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SÃO PAULO – Muita coisa mudou nos últimos anos com relação à forma com que o brasileiro encara suas finanças pessoais. O controle da inflação permitiu um planejamento mais eficiente de suas contas, enquanto a reforma previdenciária de 1998 introduziu no mercado novos produtos: os planos de previdência.
Novos produtos dificultam a escolha
Se na época a escolha era mais fácil, já que só existiam praticamente dois tipos de produtos (PGBL e plano tradicional), agora a situação é outra. No ano passado, foi introduzida uma nova família de produtos, a dos VGBLs (Vida Gerador de Benefício Livre), que funciona exatamente como um plano de previdência onde se tem a possibilidade de contratar cobertura de seguro de vida. Além disto, a família dos PGBLs ganhou novos produtos, que buscam atender a uma gama maior de investidores.
Não há como negar que os PGBLs (Plano Gerador de Benefício Livre) vieram inovar em um mercado carente de produtos de investimento de longo prazo, como era o caso do Brasil. Para os poucos que pensavam em poupar com o objetivo de garantir uma aposentadoria tranqüila, os imóveis eram de longe a opção preferida, pois contavam com a receita de aluguéis para complementar seus rendimentos.
Estabelecendo objetivos
Passados pouco mais de quatro anos desde a introdução dos PGBLs, não é difícil verificar que esta percepção ainda prevalece, apesar de muitos brasileiros já buscarem nos planos de previdência uma garantia de renda futura. Se você faz parte deste grupo, antes de se perder no meio de tantos produtos o melhor é definir suas necessidades.
Se ainda não acumulou o suficiente e está começando a investir agora, mas ainda não tem dependente, ou seja, é solteiro e não tem filhos, ainda não é hora de pensar nos planos de previdência. Sua melhor estratégia é continuar aplicando o seu dinheiro nos fundos de investimento tradicionais, porque estes cobram taxas relativamente mais baixas do que os fundos de previdência, permitindo um retorno mais atrativo.
Por outro lado, se você já é casado e está pensando em ter filhos, independente da idade, já está na hora de pensar em um tipo de previdência. A escolha entre os planos tradicionais, PGBLs os novos VGBLs vai depender inteiramente do quanto você acumulou e do nível de renda que quer garantir no futuro.
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Escolhendo entre previdência e seguros
Se você não paga imposto ou faz declaração de IR pela declaração simplificada, não é possível se beneficiar com a dedução do imposto de renda a pagar oferecida pelos PGBLs e planos tradicionais.
Nestes planos, o valor das contribuições feitas ao plano pode ser deduzido da sua conta de IR até um valor máximo de 12% do valor da sua renda bruta anual. Portanto, se você tem um salário de R$ 5 mil por mês, isto significa que sua renda anual é de R$ 60 mil e que poderá deduzir até R$ 7,2 mil (ou 12% de R$ 60 mil) do seu imposto a pagar.
Por outro lado, se você ganha menos de R$ 1.058, novo limite de isenção de IR, ou paga imposto com base na declaração simplificada, as deduções não são permitidas e você não tem como se beneficiar dos descontos permitidos pelos PGBLs e planos tradicionais. Isto significa que provavelmente ainda não acumulou o suficiente, portanto se eventualmente vier a falecer, seus dependentes estarão desamparados.
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Mas não é preciso se desesperar, pois são poucas as pessoas abaixo dos 35 anos que já se encontram com a situação financeira estabilizada. Quase todas as economias acabam indo para a compra da casa própria e manutenção de um padrão de vida adequado para a família.
Neste caso, opte pelos planos de previdência com cobertura de seguro de vida, os VGBLs. Além da garantia de uma renda vitalícia depois de se aposentar, você também garante que sua família receba uma quantia em dinheiro em caso de seu falecimento.
Ao contrário dos planos de previdência, nos VGBLs não é possível deduzir o imposto a pagar durante a fase em que está investindo. Em contrapartida, ao se aposentar e sacar o dinheiro aplicado você irá pagar menos imposto do que pagaria se houvesse aplicado nos planos de previdência. Isto porque ao invés de pagarem impostos sobre o valor aplicado e os rendimentos obtidos, pagará impostos somente sobre os rendimentos obtidos.
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Fazendo as contas
Imagine, por exemplo, que durante 20 anos de aplicações mensais de R$ 500 você finalmente se aposentou e vai sacar o dinheiro obtido, seja de uma vez ou através do recebimento de uma renda mensal.
Suponha também que o seu plano rendeu algo como 10% ao ano, o que equivale a cerca de 0,80% ao mês. Também não se esqueça de descontar cerca de 5% do valor das aplicações mensais a título de taxa de carregamento. Com base nisto, ao se aposentar você teria acumulado cerca de R$ 343 mil.
Caso tivesse aplicado em um plano do tipo PGBL ou plano tradicional, teria que pagar imposto sobre o valor total acumulado (R$ 343 mil), enquanto no caso dos seguros de vida com opção de previdência você só pagaria imposto sobre os R$ 223 mil em juros acumulados no período.
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Não se esqueça, entretanto, que durante os vinte anos de poupança você pôde deduzir pelo menos parte destas contribuições do seu imposto a pagar. Quanto maior a sua renda, maior a dedução permitida e maior, portanto, os benefícios fiscais de dedução das contribuições.
Por isto, a decisão depende basicamente do quanto você acredita que possa economizar com a possibilidade de deduzir parte do IR durante os vinte anos em que contribuiu para os planos. No exemplo acima, se as economias foram de mais de R$ 120 mil, vale a pena optar pelos planos de previdência.
Diversificação com o passar do tempo
Também é possível começar com os seguros enquanto você ainda não acumulou o suficiente para poder deduzir IR, e depois ao longo da vida complementar esta aplicação com outras em um plano de previdência. Uma alternativa interessante é a diversificação.
Ao invés de aplicar durante vinte anos em um mesmo plano, depois de passados cinco anos, quando já tiver acumulado o suficiente no primeiro plano, talvez valha a pena rever sua estratégia e investir em outro plano ou seguro de perfil diferente.
Talvez em cinco anos você já tenha acumulado o suficiente, a ponto de não valer mais a pena investir em um seguro com opção de previdência, mas apenas em um plano de previdência. Se todo o dinheiro que você aplicou até então foi em renda fixa, talvez esteja na hora de direcionar as novas aplicações para planos um pouco mais agressivos, que além de renda fixa investem em ações.