Atingi meu primeiro milhão: e agora, as estratégias de investimento mudam?

Para Ernesto Leme, da Claritas Wealth Management, o investidor precisa se preocupar mais em diversificar os ativos

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SÃO PAULO – Uma das cifras mais simbólicas para qualquer investidor é, sem dúvida, o primeiro milhão adquirido. Tido como sonho de muitos, o primeiro milhão traz consigo status e também novas oportunidades de investimento.

Mas será que após essa conquista, as estratégias dos investidores passam a ser diferentes?

Para o sócio-diretor da Claritas Wealth Management, Ernesto Leme, a partir de um volume como esse, o investidor precisa se preocupar mais em fazer uma diversificação dos ativos.

“O que vai definir o desempenho favorável da carteira no longo prazo é a correta alocação desses ativos”, afirma o executivo.

Segundo ele, no Brasil existem 6 classes principais de investimento que devem ser utilizadas por investidores. São elas o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), o CDI com componente de crédito, as aplicações vinculadas à taxas de juros prefixadas, as vinculadas à inflação, os investimentos em bolsa de valores e os fundos multimercados.

“É importante que o investidor diversifique entre as 6 classes. O percentual que será alocado em cada uma delas depende da característica de cada um”, aponta.

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Objetivo alcançado
Para o gestor de renda variável do Paraná Banco, Leonardo Deeke Boguszewski, a mudança de estratégia vai depender principalmente do perfil e dos objetivos de cada investidor.

“Se o objetivo inicial era atingir R$ 1 milhão, pode ser que o investidor fique satisfeito e mude a estratégia de investimento, optando por aplicações mais conservadoras. Mas isso não é o que eu faria e nem o que geralmente acontece”, afirma Boguszewski.

Segundo o profissional, o mais comum é que depois de atingir o montante, o investidor mantenha o mesmo perfil de investimentos que o levou àquela conquista, em busca de mais dinheiro. “

Idade e Perfil
Já a consultora da Prosper corretora, Rita Mundim, afirma que o montante a ser investido não influencia nas carteiras recomendadas aos seus clientes. “Eu monto a carteira com base no perfil de cada investidor, levando sempre em consideração a idade de cada um”, aponta.

Para ela, uma fatia de 70% em renda fixa e 30% em renda variável é o ideal para os investidores com idade de até 40 anos. “Acima de 40 anos, pode passar para 80% e 20% e depois dos 50 anos, chegar nos 90% de renda fixa e 10% de renda variável”, diz Rita.

O executivo da Claritas também aponta a idade como um quesito importante no momento de definir a estratégia. “O investidor mais jovem pode correr um pouco mais de risco do que aquela pessoa que já se aposentou e investir mais em fundos multimercados, por exemplo”, afirma Leme.

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Private banking*
De acordo com dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) referentes a dezembro de 2010, o segmento de alta renda possui R$ 371,2 bilhões em investimentos geridos pelo segmento private dos bancos, o que significa um aumento de 22,9% em relação ao ano anterior.

Ainda segundo o levantamento, o número de clientes passou de 57 para 63 mil entre 2009 e 2010.

Para Leme, a indústria de alocação de recursos precisa de dois fatores para crescer: crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e o aumento da capitalização do mercado. “Tivemos essas duas variáveis muito fortes no Brasil nos últimos anos”, ressalta o executivo.

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Private busca maior risco/retorno
De acordo com os dados da Anbima, os clientes com valores mais altos investidos procuram um risco maior e, consequentemente, um maior retorno de seus investimentos.

Segundo o relatório, entre os investidores de private banking, a participação dos fundos de multimercado é de 50,7%, enquanto, para a indústria total, os multimercados representam 28,2% do total investido.

Já a renda fixa é opção de 13,7% dos investidores do segmento private, enquanto no geral, a renda fixa atinge 31,9%

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*A Anbima considera que fazem parte do segmento private os clientes com R$ 1 milhão ou mais em investimento, mas esse valor pode variar entre as instituições financeiras.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip