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Mesmo com uma valorização superior a 30% em 2025 – e superior a 50%, considerando os pontos em dólares –, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, ainda é considerado como uma oportunidade de investimento para 2026.
A avaliação, que contraria a percepção de que a Bolsa “esteja cara” após a forte valorização, baseia-se em dois pilares: a aceleração do crescimento dos lucros das empresas e a expectativa de queda da taxa Selic.
A percepção, nesse sentido, de que o investidor local “perdeu a alta” é refutada por especialistas, que veem o cenário macroeconômico se tornando ainda mais favorável no próximo ano.
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O principal argumento para a manutenção do otimismo reside na performance das companhias
As empresas brasileiras fizeram o “dever de casa” em 2025, entregando um crescimento de lucros robusto, mesmo com a taxa de juros básica (Selic) ainda em patamares elevados, na casa dos 15%.
A temporada de resultados do terceiro trimestre foi, inclusive, a melhor dos últimos tempos, segundo destacaram Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, e Sara Delfim, sócia e fundadora da Dahlia Capital, durante participação no Onde Investir 2026.
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Bolsa atrativa
Com a perspectiva de que a Selic comece a cair em 2026, espera-se uma aceleração ainda maior no lucro das empresas, o que torna a Bolsa atrativa.
O indicador preço/lucro (P/L) – que mostra quantas vezes o mercado está disposto a pagar pelo lucro anual gerado por uma empresa, funcionando como uma medida de quanto os investidores aceitam desembolsar hoje por cada real de lucro – reforça essa tese.
Atualmente, o P/L agregado da Bolsa se mantém abaixo de 10 vezes o lucro, enquanto o histórico aponta para um patamar mais próximo de 11 ou 12 vezes. Isso sugere que, apesar da alta, o mercado não está caro.
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“A Bolsa continua barata e, mesmo assim, você tem esse driver adicional, que é a aceleração de crescimento de lucros para 2026”, afirma Ferreira, XP.
Investidor estrangeiro
A valorização de 2025, que levou o Ibovespa a superar a marca dos 160 mil pontos, por sua vez, destacam os entrevistados, foi impulsionada majoritariamente pelo investidor estrangeiro.
O movimento se deu em linha com o “trade de mercados emergentes”, quando se observou uma rotação de capital para fora dos Estados Unidos, motivada pela visão de um dólar fraco no cenário global.
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A influência das notícias locais no preço da Bolsa foi “pouca” até o momento, mas a expectativa é que os eventos domésticos ganhem relevância em 2026.
Oportunidade para o investidor local
A forte alta da Bolsa em 2025 pegou o investidor local de surpresa. “O brasileiro não é um investidor de Bolsa. Tanto que, apesar de subir 30%, você anda pela Faria Lima, mas vê que as pessoas não estão muito felizes”, comenta Sara Delfim, sócia e fundadora da Dahlia Capital.
A baixa alocação em renda variável, combinada com a atratividade da renda fixa que ainda paga taxas muito boas, fez com que muitos perdessem a “pernada” de alta.
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Há tempo para entrar?
A questão central, no entanto, é se ainda há tempo para entrar. E a resposta dos especialistas é um enfático “sim”.
A crença é que o investidor local, que ficou muito focado no noticiário doméstico e nas oportunidades da renda fixa, ainda tem chance de aproveitar o ciclo de valorização.
“Não acho que quem não entrou ainda, ou quem tem baixa exposição em renda variável, que ficou para trás, perdeu a alta. Não, a gente ainda acredita que tem um potencial de alta interessante para a frente”, garante o estrategista-chefe da XP.
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Setores em foco: queda de Juros e crédito
A perspectiva de queda da Selic em 2026 é o principal catalisador para a escolha setorial.
A redução dos juros impacta as empresas de duas formas: alivia as despesas financeiras das companhias endividadas e, principalmente, impulsiona a economia ao facilitar a concessão de crédito pelos bancos.
“Na medida que o juro cai e os bancos voltam a conceder crédito, você impulsiona a economia. As pessoas vão ter crédito para gastar mais”, explica Sara.
Os setores que se beneficiam dessa dinâmica são os cíclicos domésticos.
A recomendação, dessa forma, é procurar empresas que se beneficiem pela queda dos juros (redução da dívida) e aquelas cuja demanda é impulsionada por mais acesso a crédito.
Isso inclui varejo, consumo doméstico e, de forma estratégica, o setor bancário.
“Bancos, o setor de bancos, ele vai muito bem quando o juro sobe, mas quando o juro cai ele também vai bem, porque ele acelera a concessão de crédito”, pontua Sara.
A diversificação é a palavra-chave. As carteiras recomendadas incluem bancos, cíclicos domésticos, construtoras, varejo e o setor elétrico.
Este último, embora não seja o mais favorecido pela queda de juros, é visto como atrativo por estar avaliado como “muito barato” e pagar bons dividendos.
A expectativa é que, no agregado, o lucro das empresas que compõem essas carteiras cresça entre 20% e 30% em 2026.
O Cenário Externo e a Gestão de Risco
O contexto global, que foi crucial para a alta de 2025, continua sendo um fator de atenção.
A expectativa é de um dólar fraco no mundo, mas não na mesma magnitude de desvalorização vista no ano anterior.
Em relação às commodities, a visão não é “extremamente autista”, mas há a percepção de que o mercado está “muito pessimista” em relação a ativos como petróleo e minério de ferro.
Mesmo assim, o minério de ferro se manteve acima de US$ 100 a tonelada em 2025, e a visão de que o petróleo cairia abaixo de US$ 50 não se concretizou. Por isso, a manutenção de alguma exposição a commodities é justificada.
“Essas empresas geram muito caixa, pagam bons dividendos e são excelentes papéis também para investidor que está olhando para um prazo mais longo e que tem uma carteira mais focada em renda e dividendos”, argumenta Ferreira.
A gestão de risco, em um cenário de incertezas, é fundamental. “Nunca você vai achar todos os elementos favoráveis ao mesmo tempo”, diz Sara, ao lembrar que a história de sua gestora começou em meio a crises.
A estratégia é calibrar a carteira: ser mais defensivo quando o cenário está nebuloso e aumentar a exposição quando as teses se concretizam.
“O que você faz quando você não tem visibilidade total do cenário para 2026? Você vai fazendo a gestão da carteira mais defensiva ou menos defensiva à medida que você vai ganhando convicção na sua tese”, conclui Sara.