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O Bitcoin (BTC) superou os US$ 80 mil pela primeira vez desde meados de maio, com o retorno do otimismo a um mercado de criptomoedas castigado, em meio a uma combinação de sinais altistas que forçou a liquidação de bilhões de dólares em apostas alavancadas.
A criptomoeda original chegou a subir 2,9% nesta terça-feira, a US$ 81.257, antes de devolver os ganhos e operar praticamente estável, perto de US$ 79.300, às 6h30 em Nova York. O token segue bem abaixo do pico de cerca de US$ 126 mil, alcançado em outubro.
O Bitcoin voltou a ganhar espaço depois que o debate sobre o “debasement trade” foi reavivado pelo anúncio do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, na semana passada, de que o país vai ampliar as recompras de títulos públicos na tentativa de reduzir os juros de longo prazo, o que provocou uma nova rodada de venda de dólar. Céticos viram no plano mais uma evidência de que o governo Trump ainda não está disposto a fazer o trabalho difícil de reduzir o déficit orçamentário.
O Bitcoin foi criado originalmente como uma forma de escapar da desvalorização das moedas fiduciárias e da inflação impulsionada pela emissão de moeda pelos bancos centrais. A criptomoeda subiu 23% nos sete dias encerrados no domingo, o maior salto semanal em cerca de três anos, com o plano de recompra de Bessent ajudando a tirar os ativos digitais de meses de negociação lateral. O preço do ouro, outro beneficiário do “debasement trade”, também avançou.
“O pano de fundo macroeconômico ficou mais favorável depois que o plano ampliado de recompra de títulos longos do Tesouro ajudou a enfraquecer o dólar e reavivou o ‘debasement trade’ entre o Bitcoin e o ouro”, disse Lacie Zhang, analista de pesquisa da Bitget Wallet.

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O Bitcoin vinha se aproximando de sua média móvel de 50 semanas, de aproximadamente US$ 81 mil, nível visto por analistas técnicos como sinal de que a alta tem fôlego. A criptomoeda opera abaixo desse patamar desde novembro.
“Um fechamento acima desse nível da média móvel seria mais um sinal construtivo para a continuidade do rali”, afirmou Rajiv Sawhney, head de gestão internacional de portfólio da Wave Digital Assets.
O apetite institucional também voltou. Os ETFs de Bitcoin à vista tiveram sua maior entrada líquida semanal em dez meses na semana passada, no embalo da valorização do token. Os 13 fundos listados nos EUA captaram US$ 1,92 bilhão em termos líquidos, o maior volume desde o início de outubro do ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg. Na segunda-feira, registraram mais US$ 337 milhões em entradas líquidas.
Essa demanda adicional encontrou uma oferta escassa de Bitcoin disponível para negociação, o que criou pressão altista sobre os preços. Cerca de 60% do Bitcoin em circulação não se move há mais de um ano, segundo Cici Lu McCalman, fundadora da Venn Link Partners.
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“Boa parte do Bitcoin efetivamente não está disponível para negociação”, disse ela. “Então, quando a demanda por ETFs acelera de repente, a oferta marginal disponível pode ficar bastante apertada.”
O mercado cripto ganhou impulso adicional no dia do anúncio de Bessent com uma reunião entre o presidente Donald Trump e lideranças do setor, que reacendeu o otimismo em torno do compromisso do governo com as criptomoedas. O ritmo da agenda legislativa havia perdido força recentemente, depois que o Clarity Act, projeto que trata da estrutura do mercado, não chegou a ser votado antes do recesso do Senado em agosto. Trump pressionou a Casa a aprovar o texto, cuja votação é esperada para meados de setembro.
A alta subsequente do preço do Bitcoin pegou muitos investidores de surpresa. Cerca de US$ 7,2 bilhões em apostas alavancadas de baixa em criptoativos foram liquidados na semana passada, de acordo com dados da Coinglass.
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Os investidores de criptomoedas procuram um fundo de mercado há meses. O Bitcoin vem caindo durante boa parte de 2026, após a liquidação de outubro do ano passado, que veio logo depois de o token atingir sua máxima histórica.
Novo ciclo de mercado?
Ainda assim, o ceticismo permanece. Alguns analistas apontaram o short squeeze como principal motor da alta dos preços, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da demanda dos investidores.
Um grupo que pode buscar realizar lucros agora são os mineradores de Bitcoin, que, segundo McCalman, vêm enfrentando “severa pressão financeira”.
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O custo médio para minerar um Bitcoin estava pouco abaixo de US$ 80 mil no fim do ano passado, segundo a CoinShares. “Uma alta adicional poderia estimular vendas por parte desse grupo, que busca monetizar e reduzir o risco de sua exposição ao Bitcoin”, disse Sawhney.
Um mercado de alta “ainda não deve ser tratado como uma tendência confirmada”, escreveu o diretor de pesquisa da Bitfire, Allen Ding, em relatório. “Se a participação institucional, o avanço regulatório e a rotação de capital continuarem se reforçando mutuamente, o movimento atual pode significar mais do que um short squeeze e marcar o início de um novo ciclo de mercado.”
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