Muito além das "big techs"

Aposta em BDRs de laboratórios e farmacêuticas ganha força, em meio à corrida pela vacina contra Covid-19

Moderna, Gilead, Pfizer, J&J e United Health Group estão nos portfólios de fundos da BB DTVM, Daycoval Asset e Western Asset

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SÃO PAULO – Diante do desempenho destacado das ações das empresas americanas de tecnologia desde março, investidores passaram a questionar nas últimas semanas o nível dos preços no setor, ainda que as perspectivas para as “big techs” possam seguir positivas.

Grandes casas, como o Goldman Sachs, acreditam que as companhias do Vale do Silício podem perder espaço nos portfólios dos investidores para empresas mais ligadas à “velha economia” que ficaram para trás na crise, como as montadoras e os próprios bancos.

Com o provável desenvolvimento de uma vacina que se comprove eficaz contra a Covid-19 nos próximos meses, os laboratórios farmacêuticos também estão entre as principais apostas de casas como BB DTVM, Daycoval Asset e Western Asset nas bolsas globais.

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“Com todo investimento que foi feito em pesquisa e desenvolvimento, acredito que podemos estar no início de um novo ciclo de inovação nos setores de saúde e no de biotecnologia”, afirma Vinicius Vieira, gestor da BB DTVM.

Por ter entrado no radar quase diário dos investidores globais, que acompanham com lupa qualquer sinalização sobre novos e promissores testes contra o coronavírus, as empresas do setor de saúde tiveram uma performance destacada no conturbado ano de 2020.

O Nasdaq Biotecnologia Index (NBI), índice da bolsa americana que reúne cerca de 200 ações de empresas do nicho, sobe 12,4% de janeiro a setembro, ainda que abaixo dos ganhos aproximados de 25% do benchmark mais amplo Nasdaq, impulsionado pelas empresas de tecnologia.

Já o índice S&P 500 Health Care, com 60 ações, avança 3,6% no intervalo, enquanto o S&P 500 sobe 4%.

Para aproveitar o momento favorável para laboratórios que trabalham no desenvolvimento das vacinas, como o Regeneron, a BB DTVM lançou neste mês o fundo “BB Ações US Biotech BDR Nível I”, que protege o investidor da variação cambial.

Os BDRs da Regeneron, empresa que ganhou as manchetes nas últimas semanas por ser a fabricante de um medicamento usado no coquetel do presidente americano Donald Trump, sobem 178% nos 12 meses encerrados em setembro.

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Vieira explica que o portfólio da BB DTVM faz um mix entre empresas com maior foco em inovação, como os laboratórios citados e nomes como Gilead e Amgen, e companhias de maior porte, como os grandes grupos farmacêuticos Pfizer, Merck e Johnson & Johnson.

Para serem elegíveis ao portfólio do fundo da casa, as ações precisam fazer parte dos principais benchmarks globais segmentados, como o S&P Health Care, o S&P Biotecnologia ou o Nasdaq Biotecnologia.

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“Pela natureza do negócio, que é muito baseado em pesquisa e desenvolvimento, as ações das empresas de biotecnologia costumam ter um comportamento mais volátil, e as das grandes farmacêuticas ajudam a mitigar o risco”, afirma o gestor da BB DTVM.

A Daycoval Asset também está de olho nesse nicho de mercado.

“Gostamos do setor de biotecnologia, e não apenas pela vacina da Covid-19”, diz Anand Kishore, gestor de renda variável da gestora, que tem Johnson & Johnson e Gilead entre os nomes na carteira do fundo de BDRs da casa. A carteira, que captura a oscilação cambial, foi lançada ao fim de janeiro e tem alta de 40% até setembro.

Segundo o indiano radicado no Brasil, as empresas do ramo da saúde têm a seu favor a barreira de entrada alta, uma vez que, após a descoberta e o registro de uma patente, elas detêm a exclusividade pela comercialização do produto ao longo de alguns anos.

Estímulos

Na Western Asset, o gestor Mauricio Lima diz que o setor de saúde também é uma das principais apostas no portfólio do fundo de BDRs, junto com tecnologia e consumo não essencial.

