Vai sacar o FGTS?

Assessores apontam investimentos mais rentáveis para aplicar o seu FGTS inativo

Especialistas explicam as melhores opções para os diferentes perfis de investidor

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Anunciado em fevereiro, o calendário completo com as datas para o saque das contas inativas do FGTS já deixou muitas pessoas confusas sobre o destino que deve seguir o dinheiro e, mais importante, se vale ou não a pena sacar a quantia.

Na opinião de especialistas em finanças, o saque do FGTS vale a pena em todos os casos, já que a rentabilidade do dinheiro que fica no fundo é muito baixa. Então se você não precisa desta quantia para pagar dívidas, vale muito mais a pena sacar e aplicar em algum investimento mais rentável. “É uma janela de oportunidade: o trabalhador só pode pegar o dinheiro agora ou nunca”, diz Juliano Custodio, CEO do portal EuQueroInvestir. Isso porque quem não fizer o saque até a data estipulada pelo governo não terá mais como sacar, a não ser nas condições anteriores – como demissão sem justa causa, por exemplo.

Ele explica que atualmente o FGTS é remunerado pela Taxa Referencial mais 3% ao ano. “Considerando que a TR fechou 2016 em torno de 2% ao ano, a rentabilidade do dinheiro no fundo ficou em torno de 5% ao ano. Essa rentabilidade fica abaixo da poupança, 8,5%  que rendeu, e da inflação, que foi de 6,29% em 2016”, diz.

Aprenda a investir na bolsa

Ainda neste raciocínio, Custodio afirma que caso o investidor aplique em um CDB (Certificado de Depósito Bancário) que pague 100% do CDI, ele vai ganhar bem mais do que na poupança, e cerca de quatro vezes mais do que o valor está rendendo no FGTS.

Investidores que precisarem do dinheiro no curto prazo podem optar por um CDB com liquidez diária. Já aplicações com prazo de um a três anos, podem encontrar melhores rentabilidades, como CDBs que pagam 116% do CDI.

No caso de perfis mais arrojados, Custodio recomenda o investimento em fundos de crédito, que podem chegar a 130% do CDI em algumas plataformas de corretoras, e a Bolsa de Valores. Esta última opção, por sua vez, é indicada para o trabalhador que já possui dinheiro guardado e terá a quantia do FGTS como extra. “É uma ótima fase para investir na renda variável, para comprar carteiras de ações. Para quem nunca investiu neste segmento, recomendo os fundos de ações”.

Bruno Ponciano, assessor de investimentos na Aequilibrium, lembra que a cultura financeira é muito baixa no Brasil e avisa que o trabalhador precisa ter um bom controle financeiro na hora de fazer o saque do fundo. “Para muitas pessoas, essa quantia será o dinheiro da vida. Tirá-lo só porque há liquidez, é perigoso. Ainda estamos em uma crise e é importante ter uma reserva guardada. Além disso, a tentação vai ser grande e é preciso consumir com moderação”, alerta.

Para aqueles que não possuem dívidas e querem investir em aplicações mais vantajosas, Ponciano recomenda o investimento em fundos de renda fixa, em papéis atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) e aos juros prefixados (Tesouro Prefixado). “Essas aplicações apresentam uma rentabilidade boa, acima do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e com boa liquidez”, explica. Já para os investidores que buscam maior volatilidade, Bruno afirma que 2017 será um ano excelente para fundos multimercados. “A inflação está cedendo, o risco está diminuindo e há sinais de melhoras na economia”, diz.

Visto que o IPCA (índice que mede a inflação real do país) de fevereiro divulgado pelo IBGE mostrou que os resultados (0,33%) vieram abaixo do esperado pelo mercado, de 0,43% – de acordo com a mediana da Bloomberg – esse número, juntamente com o PIB mais frágil, reforçam a possibilidade do Banco Central de intensificar o corte de juro, de 0,75% para 1% na próxima reunião. Como o mercado não prevê quando o CDI voltará a subir, o cenário é mais favorável para papéis atrelados à inflação e papéis prefixados. 

PUBLICIDADE

O especialista em gestão financeira, matemático e professor de Administração na FMU, Marcos Traldi, compartilha da opinião de Bruno. Segundo ele, o dinheiro das contas inativas do FGTS pode ser usado para quitar as dívidas, se for o caso, e não para planejar novos gastos. Para quem não tem nenhum débito pendente ele lembra que a aplicação em títulos públicos pode ser uma boa alternativa, já que o investimento  possui baixo risco e rentabilidade superior à da poupança.

Tudo que você precisa saber sobre o saque das contas inativas do FGTS