No que investir em julho?

As ações mais recomendadas pelos analistas para comprar em julho; Vale lidera, BB e Multiplan deixam lista

Petrobras e Suzano, com duas estreias cada, reforçam o time das commodities

Por  Márcio Anaya -

Inflação em alta, juros maiores e temor de recessão global. A combinação bombástica disparou a sirene de aversão ao risco e o Ibovespa desabou 11,5% em junho, para 98.542 pontos. Além da marca simbólica de 100 mil pontos, a Bolsa brasileira perdeu também o ganho anual que acumulava até maio. Curiosamente, a variação era positiva em 6% e, no fim do semestre, o prejuízo ficou na mesma casa (5,99%), segundo dados da Economatica.

Em meio às fortes emoções, as corretoras monitoradas pelo InfoMoney fizeram mais trocas nos papéis recomendados em julho (26% do total, contra 18% no mês passado), mas, no final, a lista de destaques permanece concentrada em commodities e bancos.

A Vale (VALE3) retornou a algumas carteiras e permanece no topo das preferências, com oito apontamentos no geral. Petrobras PN (PETR4) e Suzano (SUZB3) aparecem logo a seguir, dividindo a segunda posição da lista com seis escolhas, cada uma, por parte dos especialistas.

O terceiro bloco traz as instituições financeiras, com BTG Pactual Unit (BPAC11) e Itaú Unibanco PN (ITUB4) empatados com cinco indicações.

No comparativo com junho, Banco do Brasil (BBAS3) e Multiplan (MULT3) deixaram o rol de destaques.

Em relatório de estratégia mensal, a Ágora Investimentos destaca que a inflação é um fenômeno mundial e as medidas para combatê-la são as mesmas, o que indica um movimento sincronizado de alta de juros ao redor do planeta.

No Brasil, a corretora avalia que primeiro semestre foi bom em termos de atividade econômica, impulsionado por fatores como normalização de serviços, estímulos fiscais, alta das commodities e melhores números de emprego. “Essa resiliência surpreendeu, mas sabemos também que o impacto dos juros altos chega com defasagem – e isso é esperado para o segundo semestre”, pondera a instituição.

De olho nos próximos meses, a instituição entende que não é hora de o investidor tomar riscos desnecessários, devendo priorizar ativos de qualidade, ações de empresas com maior liquidez (como as blue chips) baixo endividamento, resiliência e boa governança.

O InfoMoney analisa todos os meses as carteiras recomendadas de dez corretoras, apontando as cinco companhias mais citadas pelos especialistas. O número pode ser maior, caso haja empate – como ocorreu no mês passado. Veja a seguir as cinco ações mais indicadas para este mês, a quantidade de recomendações e os desempenhos de cada papel no acumulado de junho, em 2022 e em 12 meses:

TickerEmpresaNº de recomendaçõesRetorno em junhoRetorno em 2022 Retorno em 12 meses
VALE3Vale8-11,191,98-22,51
PETR4Petrobras6-7,0919,5837,59
SUZB3Suzano S.A.6-7,12-15,38-14,96
BPAC11BTG Pactual5-11,967,08-25,66
ITUB4Itau Unibanco5-13,288,73-5,53
Ibovespa-11,50-5,10-21,90

Fontes: Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Órama, Santander Corretora, XP Investimentos e Economatica

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Confira agora os destaques de cada uma das empresas selecionadas para julho, segundo relatórios divulgados pelas corretoras.

Vale (VALE3)

A mineradora não só manteve o posto de mais recomendada pelos especialistas como ampliou sua fatia em relação ao total da amostra. Neste mês, a Vale figura em oito das dez carteiras analisadas, com uma indicação a mais frente a junho, pois retornou à seleção feita pela Guide.

A companhia tem o maior peso relativo (15%) no portfólio preparado pelo BTG Pactual para julho, por exemplo. Em relatório, a instituição afirma que a ação é uma das grandes beneficiadas pela reabertura e reaceleração da economia chinesa nos próximos meses, após uma sequência de lockdowns bastante agressivos nas últimas semanas.

“Em última análise, estamos em um ponto de inflexão na China, embora haja riscos nos próximos meses, e esperamos que os balanços de oferta e demanda fiquem mais apertados”, diz o banco.

O BTG acredita que, no curto prazo, os preços do minério de ferro devem permanecer elevados, por conta dos altos níveis de produção do aço chinês, refletindo estímulos e flexibilização das restrições à poluição. A análise cita ainda a oferta marítima apertada, uma vez que importantes companhias do setor estão tendo dificuldades para estabilizar a produção.

Na opinião do banco, a administração da mineradora segue altamente disciplinada na alocação de capital e, com isso, acredita que a maior parte da agenda da empresa deva ser feita por meio de retornos de caixa aos acionistas.

O BTG estima um dividend yield (rendimento via dividendos) de 15% para a Vale neste ano, incluindo no cálculo o recente anúncio de um programa de recompra de ações por parte da companhia, de aproximadamente US$ 8 bilhões.

Na Guide, a percepção é de que a Vale é uma das principais beneficiadas pelas elevações do preço do minério e do dólar – visto que é forte exportadora. “Além disso, seus produtos possuem um desconto em relação ao minério internacional e, na hipótese de paridade entre esses valores, a empresa conseguiria capitalizar ganhos relativamente maiores que seus concorrentes estrangeiros”.

