Aposentadoria: estresse machuca parte dos fundos de previdência de renda fixa – e outros aproveitam juro alto

Subclasse com pior desempenho registrou perdas de -0,57% em fevereiro, enquanto a que se saiu melhor ganhou 1,27%; CDI avançou 0,87% no período

Bruna Furlani

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A avalanche de notícias envolvendo empresas como Americanas (AMER3), Light (LIGT3), Marisa (AMAR3) e CVC (CVCB3) deixou marcas nos fundos de previdência do tipo renda fixa. Das 14 subclasses de fundos do tipo, seis tiveram desempenho abaixo da taxa do CDI – indicador de referência para a renda fixa – em fevereiro, até dia 27.

Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

A subclasse com pior desempenho foi “duração alta crédito livre”, que registrou perdas de -0,57% no mês, enquanto o CDI avançou 0,87% no mesmo período.

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Por outro lado, fundos de previdência de renda fixa dos tipos “indexados”, “grau de investimento” (que dão preferência para papéis de empresas com baixo risco de crédito) e “soberanos” (que investem prioritariamente em títulos do governo federal) apresentaram retornos superiores ao CDI.

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Os destaques ficaram com os fundos do tipo “data alvo”, com rentabilidade de 1,51% entre os dias 1º e 27 de fevereiro, e para os do tipo “duração média soberano”, com retorno de 1,37% no mesmo período. Confira a lista completa abaixo:

Fundos de previdência renda fixa Retorno em fevereiro (%)
Previdência Renda Fixa Indexados 1,27
Previdência Renda Fixa Duração Baixa Soberano 0,88
Previdência Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento 0,72
Previdência Renda Fixa Duração Baixa Crédito Livre 0,47
Previdência Renda Fixa Duração Média Soberano 1,37
Previdência Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento 0,90
Previdência Renda Fixa Duração Média Crédito Livre 0,34
Previdência Renda Fixa Duração Alta Soberano 0,95
Previdência Renda Fixa Duração Alta Grau de Investimento 0,94
Previdência Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre (7) -0,57
Previdência Renda Fixa Duração Livre Soberano 0,98
Previdência Renda Fixa Duração Livre Grau de Investimento 0,79
Previdência Renda Fixa Duração Livre Crédito Livre 0,52
Previdência Renda Fixa Data Alvo 1,51

Fonte: Anbima. Obs: dados até 27/02/23.

Se a análise englobar os retornos acumulados em 2023, até o dia 27 de fevereiro, a diferença aumenta. Enquanto alguns fundos alocados em títulos soberanos avançaram até 2,69%, fundos com crédito livre na carteira tiveram perdas de até 1,16%. No mesmo período, o CDI avançou 2%. Veja os detalhes abaixo:

Fundos de previdência de renda fixa Retorno acumulado em 2023 (%) 
Previdência Renda Fixa Indexados 1,56
Previdência Renda Fixa Duração Baixa Soberano 2,02
Previdência Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento 1,76
Previdência Renda Fixa Duração Baixa Crédito Livre 1,10
Previdência Renda Fixa Duração Média Soberano 2,69
Previdência Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento 1,89
Previdência Renda Fixa Duração Média Crédito Livre 0,17
Previdência Renda Fixa Duração Alta Soberano 1,98
Previdência Renda Fixa Duração Alta Grau de Investimento 1,70
Previdência Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre (7) -1,16
Previdência Renda Fixa Duração Livre Soberano 1,41
Previdência Renda Fixa Duração Livre Grau de Investimento 1,64
Previdência Renda Fixa Duração Livre Crédito Livre 1,12
Previdência Renda Fixa Data Alvo 1,64

Fonte: Anbima. Obs: dados até 27/02/23.

O desempenho aquém do índice de referência de alguns fundos de previdência do tipo renda fixa está ligado à marcação a mercado das cotas – atualização diária do valor dos ativos feita pelos fundos, de acordo com as condições vigentes de negociação.

Nos últimos dois meses, a elevação dos spreads (juros adicionais que um ativo de crédito oferece em relação aos títulos públicos, considerados de baixo risco) no mercado secundário levou a uma reprecificação de vários ativos de crédito.

Nesse período, papéis diversos viram o preço desabar com a subida das taxas. Como consequência, as cotas dos fundos tanto de renda fixa quanto de previdência com foco na renda fixa foram afetadas.

Em carta mensal divulgada nesta semana, a Occam Brasil destacou que o spread médio das debêntures que compõe o IDA-DI – índice que compreende apenas as que possuem retorno indexado ao CDI – atingiu o nível de 216 pontos-base (2,16 pontos percentuais), contra 172 pontos-base (1,72 pontos percentuais) no início do ano, ao excluir os ativos de Lojas Americanas e Light dos cálculos.

“Quando o mercado já se recuperava do impacto negativo decorrente de Lojas Americanas, tivemos um segundo evento que foi determinante no comportamento de preços ao longo de fevereiro”, destaca a casa. O efeito é reflexo da confirmação de que a Light contratou assessores externos para auxiliá-la na adequação da estrutura de capital da companhia no início de fevereiro.

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Ainda que o evento Light seja distinto da inconsistência contábil das Americanas e tenha maior probabilidade de ser remediado, na visão da Occam, a gestora alerta que acabou provocando uma nova onda de resgates nos fundos de crédito e novo estresse no mercado secundário.

A forte volatilidade gerada, no entanto, não foi totalmente negativa para o mercado. O evento trouxe também oportunidades. Em fevereiro, a Occam afirma que aproveitou o caixa excedente do seu fundo para montar posições pontuais em empresas com baixo risco de crédito.

“Em nossa visão, o nível de spread atual já se mostra atrativo e estamos vendo sinais de estabilização de preços nos papéis mais defensivos”, diz a carta. “Como exemplo, destacamos que algumas companhias de baixo risco vêm sondando o mercado e com boas perspectivas de captarem com prazos entre 1 e 3 anos”.