Portfólio recomendado

As ações mais recomendadas pelos analistas para comprar em maio; BB e Multiplan entram na lista

Bancos e papéis mais ligados à economia doméstica aumentam participação no compilado do InfoMoney deste mês

Por  Bruna Furlani -

As dúvidas em torno da manutenção do crescimento econômico global com os bloqueios na China e a continuação da guerra impactaram profundamente os ativos de risco em abril. Com a forte volatilidade de preços e o primeiro mês de fluxo de capital estrangeiro negativo para a Bolsa, ações de commodities foram colocadas à prova.

Mas, apesar do recuo forte de pouco mais de 10% do Ibovespa em abril, ações de commodities seguem atrativas e a forte oscilação de preços recente parece ser um efeito mais conjuntural, na visão de Fernando Ferreira, Jennie Li e Rebecca Nossig, que fazem parte da equipe da análise da XP.

Com três representantes ligados à produção de matérias-primas, a ação de commodities que liderou as indicações dos analistas em maio foi a Vale (VALE3), com oito recomendações.

Também apareceram os nomes de Suzano (SUZB3) e da Petrobras (PETR4), ambas com quatro recomendações.

Embora empresas ligadas a commodities sigam presentes no compilado de carteiras feito pelo InfoMoney, a novidade do mês está no aumento da presença de ações mais ligadas à economia doméstica, com a entrada da Multiplan (MULT3) e a continuação dos papéis da Arezzo (ARZZ3). Os dois com quatro indicações.

Ao olhar o histórico de carteiras compiladas pelo InfoMoney, é possível perceber que a Multiplan retornou para as recomendações depois de quase um ano. A última vez que o papel tinha aparecido na lista foi em julho de 2021.

Outra novidade está na entrada dos papéis do Banco do Brasil (BBAS3). Eles tinham participado na lista pela última vez em fevereiro de 2021. Com isso, o setor financeiro também aumentou a participação no compilado deste mês, com os papéis do Banco do Brasil e do Itaú Unibanco (ITUB4), que receberam cinco e quatro recomendações, respectivamente.

Embora na passagem de abril para maio tenham entrado duas ações, não houve a saída de nenhum papel. O InfoMoney reúne as carteiras recomendadas de dez casas de investimentos mensalmente, selecionando os cinco nomes mais citados pelas corretoras consultadas. O número pode ser maior, caso haja empate, como foi o caso deste mês.

Confira a seguir as sete ações mais indicadas para maio de 2022, a quantidade de recomendações e o desempenho de cada papel em abril, em 2022 e em 12 meses:

EmpresaTickerNº de recomendaçõesRetorno em abrilRetorno em 2022Retorno em 12 meses
ValeVALE38-12,88%10,94%-13,04%
Itaú Unibanco ITUB45-13,08%14,33%8,64%
SuzanoSUZB34-10,05%-16,48%-25,78%
PetrobrasPETR44-1,06%16,33%66,78%
ArezzoARZZ34-0,79%16,54%18,84%
MultiplanMULT340,69%31,68%8,02%
Banco do BrasilBBAS34-4,27%18,61%21,91%
Ibovespa –-10,10%2,91%-10,15%

Fontes: Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Órama, Santander Corretora, XP Investimentos e Economatica

Veja agora a visão dos analistas, divulgada em relatório, para cada uma das ações recomendadas em maio:

Vale (VALE3)

Mais uma vez na liderança das indicações estão os papéis da Vale. Dessa vez, a ação recebeu oito recomendações. Ao olhar para o preço do papel, a equipe de análise da XP pondera que a queda da cotação do minério de ferro, além da produção abaixo do esperado para o primeiro trimestre deste ano foram os principais fatores que puxaram a cotação da Petrobras para baixo em abril.

Com a recente correção nos preços, o momento atual pode ser um bom ponto de entrada, segundo Ricardo Peretti, estrategista pessoa física do Santander. Em sua justificativa, ele afirmou que o desconto da Vale em relação aos pares globais voltou para o patamar de quase 25%.

Além de estar descontada, a casa espera que a demanda chinesa melhore entre maio e junho e que haja um crescimento fraco da oferta nos próximos anos, o que pode ajudar a mineradora.

Ao comentar sobre os resultados do primeiro trimestre, o estrategista do Santander disse que os números ficaram levemente abaixo das estimativas, com destaque para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado proforma que foi US$ 6,3 bilhões.

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Já do lado positivo, Peretti destacou a aprovação do Conselho de Administração da Vale de um novo programa de recompra de ações (limitado a 500 milhões de ações ou quase 10% do total de ações em circulação, com duração de 18 meses). Em sua visão, isso reforça o foco na remuneração aos acionistas, o que pode levar a uma reação positiva do mercado para as ações da mineradora.

Itaú Unibanco (ITUB4)

Em segundo lugar estão as ações do Itaú Unibanco. O papel está entre os que foram adicionados recentemente na carteira do BB Investimentos. Embora o ambiente seja menos favorável para alguns bancos por causa do aumento da inadimplência, Victor Penna e Wesley Bernabé, do time de análise da casa, apontaram que a instituição apresenta bom momento operacional.

Eles também defenderam que a forte queda no preço das ações abre espaço para um “movimento tático” de risco baixo que o investidor pode fazer para se posicionar no setor financeiro.

