Após superar fim da FTX, Solana quer crescer no Brasil: “Temos dinheiro para isso”

Criptomoeda que disparou 15 vezes e virou a quinta maior do mundo em um ano e meio tem capital para alocar em projetos no país, diz head de estratégia da Solana Foundation

Paulo Barros

Austin Federa, head de estratégia da Solana Foundation, durante participação na Consensus 2024 (Foto: Paulo Barros/InfoMoney)

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A criptomoeda Solana (SOL) ressurgiu das cinzas que sobraram após o colapso da FTX e da prisão do fundador Sam Bankman-Fried, o mais conhecido de seus apoiadores. Em cerca de um ano e meio desde o pico da crise que levou a moeda a menos de US$ 10, ela agora é negociada por mais de US$ 160 e se consolidou como a quinta mais valiosa do mundo. No entanto, vem ganhando tração principalmente com memecoins, vistas como incapazes de criar sustentação para o longo prazo. 

Apenas no mês passado, cerca de meio milhão de tokens foram criados na Solana – a maioria memecoins. “Na Solana não há meio termo. As memecoins estão no lado que representa a diversão, de pessoas que acreditam nesta tecnologia, mas estão aqui principalmente para serem ‘degenarados’. Chegamos a alcançar o pico de 20.000 memecoins criadas por dia”, falou Austin Federa, head de estratégia da Solana Foundation, ao InfoMoney

Ele reconhece que quase todos os tokens não sobreviverão, mas enxerga o movimento como um teste de projetos em larga escala. “Tudo bem que, dessas, 99,999% falham e não levam a lugar nenhum. Mas muitas sobrevivem e se tornam moedas de comunidades, como Shiba, Bonk e Doge”, conta, citando criptomoedas criadas nos últimos anos que, somadas, valem hoje quase US$ 40 bilhões. “Elas, e até o Bitcoin, eram no início ideias malucas e que agora são comunidades que superaram a fase do meme”.

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A maior parte do trabalho da Solana Foundation consiste em fazer doações e investir na construção de software que ainda não têm viabilidade econômica. O projeto ainda tem pouca penetração no Brasil, onde a rival Ethereum (ETH) é mais popular entre desenvolvedores, mas trabalha para mudar esse cenário. 

“Temos dinheiro, e podemos apoiar desenvolvedores e comunidades que estão sendo construídas no Brasil. Eles sabem o que o mercado precisa. A tecnologia é culturalmente agnóstica, mas a aplicação dessa tecnologia é quase sempre uma dependência cultural. Por isso, a ideia é trabalhar com pessoas que realmente são da região”, afirmou Federa.

O crescimento de um projeto como a Solana depende diretamente do surgimento de novos casos de uso: quanto mais gente utilizando, mais demanda o token SOL ganha, potencialmente empurrando seu preço. Mas, para isso acontecer, antes é necessário que desenvolvedores se interessem pela plataforma, e atraí-los não é tarefa fácil. Quem trabalha com Ethereum, por exemplo, precisaria aprender outra linguagem para começar a programar na Solana, o que leva tempo.

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Para Federa, no entanto, o mercado é tão novo que isso não deve ter papel tão decisivo para o crescimento do projeto. “A maioria dos desenvolvedores que chegam à rede Solana, na verdade, não começaram a programar no Ethereum. A maioria é nova em blockchain. Às vezes temos desenvolvedores seniores que passaram os últimos oito anos trabalhando em empresas da Web 2.0, em cargos altos, e que uma hora decidem que querem passar a trabalhar com blockchain”, conta. 

Ele não revela valores investidos pela fundação para impulsionar a criptomoeda, mas minimiza a pressão de concorrentes. Além do Ethereum, outras blockchains como Polkadot (DOT) e Stellar (XLM) tentam ganhar espaço.

“O mercado global de cripto ainda é minúsculo. Em uma escala global, há tão poucos usuários realmente transacionando e usando blockchain que há muito espaço para aumentar o bolo sem realmente se preocupar [com a concorrência]. Nosso foco está em deixar a Solana com o melhor desempenho possível”.

Paulo Barros

Editor de Investimentos