Auto Avaliar lança FIDC para alcançar R$ 1 bilhão em financiamento de veículos

Fundo tem capacidade de atender mais de 3 mil concessionárias, mas pode esbarrar na rápida desvalorização dos veículos

Leonardo Guimarães

Carros (Foto: REUTERS/Chris Helgren)
Carros (Foto: REUTERS/Chris Helgren)

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O mercado de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) vive um momento de forte expansão, atrás apenas das debêntures na lista de instrumentos com maior volume de emissão no mercado de capitais em 2025. Nesse contexto, vários setores da economia vêm se beneficiando do modelo. No setor automotivo, é a vez da Auto Avaliar, plataforma que conecta revendedores de veículos a compradores, lançar seu primeiro FIDC.

O objetivo é que o fundo chegue a R$ 1 bilhão em financiamentos no próximo ano. O FIDC AutoPay pode atender as 3.089 concessionárias já integradas à plataforma. “O acesso direto a investidores institucionais permitirá escala, previsibilidade e menor custo financeiro, além de fortalecer a imagem da Auto Avaliar como hub de crédito e tecnologia automotiva,” afirma J. R. Caporal, CEO.

Como o FIDC funciona

O FIDC AutoPay antecipa recebíveis lastreados em contratos de financiamento de veículos. O processo é desenhado para converter o que o varejista receberia no futuro em fluxo de caixa imediato. 

A primeira etapa é a originação do crédito: os lojistas conectados à plataforma vendem os veículos a prazo, o que gera um recebível (direito de receber as parcelas futuras).

Depois, há a venda desses recebíveis para o fundo. Em vez de esperar que o consumidor pague as parcelas todo mês, a concessionária cede os créditos ao FIDC AutoPay. 

O FIDC, então, paga à vista ao lojista, aplicando um desconto que varia entre 1,8% e 2,3% ao mês, “dependendo do perfil de risco e histórico do lojista”, explica Caporal. 

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Após esse processo, as parcelas que os consumidores pagam são direcionadas ao fundo, que remunera seus cotistas de acordo com o desempenho da carteira. A distribuição das cotas é conduzida pela XP, enquanto a estruturação é feita pela Integral Trust e a operação é da AutoBanking. O FIDC é destinado a investidores qualificados (que têm pelo menos R$ 1 milhão em investimentos) e institucionais, mas a abertura ao público geral “poderá ser avaliada em fases posteriores”, com a criação de subclasses com menor exposição e maior liquidez, segundo o CEO da empresa.

Para as concessionárias, a vantagem é o acesso ao crédito que por vezes não conseguem com os bancos e taxas competitivas na antecipação.

J. R. Caporal, CEO da Auto Avaliar (Foto: Divulgação)

Principais riscos

Em um fundo que trabalha com direitos creditórios, a inadimplência é a principal vilã. Afinal, se o consumidor final não pagar o financiamento, quem fica no prejuízo é o fundo após a venda dos direitos creditórios. “A redução dos fluxos de pagamento impacta diretamente a rentabilidade e o patrimônio do fundo”, resume Caporal. 

Nesse contexto, o cenário macroeconômico também pode atrapalhar. Aumento dos juros, retração do crédito e aumento do desemprego são fatores que podem causar o aumento da inadimplência e devem ser monitorados pelo fundo. 

Além disso, uma rápida deterioração do valor dos veículos usados também pode ser negativa para o FIDC, já que eles são usados como garantia. 

O CEO da Auto Avaliar conta que, para mitigar esses riscos, a empresa usa modelos de crédito baseado em “dados comportamentais e históricos transacionais”. A construção de uma carteira pulverizada, com baixa concentração em um devedor, também é uma ferramenta de proteção do FIDC. 

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Passo importante no planejamento estratégico 

Este é o primeiro FIDC da Auto, que mira um relacionamento próximo com o mercado de capitais nos próximos anos, reduzindo a dependência que os lojistas têm com bancos nos empréstimos e aumentar a oferta de crédito para o setor automotivo. 

O principal objetivo é criar um canal permanente de captação via mercado de capitais, reduzindo a dependência do funding bancário tradicional e, consequentemente, ampliar a oferta de crédito para o varejo automotivo.

J. R. Caporal afirma que o FIDC “é um vetor de expansão e consolidação do ecossistema financeiro da Auto Avaliar, fortalecendo a vertical de Floor Plan (financiamento de estoque) e crédito automotivo”.