Segundo eles, boa parte do recuo recente está ligado ao resultado do Santander (SANB11), que apontou um aumento significativo da inadimplência e preocupou analistas. Tal fenômeno acabou impactando também os demais bancos na Bolsa.

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Penna e Bernabé, no entanto, argumentaram que o resultado do Santander não deve ser estendido em sua totalidade ao Itaú, já que há diferenças em seus balanços, carteira de ativos, e níveis de provisionamento e de inadimplência mais conservadores.

“O Itaú se mostra como um dos bancos mais adaptados ao novo contexto bancário, com avanços significativos na digitalização de sua plataforma, múltiplas parcerias estratégicas, rígido controle de despesas e um robusto histórico de iniciativas sustentáveis”, destacaram os especialistas do BB.

Suzano (SUZB3)

Na terceira colocação empatada com outras cinco ações estão os papéis da Suzano. Para Peretti, do Santander, a companhia de papel e celulose deve ter uma forte geração de caixa neste ano, sendo beneficiada pelo cenário da casa que prevê que o dólar encerre 2022 em R$ 5 e pelo preço da celulose que deve ficar em torno de US$ 630, a tonelada, em média.

A companhia também registrou uma forte redução em seu endividamento, com o múltiplo dívida líquida/Ebitda – que mede o montante gerado por uma companhia que pode ser utilizado para o pagamento das dívidas – passando de 4,3 vezes em 2020 para 2,3 vezes em 2022, segundo as projeções feitas por Peretti.

Para ele, a queda do endividamento pode fazer com que a produtora entre em novos projetos, o que pode agregar valor a empresa, além de permitir que ela melhore a sua escala. Segundo o estrategista, a ação é a preferida no setor de papel e celulose e o preço-alvo no fim deste ano é de R$ 79.

Petrobras PN (PETR4)

Também com quatro recomendações estão as ações preferenciais da Petrobras. Na visão dos analistas da XP, os papéis estão “baratos demais para ignorar”.

Nos cálculos da casa, as ações estão negociando a 2,4 vezes EV/Ebitda – que compara o valor da empresa com sua capacidade de geração de caixa – 12 meses à frente. Tais valores estão abaixo de pares globais que apresentam riscos corporativos, ou que possuem boa governança corporativa.

Ao simular um cenário de maior estresse para os papéis, os analistas da XP disseram que chegaram a um preço justo de R$ 47,80 para as ações preferenciais da petroleira. O que, na visão deles, demostra que boa parte do cenário negativo já está embutido nos preços atuais.

Para o cálculo, eles incluíram o desconto de 15% nos preços de paridade internacional para derivados de petróleo.

Arezzo (ARZZ3)

Outra que recebeu quatro recomendações em maio foram os papéis da Arezzo. Entre os destaques está o fato de que eles terminaram o mês de abril novamente acima do desempenho do Ibovespa.

Para os analistas da XP, a companhia continua a ser um nome de alta qualidade com sólidas perspectivas de crescimento orgânico, por meio de marcas como Ana Capri, Vans e Reserva. Eles também afirmaram que a Arezzo deve se beneficiar da recuperação econômica e se manter mais resiliente do que os pares, por estar mais focada nas classes média e de alta renda.

Destaque também para o modelo robusto de franquias e multimarcas que garantem boa capilaridade para a empresa, segundo os especialistas da XP. Além disso, o fato de que a maior parte da produção é terceirizada é algo interessante porque permite que ela foque no desenvolvimento de todos os seus produtos e na gestão e construção das suas marcas, ponderam os analistas.

Multiplan (MULT3)

Uma das novidades deste mês está nas ações da Multiplan, que também passaram a fazer parte do portfólio da Guide em maio.

De acordo com os analistas da corretora, a companhia mostrou forte retomada em todas as frentes de operação em relação ao patamar antes da pandemia, com evolução na taxa de ocupação e queda da taxa de inadimplência, o que resultou em um ótimo resultado financeiro.

Ao olhar os números do balanço recém-divulgado da empresa, os especialistas da Guide ressaltaram que o same store rent (SSR), comparativo dos aluguéis das mesmas lojas que se encontravam no mesmo local no período atual e no mesmo período do ano anterior, ficou em 54,3% e que o número foi “impressionante”, com um crescimento real de 0,6%.

Para eles, o trimestre mostrou que a Multiplan teve uma recuperação operacional orgânica. Sem contar que os números prévios de abril apontam para continuidade na dinâmica de recuperação dos aluguéis, acrescentaram os analistas.

“Dito isso, vemos Multiplan como um dos top picks setoriais, provando possuir um alto poder de barganha frente a seus lojistas e grande resiliência do portfólio durante a pandemia”, afirmaram os analistas.

Banco do Brasil (BBAS3)

Outra novata na carteira deste mês foram as ações do Banco do Brasil. Embora o papel também tenha sido penalizado em abril, os analistas da XP defenderam que o banco obteve performance superior ao índice Ibovespa no mesmo período.

Os especialista da corretora enfatizaram que o resultado é devido ao perfil mais defensivo da carteira, com baixa inadimplência e maior índice de cobertura do setor. Eles também argumentaram que as ações estão com preços atrativos em relação aos pares.

“Adicionalmente, vemos a sua operação como mais resiliente entre os pares num momento macro ainda desafiador no curto prazo Dito isso, reforçamos a nossa visão positiva para o banco e a nossa recomendação de compra para o papel”, destacaram os analistas da XP.

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