Após tombo em abril, multimercados da Legacy, Ibiuna e Verde se recuperam em maio

Em carta enviada a clientes, uma das casas pontuou que houve descompressão das tensões presentes em abril, o que resultou em um ambiente mais favorável para ativos de risco no mês passado

Bruna Furlani

Painel de cotações na B3. Fonte: REUTERS/Amanda Perobelli
Painel de cotações na B3. Fonte: REUTERS/Amanda Perobelli

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Depois de a indústria de multimercados de gestão ativa registrar em abril o pior retorno médio mensal desde novembro de 2022, os maiores fundos de gestoras renomadas, como Legacy Capital, Ibiuna Investimentos, Kapitalo e Verde Asset Management voltaram a apresentar ganhos em maio.

Em carta enviada a clientes, a Legacy destacou que, no mês passado, houve uma “descompressão das tensões” presentes em abril, o que resultou em um ambiente mais favorável para ativos de risco. Segundo a casa, os maiores destaques ficaram por conta do desempenho da Bolsa americana e das commodities metálicas, o que ajudou a impulsionar os ganhos de 0,46% do maior fundo da casa, o Legacy Capital FIC FIM. A título de comparação, em abril, o produto tinha oferecido um retorno negativo de -2,36%.

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Em maio, o Nasdaq avançou 6,88%, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones subiram 4,80% e 2,30%, respectivamente. O mês passado também foi positivo para o minério de ferro, que teve alta de 6,0%, além de outras commodities, como soja (+3,6%) e ouro (+1,8%).

Ganhos com moedas

De acordo com a Legacy, posições em moedas, com destaque para alocações vendidas (que se beneficiam da desvalorização) em dólar, além de operações compradas em ativos externos e vendidas em ativos locais foram as principais contribuições positivas para o mês passado.

Uma exposição a moedas, com ênfase em uma alocação comprada (que se beneficia da valorização) em dólar contra real, também trouxe bons frutos para o fundo Verde em maio, que avançou 2,53% — bem acima dos 0,83% do CDI (taxa de referência da classe). Em abril, o fundo carro-chefe da casa entregou um retorno negativo de -3,83%.

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Em carta a clientes, a gestora comandada por Luis Stuhlberger ressaltou que a moeda americana apresentou valorização contra o real pelo quinto mês consecutivo e que o mercado brasileiro seguiu numa trajetória de aumento de prêmio de risco.

“A política fiscal se mantém refém de um Executivo que não quer parar de gastar e de um Legislativo que sinaliza não querer entregar mais novas receitas. Deste conflito, nascem os altos prêmios de risco dos ativos brasileiros”, alertou a gestora.

Mais uma redução de Bolsa local no Verde

Dada a contínua piora do cenário no Brasil, a Verde informou ainda que diminuiu — mais uma vez — a alocação em Bolsa brasileira, de 10% para 7,5%. Em evento para investidores no começo de maio, a gestora de Luis Stuhlberger já havia reduzido a exposição a ações locais, de 15% para 10%.

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A nova redução veio após a posição em Bolsa Brasil ter puxado as maiores perdas para o fundo Verde em maio. Por outro lado, a casa ganhou com exposições a ações globais e inflação implícita no Brasil.

Mas houve quem conseguiu se beneficiar de algumas posições em ações locais, que tiveram ganhos em maio, como papéis de consumo, transporte, logística, saúde, concessões públicas, educação, mineração e siderurgia, como o Kappa, da Kapitalo. No mês passado, o fundo obteve retornos de 1,65% no mês passado. O resultado foi bem melhor do que as perdas de -4,08% obtidas pelo produto em abril.

Juros trazem bons ganhos em maio

Já posições em juros foram o destaque dentro do Ibiuna Hedge, um dos maiores fundos dentro da Ibiuna Investimentos. Em carta, a gestora destacou que alocações aplicadas (que ganham com o recuo) em curvas de juros de países emergentes e em juro real no Brasil foram responsáveis pela maior contribuição para o fundo no mês passado, que avançou 1,08%. Em abril, o produto entregou um retorno de -3,81%.

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No documento, a Ibiuna afirmou que, diante da dificuldade existente em se estimar a taxa de juros neutra (que nem estimula nem contrai a economia) nos Estados Unidos, a expectativa é que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) poderá se mover de maneira cautelosa e sem pressa para um eventual início do ciclo de cortes de juros, o que deverá ocorrer em dezembro.

Na última quarta-feira (12), o Fed optou por manter os juros nos Estados Unidos entre 5,25% e 5,50% e indicou que deve realizar apenas um corte neste ano. Ainda que os EUA demorem mais para reduzir os juros no país, a Ibiuna pondera que boa parte das economias emergentes e do mundo desenvolvido estão com uma trajetória mais “benigna” da inflação e sem a resiliência da economia americana, o que sugere um relaxamento das condições monetárias antes mesmo dos americanos.

Nesse caso, a casa diz que está de olho em oportunidades em juros e moedas para aproveitar o espaço existente para cortes de juros nas dez maiores economias do globo, assim como na diferenciação dos ciclos monetários ao redor do mundo.