Após decisão do Copom, consenso de Selic inalterada segue até meados de 2010

No entanto, analistas chamam atenção para acompanhamento da economia brasileira durante os próximos trimestres

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SÃO PAULO – Sem surpresas, a interrupção do ciclo de cortes na Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária) já era aguardada pelos analistas de mercado. Na véspera, a autoridade monetária optou por manter inalterado o patamar de 8,75% ao ano para a taxa básica de juro brasileira, sem viés e por unanimidade.

O comunicado oficial do Banco Central apontou que a decisão de manter a Selic inalterada levou em conta, principalmente, os efeitos defasados do corte de juros já implementado desde o início do ano e o elevado grau de ociosidade de recursos produtivos.

Em consenso, os analistas acreditam que a autoridade monetária brasileira sinalizou que a Selic permanecerá no atual patamar por um longo período, ao menos até a primeira metade de 2010. “O comunicado sugere que o BC está satisfeito com o nível atual da Selic, que está permitindo a retomada da atividade sem criar riscos inflacionários”, segundo a análise do Banco Schahin.

A equipe da LCA, por sua vez, acredita que a taxa de juros brasileira deve se manter no atual patamar no restante de 2009 e ao longo de todo o próximo ano. A consultoria destaca que suas projeções levam em conta, por exemplo, a consolidação de uma benigna conjuntura internacional, assim como a recuperação relevante da atividade doméstica e uma provável aceleração da formação bruta de capital fixo ainda este ano.

Já a análise da Austin Rating diz que havia espaço para redução da Selic, uma vez que tanto os fatores condicionais (nível de atividade) como os fatores determinantes (expectativa para a taxa de inflação futura) autorizavam a queda sem comprometer o cumprimento da meta. No entanto, o colegiado optou por não avançar a “fronteira do desconhecido”.

Risco

Sobre riscos inflacionários para o futuro, os analistas do Banco Schahin alertam que será preciso acompanhar como a economia do País irá reagir ao novo nível dos juros internos, “ou em outras palavras, o ritmo que se dará o fechamento do hiato do produto”.

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A Austin Rating também chama atenção para riscos. “Por enquanto, o risco de a taxa de inflação sair do controle é muito baixo, mas não desprezível. A autoridade monetária pode ser surpreendida, e ter que subir a taxa de juros antes do esperado. (…) Isso porque, é fato que as ações de estímulo à atividade econômica (…) terão seus efeitos expansionistas concentrados justamente no final deste ano e início de 2010. Daí o alerta!”, concluiu a Austin Rating.

A ata da reunião do Copom será divulgada na próxima quinta-feira (10) e, segundo os analistas, não deve trazer mudanças significativas nas expectativas do mercados para a evolução futura da Selic.