enquanto os juros não caem.