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Reconhecida como a Melhor Gestora do Ano na primeira edição da Premiação Outliers InfoMoney, além de ter levado para casa mais seis troféus, a Kinea Investimentos adota no momento uma postura mais cautelosa no mercado local, além de reforçar posições no exterior. Os motivos? A proximidade de um novo ciclo eleitoral no Brasil e a perspectiva de mudanças relevantes na política monetária global.
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“No momento, preferimos esperar maior clareza no cenário político brasileiro para voltar a ter posições direcionais mais fortes”, diz Ruy Alves, sócio e co-gestor dos fundos multimercado da Kinea em entrevista ao InfoMoney. Até lá, a estratégia segue concentrada em capturar movimentos globais de juros, moedas e commodities, com o objetivo de atravessar um 2026 que promete ser marcado por transições monetárias, disputas geopolíticas e aumento da volatilidade nos mercados.
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Na edição do ano passado da Premiação Outliers InfoMoney, a gestora levou ainda as categorias de Gestora de Ativos Alternativos e Melhor Fundo de Papel, com o FII KNCR11, ficando na segunda colocação da premiação nas categorias Fundos de Previdência de Renda Fixa de Crédito Privado e Fundos de Previdência de Renda Variável; e, em terceiro, na categoria voto popular e na categoria FII de papel com KNHY11. Desde então, avançou de cerca de R$ 130 bilhões sob gestão para R$ 144 bilhões.
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A construção do portfólio, segundo Alves, é predominantemente tática e guiada por relação risco-retorno. “Mesmo em temas seculares, como tecnologia e inteligência artificial, ajustamos a exposição conforme o preço e a volatilidade”, afirma.
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A gestora conta com um time de mais de 50 profissionais que monitora indicadores de emprego, inflação, produtividade, fluxo de capitais e curvas de juros no Brasil e no exterior para embasar as decisões. Para a casa, o segredo para a excelência em diversas frentes – como mostra o reconhecimento obtido na premiação em categorias variadas – é ter como “missão” cumprir o mandato que recebe do cliente. Ou seja, ter a clareza que o “chefe” é o cotista de cada fundo gerido.
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Cenário atual
Nos fundos multimercado, a gestora diminuiu a exposição a ativos brasileiros e passou a concentrar apostas em juros nos Estados Unidos, moedas fortes e metais, buscando capturar movimentos macroeconômicos de maior escala em um ambiente que deve ganhar volatilidade ao longo de 2026.
“O cenário local hoje está mais bipolar e parece oferecer um risco-retorno menos interessante”, pontua Alves. Segundo ele, o aumento da incerteza política e fiscal no Brasil, combinado com a reprecificação dos juros globais, fez a casa priorizar teses internacionais em setores como tecnologia, financeiro, defesa, energia e infraestrutura.
“São ondas que não conseguimos surfar na mesma intensidade no Brasil”
Atualmente, a Kinea reduziu posições aplicadas em juros no Brasil, diante da expectativa de um ciclo gradual de cortes, mas ampliou apostas em alta da curva americana, enquanto mantém posições para queda dos juros no Reino Unido e no México. Em moedas, diminuiu a exposição comprada em real, está vendida em libra esterlina e comprada em dólar, peso mexicano e dólar australiano. Em commodities, o fundo está comprado em ouro, cobre, alumínio e boi nos EUA, e vendido em petróleo e em grãos como algodão, açúcar e trigo. Em ações, reforçou tecnologia e o setor financeiro norte-americano, ao mesmo tempo em que reduziu Brasil.
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“O portfólio busca um equilíbrio entre uma leitura macro de política monetária e crescimento, e temas micro que conseguem se descolar do ambiente global”, resume Alves.
Política fiscal e juros nos EUA ditam o tom
Na visão do gestor, o ambiente internacional ainda não é de estresse, apesar das tensões geopolíticas e das incertezas inflacionárias. Ao contrário: estímulos fiscais e a expectativa de flexibilização monetária nos Estados Unidos criam um pano de fundo favorável para ativos de risco.
“A combinação de política fiscal expansionista, troca na presidência do Fed [Federal Reserve, banco central dos EUA] e o impulso da chamada ‘Big Beautiful Bill’ [pacote de incentivos fiscais] apontam para um reforço do consumo americano. Ter os vetores fiscal e monetário andando na mesma direção é algo raro”, afirma. Para ele, esse cenário sustenta a decisão de manter posições relevantes em ações globais, ainda que protegidas do risco cambial.
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A estratégia, segundo Alves, mistura leitura macro com apostas temáticas. Enquanto juros e moedas seguem uma lógica mais estrutural, ações e commodities são selecionadas com base em histórias específicas. “Não somos um fundo puramente macro. Buscamos descorrelação e fontes diferentes de retorno”, diz.
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Brasil ainda fora do centro das apostas
No front doméstico, a avaliação é que a questão eleitoral ainda não entrou de forma plena na formação de preços, mas deve ganhar peso na segunda metade do período. “Hoje, o Brasil se comporta muito mais como parte do bloco de emergentes do que por fatores micro. Em algum momento isso vai mudar, e a eleição será um gatilho de volatilidade”, afirma.
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Mesmo com a expectativa de cortes de juros a partir de 2026, o gestor vê pouco impacto estrutural nos preços dos ativos se o ambiente político continuar incerto. “Um corte de 250 pontos-base, isoladamente, faz pouca diferença diante do risco eleitoral. Se a moeda estressar, o Banco Central tende a ser mais cauteloso”, avalia. Por isso, a Kinea mantém, por ora, uma postura tática e seletiva em relação ao mercado brasileiro.
Ouro e proteção em um mundo de moedas frágeis
Entre os destaques da carteira, o ouro segue com papel relevante. O metal foi uma das maiores contribuições de retorno dos multimercados no ano passado e continua visto como reserva estrutural de valor. “Vimos vários bancos centrais aumentando compras de ouro. Enquanto moedas podem ser desvalorizadas por decisões de política monetária, o ouro fica fora desse sistema tradicional”, diz.
A exposição internacional, por sua vez, é quase sempre acompanhada de hedge cambial. “Quando compramos bolsa americana, travamos o dólar. Se queremos a moeda, fazemos isso em uma estratégia separada”, explica. Atualmente, a casa mantém posições direcionais em moedas, como a venda de libra, e, em paralelo, posições em ativos globais com proteção contra variação cambial.
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