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SÃO PAULO – Depois de um longo período com uma inflação controlada, os brasileiros voltaram a ficar preocupados com a alta dos preços. De acordo com os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA (Índice de Preços do Consumidor Amplo) já acumula elevação de 6,59% nos últimos 12 meses, valor bem acima do centro da meta (4,5%), o que preocupa muitos investidores que têm assistido seus retornos reais caírem drasticamente.
Diante desse quadro, o InfoMoney perguntou a analistas quais ações conseguem utilizar a alta da inflação a seu favor.
Confira quais foram as ações recomendadas:
BR Malls (BRML3) – Indicada por três analistas, a empresa do setor de shopping center possui um hedge (proteção) natural contra a inflação já que seus contratos de aluguel das lojas são reajustados pelo IGP-M (Índice Geral de Preço – Mercado).
“Por ter a garantia de repasse da variação do Índice para seus contratos de aluguel, [a BR Malls] pode ser beneficiada por estar diretamente ligada ao setor de varejo/consumo que está em recuperação e que, consequentemente, no atual período de alta na inflação não traria pressão para o resultado da empresa, buscando uma renegociação nos contratos”, afirma o analista da Amaril Franklin, Eduardo Machado.
Além desse fator, o analista da Geral Investimentos, Carlos Muller ainda ressalta que a empresa é a maior no segmento no qual atua e que apresenta bons níveis de crescimento e rentabilidade. Adicionalmente, a queda recente nos papéis abre uma boa oportunidade de compra.
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BR Properties (BRPR3) – A incorporadora foi recomendada pelo analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, devido aos reajustes dos imóveis que são atrelados ao IPCA, assim como os contratos de aluguéis da empresa, o que a protege da alta da inflação.
Como drivers positivos, a companhia deve ter uma melhora em suas margens operacionais com a expectativa da entrega de imóveis e deve adquirir novos empreendimentos com o objetivo de locá-los posteriormente.
Cielo (CIEL3) – Segundo o analista da SLW, Pedro Galdi, a empresa consegue capturar a inflação através das receitas obtidas com as credenciadoras com tarifas pré-estabelecidas, o que a protege das altas dos índices de preços. “A tarifa paga pelos bancos pelo uso da bandeira não muda com a inflação, só se houver alguma interferência do governo ou revisão dos bancos”, sinaliza.
Adicionalmente, a companhia é líder de Market share no setor de credenciadoras e deve crescer devido à demanda crescente de cartões de crédito como forma de pagamento.
Ambev (AMBV3; AMBV4) – A produtora de cervejas foi indicada por Brugger, considerando que as ações conseguem repassar a alta da inflação para o consumidor através de seus produtos. Sendo assim, conforme aumenta o índice inflacionário, o preço das bebidas segue no mesmo sentido, o que acaba por proteger os papéis da companhia da inflação.
Neste sentido, as expectativas para a empresa são boas devido ao aumento do salário mínimo e à crença de que a demanda por cervejas deve crescer, impactando no faturamento da Ambev.
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CCR (CCRO3) – A empresa de concessões de rodovias também possui contratos reajustados pelo IGP-M, o que torna a ação uma proteção contra a alta dos preços, conforme aponta o analista da Futura Investimentos, Luis Gustavo Pereira. Como driver positivo, o especialista aponta que o papel pode surfar na provável aceleração econômica do 2º semestre deste ano, além de conseguir se beneficiar da sua maior diversificação, em relação aos setores em que atua.
Por último, a companhia possui uma boa previsibilidade de geração de caixa, com taxa de payout de 89% referente ao lucro de 2012 e yield de 2,9%.