As mulheres e a Educação Financeira

Somente através da educação financeira as mulheres conseguirão assumir a responsabilidade pela gestão do seu patrimônio

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SÃO PAULO – No Brasil, hoje, há evidências de que uma altíssima porcentagem de mulheres, de todos os níveis sociais e educacionais, estão sem os conhecimentos financeiros adequados para assegurar estabilidade financeira para si e sua família.

A maioria não sabe como ajustar orçamentos, fazer investimentos, enfrentando sérias dificuldades para fazer escolhas financeiras e projetar necessidades futuras.

Uso indevido do crédito

Muitas mulheres, por desconhecimento, por pressão dos filhos ou para não desistir de estilo de vida ou das aspirações, estão fazendo uso do crédito para suplementar ganhos e não para adquirir ativos – sabotando, com freqüência, o próprio futuro e o da família.

Por inabilidade, resultante, quase sempre, de desconhecimento, as mulheres acabam respondendo às dificuldades de maneira ainda mais devastadora, e passam a administrar apenas o dia seguinte.

A utilização equivocada do crédito
– distorcida, já que crédito deveria ser usado para aquisição de ativos e não para complementar renda – acaba subtraindo muitos anos de vida dessas mulheres para acerto de erros.

Assim, o futuro fica para depois.

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Decisões financeiras afetam a família

A popularização de decisões de pouco acerto deve-se a vários componentes, associados, principalmente, à evolução social e tecnológica.

É fácil notar, por exemplo, que a renda para a maioria das brasileiras está cada vez mais variável e mais
dependente delas próprias
, resultado da mudança no estilo de vida, cujos sinais de transformações são, entre outros: alto preço da saúde e da segurança, culto ao corpo e à informação, aumento da expectativa de vida, popularização do divórcio e aumento exacerbado do protagonismo feminino, despreparado para enfrentar os crescentes desafios cotidianos.

São dimensões novas que exigem construção de vários tipos de ativos, melhor administração das receitas e melhor planejamento financeiro, para redução de vulnerabilidades futuras.

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A falta de entendimento das mudanças, principalmente na forma de consumir e poupar, dificultam o acerto nas decisões financeiras pessoais, e essas, por sua vez, afetam a família e a tão importante contribuição econômica individual da mulher para a sociedade.

Aprendendo a gerir o dinheiro

O desenvolvimento das competências necessárias para uma administração financeira de sucesso não é algo fácil. Essa dificuldade está associada a vários fatores, entre eles: 1) o fato de que assuntos financeiros estão, fundamentalmente, relacionados à matemática e as mulheres, em testes dessa natureza, costumam responder com menos acerto do que os homens; 2) apenas recentemente as mulheres saíram do ambiente doméstico para o mercado de trabalho, resultado do milagre econômico da década de 70. Portanto, o manuseio do dinheiro e das finanças é algo recente no universo feminino.

A menos que as mulheres sejam expostas às práticas de gestão do dinheiro, através de alfabetização e educação financeira não conseguirão, em sua grande maioria, entender como funciona o mercado e, principalmente, os benefícios de longo prazo associados com construção de ativos, poupança e investimentos.

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Assim, educar-se financeiramente é preciso.

Os novos tempos exigem da mulher uma administração ativa de seus recursos financeiros.

(*) Eliana Bussinger é a autora do livro “As leis do dinheiro para mulheres”.</small