Apesar de tudo, 2001 acaba melhor do que se esperava

Dólar acabou sendo a melhor alternativa de investimento no ano, acumulando valorização de 18,44% neste ano de 2001

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SÃO PAULO – O ano que se encerra foi marcado por vários eventos ruins que prejudicaram bastante o mercado ao longo do ano de 2001. Este ano prometia bastante, com a perspectiva de uma trajetória decrescente de juros e de forte crescimento econômico do Brasil, o que resultaria num ano bastante interessante para as bolsas. Entretanto, a crise Argentina, a alta do dólar, o racionamento de energia e a desaceleração econômica da economia mundial acabaram por tornar o ano bastante negativo, com forte deterioração do cenário econômico. Por conta disso, o dólar chegou a ser cotado a R$ 2,835 e a bolsa chegou a cair mais de 34,4% no ano no pior momento.

Início de 2001 projetava ano bastante positivo

Este ano de 2001 começou com forte otimismo com as perspectivas de crescimento econômico para o Brasil e com a expectativa de queda nas taxas de juros, após o primeiro corte de juros nos EUA logo no início do ano. A taxa de juros básica de juros Selic, que fechou o ano em 15,75%, chegou a ser reduzida em 0,5 ponto percentual em março deste ano, mas com o agravamento da crise na Argentina e as preocupações com o racionamento de energia obrigaram o Banco Central a elevar os juros até o patamar de 19% em agosto deste ano, patamar este que se manteve até o final do ano.

Bovespa subiu 15,8% em janeiro

Desta forma, a Bovespa encontrou espaço para subir 15,8% em janeiro. Entretanto a forte deterioração da Argentina, que começou realmente a atrair a atenção do mercado acabou por reverter esta tendência, o que coincidiu com a trajetória de alta do dólar. A moeda americana, que havia começado o ano a R$ 1,95, iniciou sua trajetória de forte valorização no início de fevereiro deste ano até atingir a cotação máxima no dia 21 de setembro, quando fechou cotada a R$ 2,835. Ao mesmo tempo a bolsa trabalhou na direção diretamente oposta, saindo de uma forte valorização no final de janeiro para uma queda de mais de 34% em meados de setembro, quando o índice chegou a ser negociado abaixo dos 10 mil pontos.

Crise da Argentina iniciou movimento de pessimismo dos mercados

Na verdade, o agravamento da crise argentina iniciou um movimento de pessimismo generalizado nos mercados. Este sentimento foi intensificado com a crise energética em maio de 2001 e os sinais de fraqueza da economia americana e mundial, com o medo do aprofundamento da recessão nos EUA após quase 10 anos de forte crescimento.

O repasse da alta do dólar para o preço dos produtos no Brasil também teve forte impacto na inflação, o que obrigou o Banco Central a manter os juros elevados para que se pudesse tentar cumprir as metas acordadas com o FMI, que previam um teto para inflação em 6%. Por fim, os atentados terroristas aos EUA em setembro contribuíram ainda mais para que o desempenho dos mercados piorasse e representaram o auge do pessimismo no mercado neste ano.

Melhora das contas externas e descolamento da Argentina anima mercado

Este cenário pessimista foi completamente revertido a partir do início do mês de novembro. A resposta do desempenho da balança comercial à forte apreciação do dólar, começando a gerar superávits, bem como a percepção de que a deterioração da Argentina já estava precificada nos ativos brasileiros foram os responsáveis pela mudança no humor dos investidores. Desta forma, os investidores passaram a separar o Brasil da Argentina, com o descolamento da situação dos dois países evidenciada pelas taxas de risco-país.

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Para se ter uma idéia, o dólar comercial que iniciou o mês a R$ 2,672 operou em forte trajetória de queda e acabou fechando o ano a R$ 2,316, com uma queda acumulada no período de 13,3%. Já a Bovespa, que no final de outubro a 10.635 pontos entrou em trajetória de forte alta e fechou o ano a 13.550 pontos, uma alta de 27,5% no período. Desta forma, nos últimos dois meses os mercados acabaram corrigindo o pessimismo exagerado nos meses anteriores.

Mesmo com recuperação, dólar foi o melhor investimento em 2001

No entanto, mesmo com essa recuperação, o dólar acabou sendo a melhor alternativa de investimento no ano, acumulando valorização de 18,44% neste ano de 2001. Já o CDI, que é o indicador mais utilizado como parâmetro para avaliar investimentos em renda fixa acumula alta de 16,79%, enquanto que a Bovespa amargou mais um ano de perdas, desta vez de 11,02%.