Após rebaixar a Bolsa, UBS aponta “canário da mina” para o investidor brasileiro

UBS ficou mais cauteloso com ativos brasileiros, e alerta para um cenário mais desafiador com a proximidade das eleições — que pode ser ponto crítico para o dólar

Angelo Pavini

Ativos mencionados na matéria

Luciano Telo, CIO do UBS Wealth Management (Foto: Divulgação)
Luciano Telo, CIO do UBS Wealth Management (Foto: Divulgação)

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O investidor deve ficar atento ao comportamento do dólar nos próximos meses. É o alerta de Luciano Telo, executivo-chefe de investimentos do UBS Wealth Management no Brasil, braço de gestão de fortunas do banco suíço.

Para ele, a moeda americana será o “canário de mina” do mercado, podendo sinalizar uma piora das condições locais. “O câmbio é a variável para se observar nos próximos meses e, se o real não seguir o caminho das moedas de outros emergentes, é preciso cuidado”, explica.

Hoje, o investidor estrangeiro não está muito preocupado com o cenário local, e o brasileiro segue confortável diante dos juros reais elevados, afirma Telo. As eleições, porém, podem ser fator de desequilíbrio.

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“O ambiente global deve continuar favorável para os emergentes, o que dará tempo para o vencedor apresentar um plano econômico de ajuste”, afirma Telo. “Mas se o país não conseguir sinalizar uma melhora para a sustentabilidade da relação dívida/PIB, podem surgir pressões sobre a moeda brasileira, a inflação e os mercados”, alerta.

Leia também: XP eleva projeção da Selic a 14% e inflação em 5,3% para o fim de 2026

Menos Brasil, mais IA

O banco ficou mais cauteloso com a bolsa brasileira nesta semana após sinais de que os juros locais não cairão tanto neste ano, pressionados pela guerra no Irã e seu impacto nos preços do petróleo, além da atividade econômica forte que mantém a inflação elevada.

Telo observa que o cenário já não é tão favorável para os emergentes como no começo do ano, diante da recuperação das ações de tecnologia americanas, que voltaram a disparar em maio, e dos mega IPOs que estão atraindo recursos do mundo inteiro para os EUA.

Por isso, o UBS recomendou aos clientes embolsar parte dos ganhos deste ano na bolsa brasileira e não cogita aumentar a exposição local, concentrando as recomendações em ações de commodities, especialmente Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3).

Mas o banco não ficou negativo apenas com a bolsa local. O UBS também reduziu a posição em fundos multimercados, de 25% da carteira recomendada para 20%, e ampliou a parcela em bolsas internacionais, especialmente a americana, com foco no setor de Inteligência Artificial (IA).

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O receio de uma bolha no setor diminuiu diante dos bons resultados apresentados pelas empresas no primeiro trimestre, que mostram capacidade de bancar boa parte dos investimentos com recursos próprios, sem depender apenas de endividamento. O nível de lucratividade das empresas de tecnologia diferencia o momento atual da Bolha da Internet dos anos 2000.

“Vamos ter vencedores e perdedores [em IA]. Algumas empresas podem ficar no caminho, mas o ganho final deve ser maior que as eventuais perdas.”

— Luciano Telo, executivo-chefe de Investimentos do UBS Wealth Management no Brasil

O banco também recomendou diversificar nas bolsas internacionais com companhias que integram a cadeia de produção de tecnologia, como fornecedoras de insumos ou de energia para os grandes centros de processamento em construção, além de setores que se beneficiarão indiretamente dos ganhos de produtividade da IA, como o bancário.

Regionalmente, o UBS está diversificando com bolsas da Ásia, incluindo fornecedores de equipamentos e bens duráveis ligados a tecnologia da Coreia do Sul, insumos de Taiwan e IA da China.

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Proteção em reais

Apesar da atratividade das bolsas internacionais, Telo explica que o investimento no exterior recomendado aos clientes locais é feito em reais, com proteção cambial que neutraliza a exposição ao dólar. Não se trata apenas de confiança na força do real, mas de uma oportunidade de ganhar com o juro do cupom cambial, que remunera o investidor pela diferença entre os juros brasileiros e americanos e aumenta o retorno dos investimentos.

O banco vê oportunidades também em renda fixa local atrelada à inflação, mas de menor prazo, com vencimentos até 2035, aproveitando os ganhos com a alta recente do IPCA e com a expectativa de uma queda dos juros longos no futuro, mesmo que os juros curtos não recuem agora.

O nível de juros acima da inflação nesses títulos é elevado, e eles carregam como potencial de valorização a possibilidade de algum ajuste das taxas para baixo no próximo governo, a partir de alguma medida fiscal que permita menor pressão sobre a dívida pública.

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