Ata do Copom eleva projeções de inflação

Alta dos preços administrados inviabilizou corte da Selic; aumento nas projeções de inflação diminuem chances de queda dos juros

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SÃO PAULO – O Banco Central divulgou, na manhã desta quinta-feira, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), quando a instituição manteve inalterada a taxa Selic em 18,5% ao ano, contrariando as expectativas do mercado, que apostavam num corte de 0,25 ponto percentual.

Reajuste dos combustíveis inviabilizou corte

O reajuste dos preços administrados, dentre eles dos combustíveis e das tarifas públicas, foi o principal motivo que dificultou a queda da taxa Selic, devido à pressão que os aumentos causaram na taxa de inflação, cuja perspectiva anual já se aproxima do teto máximo estipulado com o FMI, de 5,5%. A manutenção dos juros, que foi unânime, revelou mais uma vez conservadorismo da instituição, sinalizando que as decisões relativas à política monetária deverão ser dirigidas principalmente para o cumprimento da meta de inflação.
Além disso, o Banco Central aumentou as projeções de inflação para 2002, que devem oscilar entre 4,5% e 5%, maior que a perspectiva anterior, que estimava que a alta dos preços ficassse entre 4% e 4,5%. Finalmente, a autoridade monetária também reviu a previsão de alta dos preços administrados, de 6,8% para 7,2%.

Corte nos juros parece distante

Após as duas últimas reuniões do Copom, quando o Banco Central agiu de forma bastante conservadora, cortando a Selic em apenas 0,25 ponto percentual em março e mantendo-a inalterada em abril, o mercado já está mais pessimista em relação à redução das taxas de juros. A curva de juros composta pelos contratos de DI futuro negociados na BM&F foi fortemente ajustada, revertendo a trajetória descendente de curto prazo.

Porém, o aumento das projeções de inflação e os sinais do Banco Central, que deve dirigir a política monetária ao cumprimento das metas de inflação, devem aumentar o pessimismo dos investidores e acabar com as esperanças de corte nos juros, pelo menos no curto prazo.