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O ouro teve em 2025 um de seus melhores anos da história – e, como quase tudo no mundo, sem uma razão única que explique. Mas o ataque dos EUA à Venezuela ilustra um deles: a instabilidade. O metal subiu até 2,3% nesta segunda-feira (5), ultrapassando os US$ 4.430 a onça, em meio à incerteza com relação à governança do país vizinho, e com os Estados Unidos exigindo “acesso total”, incluindo às reservas de petróleo.
Ano passado, ao ver guerras e tarifas, o mundo duvidou da integridade das instituições americanas e não correu para o dólar como costumava fazer em momentos de crise. E viu no ouro sua tábua de salvação.
Diante disso, os bancos centrais ampliaram a compra de ouro para diversificar reservas e reduzir a dependência do dólar. Apenas em outubro, as compras líquidas somaram 53 toneladas, levando o total do ano até o mês a 254 toneladas. O volume foi 36% superior do que no mês anterior, e o maior até então em 2025.
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Além disso, houve o início do ciclo de queda dos juros no mundo. Quando os juros caem, principalmente em termos reais (descontada a inflação), o custo implícito do ouro diminui, porque o metal não paga juros nem dividendos, explica Luis G. Ferreira, CIO do EFG Private Wealth Management para Américas: “Nesse ambiente, o ouro volta a competir melhor como reserva de valor”.
A demanda por joias, especialmente em países como Índia e China, também ajudou a sustentar os preços, mas o movimento de alta foi apoiado sobretudo por um trade anti-dólar.
“O dólar continua sendo a principal moeda do mundo, isso não está em discussão. Mas isso não significa que ele não possa passar por um enfraquecimento estrutural”, disse Ruy Alves, sócio da Kinea Investimentos, em participação no Onde Investir 2026 do InfoMoney.
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Ouro seguirá subindo em 2026?
Para 2026, o pano de fundo que sustentou o ouro em 2025 segue presente, mas a expectativa é de um caminho menos linear. Depois de uma alta tão forte, o metal tende a passar por períodos de correção e oscilações mais intensas, com investidores realizando parte dos ganhos.
O consenso de mercado compilado pela Bloomberg aponta para um preço de US$ 4.403 por onça no fim de 2026. Em um cenário de alívio das tensões geopolíticas e maior estabilidade fiscal, especialmente nos EUA, o ouro pode passar por uma correção e voltar para perto de US$ 4.000 por onça.
A leitura do EFG é de que, no curto prazo, o ouro ainda pode buscar US$ 4.565 por onça, mas o potencial de valorização tende a ser mais limitado ao longo do ano.
Grandes bancos seguem com uma visão construtiva para o metal, avaliando que a demanda de bancos centrais e a diversificação de portfólios ainda não se esgotaram. O Goldman Sachs projeta alta de 14% até dezembro de 2026, chegando a US$ 4.900 por onça, e o JPMorgan projeta que o metal pode se aproximar de US$ 5.000 por onça ao longo de 2026.
Vale a pena comprar ouro?
Para o investidor brasileiro, o ouro segue sendo tratado como um instrumento de diversificação, e não como uma aposta concentrada. O metal costuma funcionar como proteção em momentos de estresse e como um contrapeso quando outros ativos defensivos perdem atratividade.
“Não é uma aposta para tentar acertar o preço. É uma peça estratégica de portfólio, que ajuda a reduzir volatilidade e proteger patrimônio em momentos de estresse”, afirmou Artur Wichmann, CIO da XP, também no Onde Investir 2026.
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Outro ponto importante é que, no Brasil, o desempenho do investimento em ouro depende de dois fatores, o preço do metal em dólar e a variação do dólar frente ao real. Nos últimos dez anos, a correlação entre o ouro e a moeda brasileira foi negativa, explica Ferreira, do EFG, o que significa que eles tendem a se mover em direções opostas, ajudando a suavizar os altos e baixos da carteira.
“Em 2026, o mais importante é gestão de tamanho e disciplina de rebalanceamento: manter uma exposição coerente com o perfil de risco e com o restante da carteira; aceitar que, após um ciclo forte, o caminho tende a ser mais volátil; e lembrar que, em reais, o resultado depende de duas variáveis: ouro em dólar e o próprio dólar”, comenta o executivo.