“Gostamos de empresas que desenvolvem medicamentos ou que estão atreladas ao segmento de alguma forma”, afirma Lima, que cita como exemplos na carteira a Amgen, especializada na utilização de células vivas para desenvolver medicamentos biológicos, além da empresa de planos de saúde United Health Group e da Thermo Fisher Scientific, que fabrica equipamentos hospitalares.

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Graças principalmente ao setor de tecnologia das bolsas americanas, e ao câmbio, o fundo de BDRs da Western Asset sobe 65%, de janeiro a setembro.

Seja para o setor de saúde ou para o de tecnologia, que segue como a maior aposta da Western, a manutenção da taxa básica de juros nos EUA em níveis baixos por um período prolongado tende a contribuir para dar sustentação aos preços das ações, diz Lima.

Mas para além da própria Covid-19, o gestor acredita que a bolsa americana pode estar mais sujeita à volatilidade nas próximas semanas por conta da eleição presidencial nos EUA, prevista para o dia 3 de novembro.

Já em um horizonte um pouco maior de tempo, mirando 2021, as perspectivas seguem positivas, na avaliação da Western.

Por isso, mesmo com a queda de setembro, o setor de tecnologia ainda representa a maior parte, ou aproximadamente 30% do portfólio, seguido pelo de bens não essenciais (com 20%), com nomes como Advance Auto Parts, Booking Holdings e Home Depot, e pelo de saúde, com cerca de 15%.

Tirando o atraso

Em relação ao setor de consumo, a avaliação da Western é a de que os papéis podem tirar parte do atraso em relação às “big techs”, com os sinais de reaquecimento da atividade proporcionado pelos estímulos econômicos do governo.

Na Daycoval Asset, Kishore também está de olho nas oportunidades em ativos que não tiveram o mesmo desempenho destacado das empresas de tecnologia, casos de grandes varejistas como Walmart e Best Buy, ou do setor financeiro.

O gestor vê com bons olhos o preço com que estão sendo negociados conglomerados do porte de JP Morgan, Goldman Sachs e Bank of America. “O setor está muito descontado”, afirma Kishore, que acredita que o tamanho do pacote de estímulos fiscais do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) vai contribuir para o desempenho positivo do setor.

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No caso das ações de tecnologia, o gestor da Daycoval carrega no portfólio, desde o início do fundo, nomes como Amazon, NetFlix, Apple e Tesla. “No curto prazo, vemos uma nuvem cinza pela questão regulatória para os papéis de tecnologia, mas a tendência para os próximos anos ainda é de muito crescimento.”

Novos BDRs

Para o investidor que quiser manter algum distanciamento em relação ao pleito americano, a Vitreo lançou neste mês o fundo “Vitreo Tech Asia FIA BDR Nível I”.

Na carteira do fundo, estão nomes como Baidu, Alibaba e Taiwan Semiconductor. O Ant Group, o braço de serviços financeiros da Alibaba, que deve realizar o IPO nas próximas semanas, também será incluído na carteira.

Até então, o universo de BDRs asiáticos à disposição do investidor local representava uma fração do total da B3, com menos de dez recibos disponíveis.

A partir da próxima segunda-feira (19/10), no entanto, estreiam 72 BDRs, sendo 15 apenas da China. E o restante é de empresas da Europa, África ou América Latina, tais como BHP, Ryanair, Weibo, AstraZeneca, Novartis, Unilever, Credit Suisse, HSBC, Royal Dutch Shell e Mitsubishi UFJ Financial Group.

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Com as estreias, o número de certificados que representam ações emitidas por empresas em outros países, mas negociados na B3, vai saltar para 671, bem acima das cerca de 350 ações de empresas brasileiras na Bolsa.

Entre os nomes latino-americanos da lista, destaque para o Banco Santander Chile e a colombiana Ecopetrol, além da mexicana América Móvil.

Na última semana, 50 BDRs já haviam estreado na B3, mas ainda com predominância dos EUA, com nomes de destaque no noticiário recente, como do laboratório Moderna e da plataforma Zoom Communications.

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