Come Cotas

Atenção: estão comendo seus investimentos

O mês de maio já não foi dos melhores e ainda traz notícias nada animadoras aos investidores que terão algumas cotas de seus fundos retiradas

 

Por  Equipe InfoMoney

Autor: Glenda Ferreira, Economista e Planejadora Financeira da Levante!

O mês de maio já não foi dos melhores e ainda traz notícias nada animadoras aos investidores que terão algumas cotas de seus fundos retiradas.

Isso porque todos os últimos dias úteis de maio e novembro, como a próxima quarta-feira, a Receita Federal abocanha uma parte de tudo que você ganhou nos últimos 6 meses.

É isso mesmo.

Apesar do nome simpático, os come-cotas são uma antecipação do seu Imposto de Renda para os fundos de Renda Fixa, DI, Multimercado e Cambiais. (Alguns fundos, como os de Ações, se livram dessa antecipação.)

Como nem sempre ficamos sabendo no momento de realização do investimento ou conseguimos entender um importante fator tributário que é inerente à maioria dos fundos, essa notícia pode ser uma novidade para você que começou a investir em fundos há pouco tempo.

A implicação para o seu bolso é o recolhimento que não ocorre apenas no momento do saque, como na maior parte dos investimentos, mas um pouco antes.

O tamanho da embocadura do come-cotas é o da menor alíquota de Imposto de Renda em cada tipo de fundo. Em fundos de curto prazo (vencimento inferior a 365 dias), a cobrança é de 20% dos ganhos, e nos de longo prazo (representam a maioria dos fundos, o vencimento médio dos títulos é maior do que 365 dias), 15%.

Posteriormente, lá no fim da aplicação, é recolhido o restante do Imposto de Renda, dependendo do prazo.

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Na hora do resgate, o que vale é a tabela regressiva do IR. Se o investidor sacar em menos de seis meses, paga 22,5% sobre o ganho de rendimento. Essa alíquota cai para 20% no período de seis meses a um ano. Já a alíquota de 17,5% é paga por quem saca entre um e dois anos. Porém, se o resgate for feito dois anos após o investimento, chega-se à menor alíquota, de 15%.

Por isso, não assuste com o seu extrato ao final deste mês, pois haverá um resgate, ainda que você não tenha realizado nenhuma transação.

O valor do imposto é calculado e as suas cotas são retiradas automaticamente de acordo com esse total.

E quem devorou algumas cotas? Foi o come-cotas – daí o apelido.

Leão manso?

O desagrado dos investidores nesta questão é por não permitir que aproveitem todo o benefício dos juros compostos.

O conhecido “milagre dos juros compostos” acontece toda que vez que o rendimento de um mês rende mais no próximo mês – além do capital inicial. O valor cresce muito mais rápido do que com juros simples (apenas a valorização da aplicação principal).

Então quanto mais tempo de investimento, maior o volume de recursos. E quanto maior o volume de recursos, maior a diferença faz aquela taxa percentual.

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Por isso que o negócio não é interessante quando parte dessa maravilhosa parte que poderia continuar rendendo é retirada para pagar impostos antes de sua saída oficial do investimento.

Bom para o governo, péssimo para o investidor.

Veja no gráfico abaixo a simulação do seu rendimento quando comparamos um CDB e fundo, ambos com 10% de rendimento a partir de R$ 100 mil aplicados – considere os valores na casa dos mil.

Nos primeiros cinco anos, o CDB tem um ligeiro ganho quando comparado ao fundo. Agora, quando observamos os lucros após 30 anos, a diferença é bem maior, de 30,71%.

Então aquelas cotas que somem da conta que ficariam valorizando por meses ou anos até o resgate final e simplesmente são retiradas, tem impacto, principalmente, no longo prazo. Esse rendimento que deixa de gerar juros sobre juros pode representar um montante considerável.

É claro que os fundos de investimento são uma excelente opção para a composição de seu portfólio, mesmo com a existência desse fator tributário. Porém, você não pode se esquecer o peso das taxas administrativas e come-cotas na conta final. É o seu rendimento líquido que está em jogo.

Portanto, muita atenção no momento de escolha de seus investimentos. Compare, faça as contas, verifique se vale a pena investir sozinho e se mantenha informado sobre o assunto.

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