Apenas 2 investimentos de renda fixa batem o CDI no 1º semestre; veja ranking

Em primeira metade do ano com volatilidade na curva de juros e resgates em fundos de crédito, foi difícil alguma outra aplicação bater o índice de referência - e a pior delas entregou quase cinco vezes menos

Equipe InfoMoney

Notas de reais (Shutterstock)
Notas de reais (Shutterstock)

Publicidade

Apenas dois investimentos de renda fixa superaram o CDI no primeiro semestre de 2026, segundo os índices de mercado da Anbima. No outro extremo, o pior desempenho do período veio das debêntures incentivadas atreladas à inflação, que renderam o equivalente a apenas 20,7% do CDI entre janeiro e junho.

As debêntures atreladas ao CDI, medidas pelo índice IDA-DI, avançam 7,09% no semestre e lideram o ranking. Os títulos públicos pós-fixados, como o Tesouro Selic, medidos pelo IMA-S, sobem 6,95% e completam a dupla que superou a taxa de referência, que acumula 6,90% no período. Já o IDA-IPCA Infraestrutura, índice que mede o desempenho das debêntures isentas de Imposto de Renda atreladas ao IPCA, rendeu apenas 1,43% no semestre.

A reta final de junho ajudou a moldar esse resultado. Os últimos dias de junho foram marcados pela queda de cerca de 12% no preço do petróleo, com o Brent recuando de US$ 82 para próximo de US$ 73 por barril, depois da assinatura de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã sobre o conflito no Oriente Médio, incluindo a região do Estreito de Ormuz. O movimento, somado a um IPCA-15 de junho que subiu 0,41%, abaixo do esperado pelo mercado, contribuiu para o recuo dos juros futuros no Brasil. Mas o estrago já estava feito.

Ferramenta do InfoMoney

Baixe agora (e de graça)!

O Tesouro Nacional chegou a cancelar um leilão de NTN-B diante do nível elevado das taxas, e a comunicação considerada confusa do Banco Central também ajudou a aumentar a volatilidade. Como resultado, a atualização dos preços a mercado mostra desvalorização que atinge em cheio boa parte da classe – e, vale lembrar, tem efeito prático principalmente para quem se desfaz do investimento antes do vencimento.

Desempenho dos índices de renda fixa da Anbima no primeiro semestre de 2026:

ÍndiceO que representaVariação no semestre% do CDI
IDA-DIDebêntures atreladas ao CDI7,09%102,8%
IMA-STítulos públicos pós-fixados (Tesouro Selic)6,95%100,7%
CDITaxa de referência interbancária6,90%100%
IRF-M 1Títulos públicos prefixados de curto prazo6,63%96,1%
IMA-B 5Títulos públicos atrelados à inflação, até 5 anos6,48%93,9%
IMA-GeralTodos os títulos públicos federais5,83%84,5%
IDA-IPCA ex-InfraestruturaDebêntures atreladas à inflação, sem isenção fiscal5,45%79,0%
IRF-MTodos os prazos de títulos públicos prefixados5,06%73,3%
IDA-GeralTodas as debêntures, de qualquer indexador4,40%63,8%
IMA-BTodos os prazos de títulos atrelados à inflação4,08%59,1%
IMA-B 5+Títulos públicos atrelados à inflação, acima de 5 anos2,20%31,9%
IDA-IPCA InfraestruturaDebêntures incentivadas atreladas à inflação1,43%20,7%
Fonte: Anbima Data

Crédito privado IPCA+ sofre com estresse no mercado

O desempenho fraco desses papéis está ligado a um período de forte volatilidade no mercado de crédito privado. O ano começou com spreads de crédito bastante comprimidos, mas o quadro mudou entre março e abril, quando os processos de recuperação de Raízen e GPA elevaram a aversão a risco, sobretudo entre emissores mais alavancados. O movimento provocou resgates em fundos e pressionou os preços dos papéis marcados a mercado, com abertura significativa dos spreads justamente nos títulos atrelados ao IPCA.

Os primeiros sinais de estabilização só apareceram a partir de maio, ganhando força em junho. Segundo relatório do Bradesco BBI, os spreads das debêntures incentivadas com rating AAA, que representam o prêmio pago acima dos títulos públicos para compensar o risco do emissor, recuaram 23 pontos-base desde o pico observado em maio. Mesmo assim, o tempo de recuperação não foi suficiete para tirar o índice da última posição do semestre.

Outro índice atrelado à inflação, o IDA-IPCA ex-Infraestrutura, que acompanha debêntures também corrigidas pelo IPCA mas sem o benefício fiscal, teve resultado melhor, de 5,45%, o equivalente a 79% do CDI.

Debêntures atreladas ao CDI lideram

O IDA-DI reúne debêntures corrigidas por uma taxa flutuante ligada ao CDI. O indicador sobe 7,09% no semestre, superando até a própria taxa de referência. O resultado reflete a normalização dos prêmios de risco nesses papéis ao longo do período, com spreads que seguiram estáveis e em patamares próximos à média histórica, segundo a XP Research.
O IDA-Geral, que combina debêntures de diferentes indexadores, soma 4,40% no semestre, o equivalente a 64% do CDI.

Continua depois da publicidade

Prazo curto rende mais entre títulos públicos

Entre os títulos públicos federais, o padrão de melhor desempenho para papéis de vencimento mais curto se repete. O IRF-M 1, que reúne títulos prefixados com prazo de até um ano, sobe 6,63% no semestre, ou 96% do CDI. Já o IRF-M 1+, formado por papéis prefixados de prazos mais longos, avança apenas 4,47%, pouco mais de 64% do CDI. O IRF-M geral, que engloba toda a curva de vencimentos prefixados, fica em 5,06%.

Nos títulos indexados à inflação, a diferença segue o mesmo caminho. O IMA-B 5, que reúne papéis atrelados ao IPCA com vencimento de até cinco anos, sobe 6,48% no período. O IMA-B 5+, com prazos mais longos, avança só 2,20%, cerca de 32% do CDI. O IMA-B geral, que soma todos os vencimentos, fecha o semestre em 4,08%.
Os índices mais amplos, que somam títulos públicos de todos os indexadores e prazos, como o IMA-Geral e o IMA-Geral ex-C, fecham o semestre em 5,83% e 5,82%, respectivamentes

O que esperar para o segundo semestre

Olhando à frente, o BB Investimentos recomenda cautela na alocação em crédito privado, com preferência por emissores de maior qualidade e estruturas financeiras mais robustas, mesmo com a reprecificação dos papéis tornando a relação entre risco e retorno mais equilibrada depois do estresse do início do ano.

Continua depois da publicidade

Para efeito de comparação, o IPCA, cujo dado mais recente disponível no momento do fechamento das contas era referente a maio, soma 2,60% até aquele mês. O IHFA, índice de fundos multimercados da Anbima, com dado até 26 de junho, avança 3,04% no período.