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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou nesta segunda-feira o informe que relata as projeções do mercado, feita com base em consulta de aproximadamente 100 instituições, para os principais índices macroeconômicos da economia brasileira, referentes aos anos de 2002 e 2003.
Os destaques positivos do relatório são a expectativa sobre o aumento do superávit da balança comercial para os dois próximos anos e a queda nas projeções para o déficit em conta corrente para este mesmo período. Por outro lado, o fato negativo marcante fica por conta do anúncio do aumento das expectativas para o IPCA e a diminuição do crescimento do PIB.
Mercado aguarda maior superávit comercial
O destaque positivo do relatório é a expectativa de superávit da balança comercial, que cresceu ligeiramente de US$ 4 bilhões para US$ 4,05 bilhões para 2002 e de US$ 4,95 bilhões para US$ 5 bilhões para 2003. Vale lembrar que o acumulado do ano corrente aponta superávit de US$ 2,017 bilhões.
Enquanto isso, as projeções para o déficit em conta corrente mantiveram-se em US$ 20,50 bilhões para 2002 e decresceram de US$ 20,10 bilhões para US$ 20,00 bilhões para 2003.
BC prevê aumento do IPCA e queda do PIB
Entre os destaques negativos está o aumento das expectativas para o IPCA, de 5,46% para 5,49% para 2002, apesar da manutenção do índice para 2003 em 4%, mostrando uma possível tendência de aumento da inflação para os próximos meses.
Além disso, as projeções coletadas pelo Banco Central acerca do crescimento do PIB diminuíram de 2,30% para 2,27% para 2002 e mantiveram-se em 3,50% para 2003.
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A manutenção das incertezas políticas estabiliza as perspectivas do BC
Os desdobramentos das incertezas do cenário eleitoral no meio econômico foram novamente dominantes. A fragilidade da candidatura governista, simultaneamente ao fortalecimento da oposição, continuam despertando as preocupações do mercado quanto a uma eventual ruptura com a atual política econômica, pressionando o câmbio.
Em virtude disso, desde o início de 2002, a moeda norte-americana já acumula uma alta de 13,95%, impulsionando diretamente o aumento da dívida interna brasileira, que tem uma importante parcela atrelada à moeda estrangeira. As projeções para a taxa de câmbio, no fim de 2002, mantiveram-se em R$ 2,50, assim como para o final de 2003, onde os dados colhidos pelo BC sinalizam o câmbio a R$ 2,64.
A desvalorização da moeda nacional, porém, não aumentou as previsões para o fluxo líquido de investimento estrangeiro direto no Brasil, que mantiveram-se em US$ 17,50 bilhões para o ano corrente e em US$ 18,00 bilhões para 2003.
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As projeções para 2002 e 2003, comparando o levamentamento divulgado esta semana com os dados coletados em 31 de maio, são as seguintes:
| Junho | 2002 | 2003 | ||||
| 31/05 | Atual | 31/05 | Atual | 31/05 | Atual | |
| IGP-DI | 0,65% | 0,66% | 5,72% | 5,88% | 4.80% | 4.80% |
| IGP-M | 0,59% | 0,60% | 5,61% | 5,70% | 4,68% | 4,68% |
| INPC | 0,40% | 0,43% | 6,13% | 6,14% | 4,25% | 4,20% |
| IPCA | 0,37% | 0,40% | 5,46% | 5,49% | 4,00% | 4,00% |
| IPC-FIPE | 0,35% | 0,35% | 4,36% | 4,29% | 4,00% | 4,00% |
| PIB | – | – | 2,3% | 2,27% | 3,50% | 3,50% |
| Balança Comercial | – | – | 4,00% | 4,05% | 4,95% | 5,00% |
| Déficit em Conta Corrente | – | – | -20,5% | -20,5% | -20,1% | -20,0% |
| Invest. Estrang. | – | – | 17,50% | 17,50% | 18,00% | 18,00% |
| Déficit Público Primário | – | – | 3,50% | 3,50% | 3,00% | 3,00% |
| Déficit Público Nominal | – | – | -3,50% | -3,50% | -3,00% | -3,00% |
| Taxa de Câmbio | – | – | 2,50% | 2,50% | 2,62% | 2,64% |
| Selic | – | – | 17,00% | 17,00% | 14,50% | 15,00% |