Bolsa dispara em 2026: ainda dá tempo de aproveitar o rali do Ibovespa?

Fluxo estrangeiro, cenário externo e melhora dos fundamentos ajudam a explicar o rali

Paulo Barros

Ativos mencionados na matéria

Mulher observa o painel de cotações da B3 (Imagem: Divulgação B3)
Mulher observa o painel de cotações da B3 (Imagem: Divulgação B3)

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A Bolsa brasileira vive um início de ano forte. Após bater recorde histórico ao ultrapassar os 175 mil pontos, o Ibovespa acumula alta de quase 9% em reais e de cerca de 13% em dólares em 2026. O desempenho coloca o Brasil entre os mercados com melhor retorno do mundo no período e reacende a dúvida do investidor: afinal, por que a Bolsa está subindo tanto — e ainda dá tempo de entrar?

Os dados mostram que o movimento não é isolado nem pontual. Um levantamento da Elos Ayta indica que os mercados da América Latina lideram o ranking global de rentabilidade neste início de ano quando os retornos são medidos em dólares. Peru, Colômbia e Chile ocupam as primeiras posições, com o Brasil aparecendo logo atrás, à frente de Estados Unidos e Europa.

(Fonte: Elos Ayta)

Dinheiro estrangeiro

Uma parte central da explicação está no fluxo. Os investidores estrangeiros foram os principais compradores de ações brasileiras neste início de ano, com R$ 12,3 bilhões já aportados apenas em janeiro — quase a metade do ano passado inteiro.

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Investidores globais reduziram exposição a ações dos Estados Unidos e passaram a aumentar a alocação em mercados emergentes neste início de ano, em meio à alocação de emergentes em fundos globais ‌em níveis historicamente baixos, em 5,3%.

A América Latina aparece como um dos principais destinos desse fluxo, impulsionada por desempenho superior em dólares, dólar global mais fraco e maior atratividade relativa. Uma reversão à ‌média dos últimos 10 anos, de 6,7%, poderia se traduzir em aproximadamente US$ 25 bilhões em recursos para o Brasil, observa o JPMorgan.

Outro fator é o peso das commodities. “A alta das commodities, particularmente metais, também está ajudando o fluxo a vir para o Brasil”, avalia Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial.

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Com empresas como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4) entre as maiores do Ibovespa, o índice se beneficia diretamente desse movimento. Nos dias de recorde, ações dessas companhias subiram com força, assim como os papéis de grandes bancos, ampliando o impacto no índice.

Fundamentos começam a melhorar

Para além do fluxo e do cenário externo, há sinais de melhora estrutural. Em carta mensal, a JGP Asset avalia que o pior ciclo corporativo recente já ficou para trás e que 2026 tende a ser um ano mais favorável para as empresas brasileiras.

A gestora afirma que o país atravessou “um dos piores ciclos de alocação de capital dos últimos pelo menos 15 anos”, mas que esse processo começou a se reverter a partir de 2024, com consolidação em 2025. Segundo a JGP, as empresas passaram a adotar uma postura mais disciplinada, com foco em geração de caixa, redução de riscos e retorno ao acionista.

Na visão da casa, “o ciclo operacional das companhias já apresentou melhora e deve continuar evoluindo ao longo de 2026”, além de destacar que o próximo ano tende a ser marcado por um ciclo de queda de juros, “um movimento historicamente positivo para o investimento em ações”.

A JGP também chama atenção para o fato de que os valuations já não estão tão descontados quanto no início de 2025, mas ainda não são considerados elevados. Isso significa que novas altas dependem mais de resultados e juros do que apenas de reprecificação.

E ainda dá tempo de investir?

Para Siqueira, da Eleven, o movimento pode continuar. “O ciclo de corte de juros nem começou e historicamente foi um fator positivo para a Bolsa. O fluxo estrangeiro também pode continuar vindo para o Brasil”, disse. “Acreditamos que ainda vale a pena investir na Bolsa.”

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O alvo dos principais bancos e corretoras para o Ibovespa em 2026 gira em torno de 185 mil a 200 mil pontos. Já o Morgan Stanley vai além, e enxerga potencial de uma valorização de até 46%, o que levaria o índice a 250 mil pontos, ancorado em uma expectativa de alternância de poder.

Ao mesmo tempo, a JGP ressalta que 2026 deve ser marcado por maior volatilidade, justamente por conta do ambiente político. Para a gestora, isso tende a criar oportunidades pontuais, mas reforça a importância de foco em empresas maiores, mais líquidas e com fundamentos mais sólidos.

Setores e papéis para ficar de olho

Um monitor de posicionamento da XP mostra que, antes do rali, fundos de ações seguiam com alocação concentrada em setores como utilities, commodities e financeiro, enquanto os gestores mantêm postura mais seletiva em bancos tradicionais, consumo discricionário e segmentos mais sensíveis ao ciclo.

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As carteiras recomendadas de bancos e corretoras acompanhadas pelo InfoMoney mostram que ações de grande peso seguem dominando as recomendações para o início do ano, com Vale (VALE3) liderando com folga, seguida por Petrobras (PETR3; PETR4), Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e outras blue chips. O recorte indica preferência por empresas líquidas, ligadas a commodities, bancos e setores defensivos, em linha com o perfil mais cauteloso dos investidores após a forte alta recente.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)