Internacionalização dos portfólios

Ásia, emergentes e Europa são destaque nas novas estratégias internacionais da Wellington Management no Brasil

Gestora com US$ 1 trilhão em ativos encerra 2020 com seis estratégias globais à disposição do investidor local

(Getty Images)

SÃO PAULO – Por conta dos juros baixos, não foi apenas a Bolsa local que entrou no radar do investidor ávido por rentabilidade acima da taxa Selic.

Nessa busca por diversificação, os fundos de investimento no exterior também galgaram seu espaço nos portfólios ao longo do volátil ano de 2020.

Uma boa amostra disso pode ser tirada pelo crescimento dos ativos sob custódia da área de fundos internacionais da XP, que foi de aproximadamente R$ 2 bilhões, no fim de 2019, para cerca de R$ 12 bilhões, em dezembro de 2020.

Segundo Leon Goldberg, chefe de relacionamento institucional com gestoras da XP, diante da demanda crescente por estratégias internacionais, que oferecem alto grau de descorrelação com o mercado local, a casa segue em busca da ampliação da grade de produto.

Com isso, um acordo acaba de ser fechado para a oferta de cinco novos produtos da gestora global Wellington Management.

Com cerca de US$ 1 trilhão em ativos sob gestão, a asset aterrissou no mercado brasileiro em março, quando estreou o fundo global de ações Wellington Ventura Advisory.

Da nova leva de renomadas casas globais que tem chegado à prateleira nos últimos meses, o produto da Wellington foi um dos maiores sucessos, tendo captado quase R$ 1,5 bilhão, o que contribuiu para a decisão de trazer os novos produtos, diz Goldberg.

Durante o primeiro semestre, afirma o executivo, a internacionalização dos portfólios foi muito mais voltada para fundos com foco no mercado americano, ou global de maneira mais ampla, como é mesmo esperado dentro de um processo natural de maturação do investidor.

Agora, no entanto, já é possível observar um aumento no grau de sofisticação.

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Com a recuperação exuberante da Ásia emergente, impulsionada pelo gigante chinês, exemplifica Goldberg, dois dos novos fundos da Wellington – “Asia Technology Equity” e “All China Focus Equity” – se voltam para as oportunidades específicas da região.

No caso do primeiro, alguns dos nomes na carteira são das chinesas Alibaba e Tencent, da coreana Samsung e da indiana Infosys.

Já no fundo focado em China, além dos dois nomes mais conhecidos, há outros menos familiares aos ouvidos brasileiros, como Wuliangye Yibin, do setor de alimentos e bebidas, Media Tek, taiwanesa que fabrica semicondutores ou Shanghai Airport.

Flexibilização regulatória em pauta

Pelo acordo, o investidor também poderá acessar os fundos de ações “Emerging Markets Development Equity”, no qual a participação de Ásia emergente é preponderante, e “Strategic European Equity”.

O produto voltado para as bolsas do velho continente conta com ações de grades conglomerados como da farmacêutica de origem suíça Novartis ou da holandesa Heineken.

Segundo José Tibães, head de fundos de investimento da XP, além da busca por estratégias diferenciadas, em termos de regiões, tem aumentado a demanda por fundos não apenas de ações. Por isso, o lançamento do multimercado Wellington Gaia.

Os fundos da gestora internacional, acrescenta Tibães, estão disponíveis na versão com e sem a variação do câmbio, com tíquete de R$ 5 mil e movimentações adicionais de, no mínimo, R$ 1 mil.

Infelizmente, por conta da legislação, os veículos hoje são destinados apenas ao investidor qualificado, que é aquele com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

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Mas a expectativa é que mudanças possam vir a ocorrer em não muito tempo, afirma o head de fundos de investimento da XP.

No início do mês, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) lançou audiência pública para modernizar as regras do mercado.

Fundos com 100% de exposição no exterior liberados para todos os investidores é uma das possibilidades em avaliação, informou a autarquia.

Com os últimos lançamentos, e os que ainda devem vir nos próximos meses, a expectativa da XP é encerrar 2021 com R$ 30 bilhões sob administração em fundos internacionais.

“É comum o investidor alocar parte dos recursos no mercado do próprio país, mas, no caso do brasileiro, apenas 1% está lá fora”, afirma Goldberg, ao destacar a avenida de crescimento que enxerga para o nicho nos próximos anos.

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