Investimentos

BDRs: o que são e quem pode investir neste tipo de papel?

Para operar com BDRs nível 1 não patrocinadas é preciso investir por meio de um fundo. Já os níveis 2 e 3 patrocinados são mais acessíveis às pessoas físicas

SÃO PAULO – A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu na última quinta-feira (24) alterar as regras para emissão e negociação  de BDRs (Brazilian Deposit Receipts – Recibos de ações de empresas estrangeiras negociadas na bolsa brasileira) nível 1 patrocinadas ou não.

Entretanto, a mudança nas regras atinge uma parcela muito pequena dos investidores, já que a Comissão autorizou que esses BDRs sejam negociados pelas EFPC (Entidades Fechadas de Previdência Complementar) e pelas pessoas físicas e jurídicas com investimentos financeiros acima de R$ 1 milhão.

Mas se, como a grande maioria dos investidores brasileiros, você não possui R$ 1 milhão em investimentos, será que não vai poder investir em BDRs ?

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Você pode. Mas, se quiser investir em BDRs nível 1 não patrocinadas é necessário operar via fundo de investimento. Isso porque, exceto para quem tem acima de R$ 1 milhão em aplicações, apenas as instituições financeiras, fundos de investimento, além de administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela CVM – estes dois últimos, com a utilização de recursos próprios – podem negociar este tipo de BDR.

“Os BDRs nivel 1 não são para qualquer investidor, são mais para investidores qualificados, para investidores institucionais, fundos de pensão etc.”, aponta o analista-chefe da corretora SLW, Pedro Galdi.

Tipos de BDRs

Mas, também é importante lembrar que existem outros tipos de BDR disponíveis, os níveis 2 e 3 patrocinados. Esses dois tipos são mais acessíveis e podem ser negociados sem restrições na Bolsa brasileira.

A BM&FBovespa lembra que para operar com esse tipo de BDR não há a necessidade de fazer operações de câmbio, transferir recursos para o exterior ou mesmo manter contas de custódia no exterior.

“Os BDRs nível 2 e 3 oferecem ao investidor a possibilidade de investir em empresas estrangeiras de maneira simples e ágil, da mesma forma como hoje já faz para investir nas empresas brasileiras”, diz a BM&FBovespa, através do seu site.

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Diferença entre os dois

A diferença entre os BDRs nível 1 não patrocinados e os BDRs nível 2 e 3 patrocinados é que, no primeiro caso, a decisão de emitir os certificados parte de uma instituição depositária (banco), que pede o registro do programa à CVM e à BM&FBovespa, sem envolvimento da empresa estrangeira emissora das ações.

Para exemplificar: no Brasil, atualmente, existem 20 BDRs nível 1 não patrocinados. O primeiro lote de 10 BDRs começou a ser negociado em outubro do ano passado e o segundo em novembro.

Do primeiro lote, faziam parte empresas como a Pfizer, Apple, McDonald’s e o banco responsável era o Deutsche Bank. Ou seja, foi o Deutsche Bank quem trouxe esses BDRs para o Brasil e é ele que se responsabiliza pela negociação dos papéis na bolsa brasileira.

Já no segundo lote, o banco responsável é o Citibank e entre as empresas estão a Microsoft, Alcoa, Cisco, entre outras.

Neste caso (de BDRs nível 1 não patrocinados), as empresas estrangeiras não são registradas como companhia aberta na CVM nem listadas na BM&FBOVESPA, por isso elas não estão sujeitas às mesmas regras de divulgação de informações que as companhias brasileiras.

“Contudo, a responsável pela divulgação no Brasil das principais informações dessas empresas é a emissora dos certificados, ou seja, a instituição depositária”, diz o site da BM&FBovespa.

Já no caso dos BDRs nível 2 e 3 patrocinados, as companhias estrangeiras são registradas na BM&FBovespa, por isso adotam os mesmos procedimentos das empresas brasileiras para enviar informações e se comprometem a informar o mercado brasileiro simultaneamente à bolsa do seu país de origem.

Entre as empresas que possuem BDRs nível 2 e 3 patrocinados estão a suíça Dufry, Laep, GP Investments, Agrenco, entre outras.

Riscos

Para o diretor da Título Corretora, Márcio Cardoso, sempre que você opera em bolsa, é importante conhecer aquele ativo que  está comprando, independente de ser uma empresa brasileira ou estrangeira.

“Para comprar uma ação, me tornar sócio da empresa, eu tenho que conhecer a fundo a empresa, o mercado em que ela atua, seus concorrentes, que impacto ela tem na economia e que impacto ela sofre da economia”, ressalta.

Segundo o profissional, o mais importante é o investidor entender o mercado no qual está investindo e ter consciência dos riscos embutidos. “É uma questão de como você interage com o mercado, como você absorve as informações, qual é o seu estilo de fazer negócio. Eu não posso dizer para o investidor que ele não deve comprar ações da Apple e deve comprar ações de uma empresa brasileira, se o órgão regulador acredita, depois de um estudo longo, que investidores com aplicações superiores a R$ 1 milhão têm capacidade de fazer isso”, finaliza.

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