aposentadoria

Bancos se esforçam para vender PGBL no final do ano; vale mesmo a pena?

Quem contrata um PGBL consegue deduzir até 12% da renda tributável ao ano da base de cálculo do Imposto de Renda

SÃO PAULO – Com a proximidade do final do ano, é comum que gerentes de banco entrem em contato com seus clientes questionando se há interesse em investir em PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livre), com o argumento de que você poderá abater do imposto de renda devido de 2012, mas para isso precisa investir até o último dia do ano.

De fato, quem contrata um PGBL consegue deduzir até 12% da renda tributável ao ano da base de cálculo do Imposto de Renda. Isso significa que a pessoa poderá pagar menos IR agora, colocar o dinheiro para render e só acertar as contas com o Leão no momento do resgate do plano. Este benefício, no entanto, só é concedido para quem entrega a declaração completa do IR.

Mesmo assim, especialistas da área lembram que é importante pensar bem e analisar se este tipo de plano é a melhor opção para você. “Existem muitas variáveis e o processo de escolha é complexo. Quem investir neste produto deve ter um horizonte de longo prazo e ser muito disciplinado”, afirma o economista e professor de finanças, Richard Rytenband.

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O que analisar antes de contratar um PGBL
O economista lembra que o investidor deve analisar alguns pontos-chave para decidir contratar um PGBL:

* Declaração do Imposto de Renda Completa e contribuição para Previdência Social

* Pesquisar os custos do fundo: Taxa de Administração e Taxa de Carregamento (cobrada, por alguns fundos, sobre os aportes feitos pelo investidor).

Um levantamento efetuado recentemente pela Keyassociados mostrou que as taxas cobradas pelas instituições financeiras nos planos de previdência podem fazer uma diferença de mais de 30% no total de recursos acumulados. Segundo o levantamento, se o investidor aplicar R$ 1 mil por mês, com taxa de carregamento de 4% e a taxa de administração também de 4%, seriam acumulados, ao longo de 30 anos, R$ 475,5 mil (com base em um retorno de 6% ao ano). Mas, caso a taxa de administração fosse de 2% e não haja taxa de carregamento, o valor acumulado seria de R$ 694,9 mil, uma diferença de 31,5%. Portanto, o investidor deixaria de ganhar R$ 219,4 mil.

* Pesquisar histórico do Gestor, composição da Carteira do Fundo

* Outro ponto importante diz respeito ao regime de tributação, que pode ser regressivo ou progressivo. Na tabela progressiva, a alíquota do Imposto de Renda segue as mesmas regras aplicadas aos salários e aumenta de acordo com o valor que você vai receber do plano.

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Já a tributação regressiva foi criada justamente para estimular as aplicações de longo prazo – que devem ser o objetivo dos planos de previdência. Neste caso, a alíquota diminui com o tempo e é calculada de acordo com a data de cada contribuição ou aporte. Veja a tabela regressiva:

Período de aportes

Alíquota de IR

Até 2 anos

35%

de 2 a 4 anos

30%

de 4 a 6 anos

25%

de 6 a 8 anos

20%

de 8 a 10 anos

15%

Mais de 10 anos

10%

Isso quer dizer que, se você optar pela tabela regressiva e resgatar o plano em até dois anos (o que não é aconselhado se tratando de previdência privada), vai pagar um imposto bem alto por isso (alíquota de 35%). “Se a pessoa precisar deste dinheiro num prazo inferior ao planejado terá perdas consideráveis”, pontua Rytenband. Já se fizer aportes por mais de 10 anos, o imposto será muito menor, de apenas 10%.

Independência financeira
Por fim, o economista lembra que quem quer atingir a independência financeira deve primeiro se responsabilizar pelos próprios recursos. “Se a pessoa quer acumular riqueza, ela deve ter a consciência que precisa criar sistemas de negócios, ao mesmo tempo em que investe no mercado financeiro, sempre olhando os ativos que apresentam o melhor risco x retorno. Além disso, as trocas na carteira são necessárias com o passar do tempo”, afirma.

Na opinião dele, o investidor deve ser muito disciplinado para conseguir acumular recursos. “Não defendo que as pessoas tenham como objetivo a aposentadoria, mas sim a independência financeira”, conclui.