Petrobras (PETR4)

A segunda colocação na lista das mais indicadas para julho é ocupada por outra gigante da Bolsa, a Petrobras – com seis apontamentos por parte de analistas, mesma quantidade obtida pela Suzano.

Neste mês, os papéis da estatal de petróleo estão entre as novidades escolhidas pela BB Investimentos, que justifica a novidade com base nos seguintes fatores: operacional robusto, persistência de preços elevados do petróleo, boas perspectivas de aumento na produção, elevado potencial de dividendos e múltiplos atrativos.

A corretora pondera, no entanto, que riscos políticos e de oscilações nos preços de commodities seguem no radar.

O relatório da instituição diz que os papéis da Petrobras foram beneficiados pelo forte aumento do petróleo, que se iniciou em 2021 e ganhou força com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, mas a melhora nos resultados não foi acompanhada de uma elevação proporcional nas cotações.

“Entendemos que tal patamar de desconto reflete certa cautela por parte dos investidores devido à possível volatilidade relacionada às eleições presidenciais, algo comum para as ações estatais nesse período, especialmente no atual cenário de intensas discussões domésticas sobre a política de preços da companhia”, afirma o BB.

Na avaliação da corretora, a estrutura de governança da petrolífera, em conjunto com as regras da atual lei das estatais, protege os investidores de eventuais mudanças que possam ser desfavoráveis aos minoritários, incluindo a política de preços.

O BTG, que também recomenda Petrobras em julho, após ter retirado a estatal da carteira por alguns meses, diz que as ações estão baratas e acredita que os fundamentos da empresa podem superar o ruído político.

“Após uma longa sequência de mudanças de CEOs e os cortes de impostos do governo sobre os combustíveis, acreditamos que a pressão política sobre a empresa pode diminuir, embora por um curto período”, afirma o banco.

“Combinado com a expectativa de um anúncio de pagamento de dividendos adicionais nas próximas semanas, isso suporta uma postura mais otimista sobre a tese de investimento em relação ao restante do mercado”.

Suzano (SUZB3)

A Suzano também alcançou seis recomendações de investimento no mês, com a estreia em dois portfólios, da Guide e da BB Investimentos.

Esta última lembra que as exportações brasileiras de celulose já avançam 16% neste ano frente a 2021, como reflexo, principalmente, da manutenção de demanda aquecida nos Estados Unidos e Europa, além da oferta global apertada, em função de gargalos logísticos e menor produção em outros países, entre outras questões.

Tal cenário, diz a corretora, tem favorecido a implementação de sucessivos reajustes de preços de celulose, inclusive nos embarques para a China, onde o consumo da commodity segue enfraquecido, mas dificuldades logísticas têm afetado o nível de estoque no país. O saldo de tudo isso é um ambiente favorável às produtoras brasileiras nas negociações de preços.

“Acreditamos que essa conjuntura deve continuar no curto prazo e que, aliada a um câmbio desvalorizado, mesmo que compensado parcialmente por um ambiente de custos elevados, traz a perspectiva de bons resultados operacionais para a empresa”, afirma o BB.

BTG Pactual (BPAC11)

Outro papel que ganhou espaço no rol de destaques foram as units (cesta de ações) do BTG Pactual, totalizando cinco apontamentos, um a mais em relação a junho.

Em relatório, a Santander Corretora afirma que seus analistas aumentaram recentemente o preço-alvo estimado para BTG neste ano, de R$ 35,00 para R$ 37,00 por unit, após incorporarem aos cálculos uma nova previsão de lucro líquido no período, que subiu de R$ 6,2 bilhões para R$ 7,8 bilhões.

“Melhores projeções em empréstimos corporativos, gestão de ativos e gestão de patrimônio, combinados com a maior remuneração do patrimônio pela recente alta nas taxas de juros, são os principais fatores para as mudanças em nossas estimativas”, explica a instituição.

O Santander lembra ainda que, em videoconferência no início de junho, a administração do BTG reiterou a meta de atingir um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 20% em 2022.

Itaú Unibanco (ITUB4)

Com uma exclusão e uma estreia nas carteiras recomendadas, o Itaú Unibanco manteve as cinco menções recebidas no mês passado e fecha a relação dos papéis preferidos para julho.

A XP Investimentos, que recentemente elevou a recomendação do banco para “compra”, incluiu os ativos em seu portfólio mensal. Em relatório, a instituição classifica o banco como um player bem posicionado e de qualidade.

“Apesar da queda recente [das ações], o Itaú segue com operação mais eficiente entre os grandes bancos brasileiros, o que o coloca em boa posição para navegar o cenário macroeconômico desafiador que está por vir”, diz a análise.

Na avaliação da XP, o Itaú é capaz de continuar expandindo sua carteira de crédito no curto prazo, mantendo a inadimplência em níveis saudáveis, principalmente em razão do seu sólido histórico em ciclos econômicos anteriores.

“Além disso, vemos uma boa exposição as linhas de crédito ao consumo, que possuem rápido crescimento, não exigindo, portanto, mudanças radicais em seu mix de portfólio ou estratégia.”

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