Publicidade
SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou nesta quarta-feira a Ata do Copom, realizado nesta última semana. Segundo o documento, a decisão pela manutenção da taxa Selic em 18,5%, com viés de baixa foi unânime.
Instabilidade define adoção de viés de baixa
O colegiado continua demonstrando preocupação com o nível de atividade econômica, já que o lento processo de recuperação da economia brasileira aponta claros sinais de arrefecimento, o que justificaria uma redução da meta da taxa de juros.
Contudo, devido à forte instabilidade do mercado financeiro e cambial, apesar dos bons fundamentos da economia brasileira e das menores pressões inflacionárias, o Copom acabou optando apenas pela adoção de um viés de baixa.
Recuperação dá sinais de enfraquecimento
A fraca retomada do crescimento foi confirmada pelo aumento de 1,3% do PIB no primeiro trimestre de 2002, se comparado com o trimestre anterior. Além disso, o nível de crédito cresceu apenas 0,4 p.p. em maio, enquanto a intenção de compra na economia caiu 12,3% em junho.
Continua depois da publicidade
A Ata apontou também que os principais índices de preços mostraram comportamento divergente em maio. O IGP-DI alcançou 1,12%, frente a taxa de 0,7% no mês anterior. Já a variação do IPCA recuou de 0,8% em abril para 0,21%. O comportamento dos preços de alimentos e de monitorados, especialmente os de combustíveis, foram apontados como os principais determinantes dos índices.
Já quanto ao ambiente externo, o comitê aponta um cenário desfavorável, com o lento crescimento das economias desenvolvidas, embora haja tênues sinais de recuperação. No entanto, quanto à Argentina, ainda persiste um panorama de crise, com expressiva queda nas trocas comerciais com o Brasil.
Probabilidade de uso do viés de baixa é pequena
A ata deixa claro que o BC deverá reduzir os juros antes da próxima reunião somente se o cenário referente ao mercado externo e à alta do dólar melhorar de forma siginificativa. Por enquanto, estas metas parecem distantes, uma vez que o risco país continua em patamares muito elevados e o dólar voltou a bater, nesta quarta-feira, seu recorde desde a criação do real.